Japão Inicia Retaliações Económicas contra a China

Num claro sinal de descontentamento relativamente à crise económica agravada pela pandemia do novo coronavírus instalada no seio da Ásia pela China, o Japão, impedido de rentabilizar o seu investimento de milhões para 2020, com a realização dos Jogos Olímpicos de Tóquio, tomou algumas resoluções face à situação gerada. Acusada de falta de transparência e de manipulação da informação sobre o início e a gravidade da pandemia – silenciando meios de informação e médicos – a atitude da China, considerada reprovável internacionalmente, pode tê-la colocado numa posição frágil, no quadro da economia mundial. Vários países e governos já deram início a pedidos internacionais de indemnização de biliões e todo este processo ainda vai no início. Mas a tese avançada pela maioria dos think tanks mundiais, gurus da macro-gestão, é de que a China vai ser alvo de uma retaliação mundial sem precedentes, aliás uma oportunidade de ouro para muitos países se apoderarem de bens financiados pela China ou estrategicamente dominados por esta. Todo o mega-plano das novas rotas da seda chinês, pode ter sido posto em causa. A estratégia expansionista visionária de Xi Jinping parece ter sofrido um reverso inesperado.

As medidas retaliatórias designadas por James Kraska como “lawful countermeasures” partem de um princípio de avaliação de danos sofridos por um Estado em função da má conduta de outro Estado, que lhe permitirão pedir indemnização, através de um Tribunal Internacional de Justiça – da ONU, por exemplo. Caso não haja entendimento ou acordo, o Estado lesado alegará suspensão das obrigações legais por um Estado em relação a outro, podendo avançar com medidas concretas, que de outra forma seriam ilegais. Mas além do TIJ de Haia, outras instituições poderão ser envolvidas no processo, como a OMS e a OMC. Segundo James Kraska, poderá ser legítimo, por exemplo, nacionalizar à força ativos chineses nos diferentes países, incluindo participações financeiras em empresas ou atacar a firewall chinesa na Internet. O senador republicano Lindsey Graham, por exemplo, grande apoiante de Donald Trump, propõe a interrupção dos pagamentos dos juros das dívidas americanas que estão nas mãos da China. Certo é que existe um sentimento generalizado contra a China, essencialmente por ter demonstrado uma total falta de respeito pela liberdade de imprensa e de informação internacionais. Podemos estar no seio de uma nova Guerra Fria, desta vez não com a Rússia, mas com a China.

Trump ainda não se pronunciou concretamente sobre medidas sancionatórias a tomar contra a China, no seguimento dos danos causados pelo coronavírus nos EUA. Profundamente afetada pelo elevado número de mortos, a economia norte-americana, baseada na agressividade de mercados, sofreu um impacto negativo irreversível para este ano, e que já está a por em causa inúmeros negócios na indústria petrolífera. Causadora de desemprego em larga escala esta crise pandémica, dizem muitos, ainda nem começou. A doença prevê-se que volte com uma segunda vaga ainda mais forte e, talvez por isso, o Presidente dos EUA não tenha ainda iniciado verdadeiramente a avaliação de “estragos”. Mas a posição de Xi Jinping já está a ser fragilizada pela Casa Branca e pelo Senado. Acusado de só querer manter o poder a qualquer custo, o líder do Partido Comunista chinês é também acusado de agir contra as liberdades e direitos do seu próprio povo. Para alguns, esta crise diplomática e económica poderá originar vários tipos de guerras nos próximos meses e anos. E o Japão, numa possível antecipação de uma estratégia para o futuro, pode estar a prever que essas guerras possam até incluir o fecho das fronteiras da China com outros países. As recentes ameaças de Xi Jinping à Austrália, de impedir que cidadãos chineses viajem para aquele país apenas por causa do inquérito que a Austrália realiza sobre o coronavírus, é um forte sinal de que a China pode querer reescrever a história da origem da pandemia, talvez para melhor se defender junto dos tribunais internacionais perante os pedidos de indemnizações de biliões.

James Kraska, especialista em Lei Internacional Marítima apela a que não só os EUA mas também todos os Estados em geral, repensem na sua dependência da China, na cadeia de produção e distribuição de bens, enquanto o regime chinês caminhar em direção ao totalitarismo expansionista, extremista e belicista de Xi Jinping. Kraska apela mesmo a que as empresas deem inicio a processos de desmobilização da China para outros países estratégicos, retirando as suas estruturas de produção e fornecimento, mesmo que, no início, os impactos sejam dolorosos economicamente. No entanto, face ao imobilismo forçado pela quarentena mundial, este pode ser o momento de o fazer, uma oportunidade que muitos Estados não deveriam perder. Os baixos preços praticados pela China que tanto favoreceram muitas sociedades tiveram agora o seu reverso. A crise está instalada, mas o mundo deve procurar soluções mais justas. Outros países em vias de desenvolvimento podem ser ajudados e fomentados ao crescimento e cooperação, reduzindo a participação da China no processo comercial mundial. Mas James Kraska refere que a China pode já ter equacionado todas estas sanções e pode estar a planear soluções que a farão emergir como uma potência ainda mais poderosa, dependendo das alianças que conseguir fazer no futuro próximo. Caso os EUA e a Europa se unam neste processo, poderão sair reforçados. Caso contrário, as suas economias poderão ter retrocedido, o equivalente a 15 ou 20 anos.

Nesta perspectiva estratégica o Primeiro-Ministro Japonês Shinzo Abe anunciou o êxodo massivo da sua indústria de manufactura localizada na China. Seguindo a lógica de Kraska, Shinzo propõe que o Japão construa uma economia menos dependente num único país, de forma a que possa evitar possíveis crises de fornecimento de produtos no futuro. A mensagem chegou a Xi Jinping com surpresa e alguns receios, já que o Japão tem ajudado a China industrial e tecnologicamente, designadamente na instalação de uma rede ferroviária de ultima geração, que tem permitido à China atingir grandes metas de expansão comercial e económica. Assim, o Primeiro-Ministro japonês propõe que o Japão passe a produzir a maior parte dos produtos manufacturados que importava da China e para tudo o resto, valer-se dos países da ASEAN (Associação de Nações do Sudeste Asiático). A decisão de Shinzo é tão determinada que fala mesmo numa estratégia que afaste a China da sua dependência comercial. Em função destas afirmações o Politburo de Beijing reuniu a 8 de abril, onde Xi Jinping revelou estar preocupado com um previsível “aumento de fatores de instabilidade e incerteza” no seguimento da crise pandémica.

As retaliações à China são já uma certeza, e pelo que vemos do exemplo do Japão, estão a passar à prática em tempo real, aproveitando a suspensão das economias. Trump não poderia estar mais contente com a situação, já que vai ao encontro da sua máxima eleitoral “America First”. Se os EUA e o Japão, respetivamente a maior e a terceira maior economias do mundo retiram as suas indústrias e comércio da China, o impacto na segunda maior economia pode ter um efeito dominó em toda a Ásia, África e, de uma forma geral, no xadrez diplomático e comercial globais. Por outro lado, as fortes suspeições que recaem sobre o prévio conhecimento deste coronavírus específico, que originaram a súbita tentativa de patenteamento por parte de um laboratório de Wuhan de uma vacina da farmacêutica para o Covid-19 assim que se deu a primeira morte, sobre um medicamento – Remdesivir – desenvolvido previamente pela farmacêutica Gilead, deixam clara uma possível agenda secreta de Xi Jinping e de laboratórios farmacêuticos. Afinal de contas a Gilead esteve envolvida em vacinas para a Gripe das Aves e do Ébola, e Donald Rumsfeld, ex-CEO da empresa, já foi acusado por diversas vezes de ter perigosas ligações e interesses no patenteamento de vacinas para pandemias, por parte daquela empresa. Um negócio de biliões a curto, médio e longo prazo. Não deixam de ser suspeitas também, as movimentações militares e exercícios navais da China no quadro das alianças do SCO (Shangai Cooperation Organization), enquanto o resto do mundo luta contra a pandemia, debaixo de uma quarentena global. Afinal a Guerra Comercial, passa à fase dois: a Guerra Financeira. Esperemos que não chegue à fase três: uma Guerra Mundial.

  Texto de Pedro M. Duarte

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