Make Adrenochrome Great Again – Primeira Parte – Grab Them by the Pussy

A vida pública de Donald Trump não começou em 2015. Trump é, desde os anos 70 uma figura relevante na alta sociedade Nova-iorquina, pelos negócios que estabeleceu no ramo do imobiliário a partir da empresa do seu pai, Frederick Christ Trump. O alcance dos seus negócios, assim como a sua personalidade exuberante foram-lhe garantindo uma presença mediática mais ou menos constante desde essa altura até à sua candidatura à presidência dos EUA.

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O impacto cultural da figura de Donald Trump nos anos 90 era suficiente para ser cameo num filme tão popular como “Sozinho em Casa”.

Trump assumiu a  presidência  da Trump Organization, a partir da qual expandiu os seus negócios para além do imobiliário, nomeadamente casinos, hoteis, campos de golfe, entretenimento, editoras, rádio e televisão, agenciamento de modelos, retalho, serviços financeiros, alimentação, formação na área dos negócios , viagens online, aviação civil e concursos de beleza.

Em junho de 2015, Trump apresentou a sua candidatura à nomeação republicana, depois de anos de alterações de afiliação política, entre Republicano, Democrata, Independente e de novo Republicano . Trump foi nomeado e posteriormente eleito num dos maiores upsets da história eleitoral americana, conseguindo, ganhar o colégio eleitoral e ficando cerca de 3 milhões de votos atrás de Hillary Clinton no voto popular. A sua presidência tem sido controversa, com Trump a ser criticado, entre outras razões, por governar na base do ressentimento racial da população maioritária branca dos EUA e por várias vezes, faltar à verdade nas suas declarações. Os seus apoiantes afirmam que a sua política económica agressiva e protecionista levou a um boom económico sem precedentes e que a sua política externa é a menos militarmente agressiva dos EUA em décadas. A avaliação da presidência Trump não é o objectivo desta análise, que pretende sim compilar alguns os escândalos sexuais ligados à figura de Trump e a sua possível ligação a Epstein e seus cúmplices.

Há muito sobre Trump e violência sexual para além de “grab them by the pussy”. Ao longo da sua carreira de homem de negócios e figura pública, o actual presidente dos EUA acumulou várias acusações e alegações de violência sexual e relacionamentos impróprios. No total, somam-se 25 mulheres a acusá-lo de algum tipo de abuso. Duas delas vieram a público antes da sua campanha eleitoral, a da sua ex mulher Ivana Trump e da mulher de negócios Jill Harth.

A acusação de Ivana tem um contexto muito especifico. Durante o processo de divórcio de ambos, Ivana afirmou que, Trump a terá agredido, chegando a arrancar cabelo. Já numa declaração ao livro Lost Tycoon: The Many Lives of Donald Trump de Harry Hurt III, Ivana faz uma descrição de uma situação que poderia configurar violação conjugal e que terá partilhado com pessoas próximas. Já no próprio livro diz que não desejava que essa descrição fosse interpretada num sentido criminal estrito.  O divórcio entre Ivana e Donald Trump incluiu alegações de “tratamento cruel” por parte do actual presidente e está actualmente sujeito a uma gag order que impede ambas as partes de falarem em público sobre o casamento e o divórcio. Destaque-se que na base desse mesmo “tratamento cruel”, estará, segundo o advogado de Trump, baseado no seu comportamento na fase final do casamento, em que, ainda casado com Ivana, Trump se acompanhava em público de Maria Maples, com quem viria a casar mais tarde. Actualmente Ivana Trump continua a usar o apelido Trump, considera-se amiga do ex marido, apoiou a sua candidatura publicamente, chegando a afirmar que qualquer acusação de violência com base nas suas declarações anteriores é espúria.

A empresária Jill Harth acusa Trump de várias vezes a agredido sexualmente, nomeadamente num jantar em que o seu então namorado estaria presente. Já numa visita do casal ao resort Mar-a-Lago, em que celebravam o fecho de um  negócio, Trump terá levado Harth para o quarto da sua filha Ivanka, no qual a terá agarrado, empurrado contra a parede e tentado beijar contra a sua vontade. Harth afirma também que após se ter casado com o seu então namorado, Trump terá iniciado comportamentos persecutórios em relação a ela. O processo judicial iniciado por Harth em 1997 acabou por ser terminado quando o seu já marido fez um acordo extra judicial no contexto de um outro processo relativo a um contrato  relacionado com o festival American Dream. Harth afirma que o processo a levou a necessitar de terapia durante algum tempo. Mais tarde, Harth trabalhou para a campanha Trump como maquilhadora, afirmando acreditar  que o tempo passado e o então publicamente estavel casamento com Melania Trump, poderiam ter mudado o homem que anteriormente a havia agredido.

As restantes acusações vieram a público já no contexto da campanha presidencial de Donald Trump e do movimento #meetoo. A escritora E. J. Carrol afirma  ter sido agredida sexualmente por Trump numa loja de roupa de luxo. Trump nega a acusação e iniclamente negou até sequer alguma vez ter interagido com a escritora, negação que Carrol refuta com uma fotografia em que surge junto ao casal Trump. Pelo menos duas pessoas próximas confirmam que Carrol já havia descrito a situação anos antes de vir a público com a acusação. Summer Zervos, concorrente do reality show The Apprentice, produzido e protagonizado por Trump, afirma que após a sua participação no programa, se reuniu com Trump para discutir perspectivas de emprego e que durante a entrevista, Trump terá sido sexualmente agressivo, tentando beija-la e apalpa-la. Pelo menos um familiar de Zervos afirma que esta mantinha uma opnião positiva sobre Trump durante a sua campanha presidencial e a própria campanha publicou emails em que Zervos procurava contactar Trump novamente. O caso teve alguns avanços e recuos, com Zervos a processar Trump por difamação por este a ter acusado de mentir e com um pedido de deposição por escrito do próprio presidente actualmente em suspenso  na justiça estadual de Nova Iorque desde 31 de Janeiro de 2020. Zerzos não foi a única concorrente do reality show a denunciar este tipo de comportamento. Jennifer Murphy descreve que Trump a terá beijado de surpresa na sequencia de uma entrevista de trabalho, mas que a situação não a terá incomodado de sobremaneira.

Alva Jonhson levantou também um processo contra Donald Trump por uma situação de assédio num comício da campanha Trump para a qual estava a trabalhar na altura. Testemunhas nomeadas por ela negam que tal tenha ocorrido.

Outras acusações incluem Jessica Leeds, empresária da área do papel que afirma ter sido tocada contra a sua vontade numa viagem de avião em que viajou ao lado de Trump, Kirstin Anderson que afirma ter sido apalpada numa discoteca em Manhatan, Lisa Boyne, que afirma que num jantar com o agente de modelos John Casablancas(não confundir com o músico Julian Casablancas, também acusado de assédio sexual) e algumas outras modelos, terá sido alvo de comportamentos e palavras invasivas de Trump, o testemunho é negado pela modelo que convidou Boyne para o evento. Cathy Heller acusa Trump de a ter tentado beijar à força num evento de Dia da Mãe no resort Mar-a-Lago, a familia de Heller confirma o relato. Karena Virginia afirma que ao aguardar por transporte após um evento desportivo, Trump se terá aproximado com um grupo de outros homens, tocando-a contra a sua vontade enquanto ia perguntando “Don’t you know who I am? Don’t you know who I am?” Karen Jonhson testemunha que também no resort Mar-a-Lago, numa festa de ano novo, foi apaldada nos genitais e puxada para detrás de uma tapeçaria e que após o acontecimento ele a tentou contactar, sendo que Virginia nunnca lhe havia fornecido o seu número. Também no Mar-a-Lago, Mindy McGillivray afirma ter sido também apalpada, situação confirmada pelo fotografo que a acompanhava na altura e desmentida pelo irmão do mesmo, também presente. Rachel Crooks descreve que enquanto trabalhava como receptionista numa empresa sediada na Trump Tower, ao cruzar-se com Trump e cumprimenta-lo, este terá tentado beija-la. Já Natasha Stoynoff, jornalista e escritora canadiana afirma que no contexto de uma entrevista ao casal Trump, terá sido levada a uma sala onde Trump a tentou beijar à força. Juliet Hudy relata que, no elevador da Trump Tower a terá beijado de surpresa nos lábios ao cumprimentá-la. Jessica Drake, actriz de filmes adultos e activista na área da educação sexual, reporta que num torneio de golfe no Lago Tahoe, foi convidada para ir à suite de Trump no local, onde foi acompanhada, afirmando que tanto ela como as pessoas que a acompanhavam ficaram incomodadas com o comportamento do empresário, que as abraçou e beijou de forma intensa e mais tarde procurou contacta-la para que ela o “acompanhasse na sua suite” por 10000 dolares americanos, com viagem paga.

Trump tem ainda um conjunto de relatos, acusações e alegações de assédio no contexto dos concursos de Misses detidos pela Trump Organization. Pelo menos um desses relatos é do próprio.

Temple Taggart McDowell, Miss Utah USA reportou que o comportamento de Trump, entre abraços e beijos forçados a terá deixado, a si e à sua acompanhante, tão desconfortáveis, que esta foi aconselhada a não voltar a ficar a sós com ele. Bridget Sullivan, Miss New Hamshire USA descreve que enquanto se preparava para o inicio do evento, Trump terá entrado num camarim colectivo com várias concorrentes ainda despidas. O episódio não foi confirmado por outras concorrentes do mesmo evento. Já Tasha Dixon, Miss Arizona USA de 2001, descreve um episódio em que Trump terá entrado no camarote colectivo sem que houvesse tempo para nenhuma das concorrentes presentes se vestir ou sequer pôr um roupão. Situações semelhantes, são descritas por Samantha Holvey Miss North Carolina USA de 2006. Já segundo Ninni Laaksonen, Miss Finland de 2006, Trump tê-la-á  apalpado no estúdio do Late Show with David Letterman antes do inicio da emissão. Pelo relato de Cassandra Searles, Miss Washington USA de 2013 esta terá sido também tocada contra a sua vontade durante o concurso.

A Trump Organization detém também o concurso Miss Teen USA e um conjunto de concorrentes, nomeadamente Mariah Billado e Victoria Hughes afirmam que, pelo menos uma vez, Trump terá entrado sem avisar nos camarotes das concorrentes, com concorrentes com idades a partir de 15 anos presentes. Não há testemunhos de palavras inapropriadas ou contacto fisico neste contexto e algumas participantes, nomeadamente Allison Bowman, duvidam do episódio.

Há duas citações e uma promessa de Trump que contextualizam a maior parte destes episódios. A primeira, a infame “grab them by the pussy”, que traduzida na sua totalidade soa algo como “É melhor tomar uns Tic Tacs, no caso de a beijar. Sabes, eu tenho uma atração imediata por — bonitas, simplesmente começo a beijá-las. É tipo um iman. Simplesmente beijar. Nem sequer espero. E quando és uma estrela, elas deixam. Podes fazer o que quiseres. Agarra-las pela rata. Podes fazer o que quiseres”. A segunda citação, sobre os concursos de Misses, “Eu vou aos bastidores antes de um espétaculo, quando estão todas a vestir-se e a pôr-se prontas e tudo o resto. … Sabes, mais nenhum homem na área. Eu posso ir porque sou o dono do evento. Estou a inspecionar. … A ver se estão todas bem. Sabes, elas estão lá despidas. E acabas por ver estas mulheres lindíssimas. E eu mais ou menos posso fazer estas coisas. Mas não, portei-me sempre bem”. Quanto à promessa, Trump desde que estas acusações começaram, na altura da campanha presidencial de 2016, prometeu que haveria de processar todos os que o acusavam, nomeadamente o New York Times. Não só nenhum desses processos aconteceu, como uma das queixosas o processou a ele por difamação.

 

 

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