Cinco Défices na relação entre Ciclistas e Automobilistas

Recentemente, participei na organização num inquérito sobre a criação de uma ciclovia na Avenida de Roma. A partir de dado momento, o inquérito que tinha como objectivo auscultar os moradores sobre a ciclovia que a CML vai aqui criar até setembro de 2020 teve um súbito aumento da quantidade de respostas e alguns campos tiveram um grande afastamento em função do padrão das respostas anteriores. Pouco antes o link tinha sido divulgado em plataformas ligadas a grupos de activistas e apareceram aqui pessoas a proclamarem que tinham participado apesar de viverem fora de Lisboa.

Pois bem, caros activistas que participaram nesta adulteração do processo ao agirem desta forma revelam possuírem:

1. um Défice Moral:
Quando partilham em grupos de activistas e se vangloriam de estarem a responder a partir de Oeiras ou Loures a um inquérito que tem no seu título a expressão: “Ao responder a este inquérito identifico-me como morador e/ou trabalhador com morada na Freguesia do Areeiro” proclamam alto e a bom som que, quem o faz, não consegue distinguir o “certo” do “errado” tamanho é o grau de ofuscação pela “ideologia” (a “bicicleta” não é uma “ideologia”: é uma alternativa leve de mobilidade).

2. um Défice Numérico:
Quem partilha nos grupos de activistas o link do inquérito admite implicitamente que não acredita ter consigo a maioria dos cidadãos que moram e trabalham na freguesia caso contrário não acreditaria precisar de aglutinar adeptos de todo o país para a “causa” (não é uma “causa”: é uma alternativa leve de mobilidade). Ao agirem desta forma fazem, de facto, um deserviço à causa da mobilidade leve: descredibilizando-a e extremando antagonismos que não interessam às soluções de consenso que sempre devem regrar o Governo de uma cidade.

3. um Défice de Inteligência:
Pelo menos poderiam ter feito a divulgação e os apelos de participação para quem não reside na freguesia e em Lisboa de forma discreta, em grupos secretos ou por mensagens privadas, em grupos WhatsApp, etc. Ao publicarem isto às claras e escreverem em grupos públicos que participavam apesar de nem sequer residirem ou trabalharem em Lisboa revelam um défice de inteligência a que, obviamente, não vos falta para a vida do dia do dia mas que, infelizmente, não raramente se evapora em contextos extremistas.

4. Um Défice de Moderação:
Nos últimos anos tenho assistido a inúmeras polémicas entre ciclistas e automobilistas. Sendo peão (não sei conduzir nem andar de bicicleta) e utente de transportes públicos assisto sempre às ditas da “varanda” mas sem dúvida que faltam a ambas partes alguma moderação, bom senso e capacidade para enquadraram a posição do “outro”. Não somos “inimigos”: todos, certamente, desejamos o melhor para a cidade.

5. Um Défice de Bom Senso:
Com efeito, a bicicleta não é um Deus, uma Religião ou uma Ideologia: é um meio de transporte, uma alternativa suave, ecológico e barata, de mobilidade. Atitudes como a de sabotar um inquérito honesto e potencialmente útil para a Cidade dizem mais sobre quem as tem do que o resultado de qualquer inquérito de mobilidade e, quando são demasiado evidentes ou estupidamente vlangoriadas acabam por destruir qualquer objectivo ou o resultado de qualquer inquérito (que, eventualmente, até lhe poderia ser favorável) contribuindo apenas para uma dicotomia e antagonismo estéril entre cidadãos numa lógica “nós contra o mundo” que, a prazo, prejudica a evolução da mobilidade em Lisboa para uma direcção mais leve, sustentável e ecológica que – certamente – todos queremos.

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