Make Adrenochrome Great Again – Segunda Parte – Epstein the terrific guy

“Conheço o Jeff há 15 anos. Gajo estupendo. É sempre uma companhia divertida.  Dizem até que ele gosta de mulheres bonitas tanto como eu, muitas delas bastante jovens”

Donald Trump, à revista  New York, num perfil escrito em 2002, referido no documentário da Netflix Filthy Rich.

Jeffrey Epstein e Donald Trump foram, por períodos longos de tempo, frequentadores dos mesmos espaços sociais, os espaços de socialização da alta sociedade Nova-Iorquina em particular e Norte Americana em geral. Só este facto seria suficiente para existir alguma relação entre os dois, ainda que extremamente lateral. Mas se esta relação existe, ela é lateral ou um pouco mais que isso?

As várias alegações de abuso sexual ou conduta imprópria por parte de Donald Trump foram referidas na primeira parte deste artigo, uma delas ficou por referir, exactamente por se incluir já nesta conexão entre os dois.  Em 1992, Trump apareceu no programa A Closer Look, apresentado por Faith Daniels, segundo a própria, como “retorno” pelo facto de este a ter beijado de surpresa anteriormente. O episódio terá ocorrido numa festa organizada por Trump no resort Mar-a-Lago, filmada pela NBC News, na qual estavam presentes Donald Trump e Jeffrey Epstein e algumas cheerleaders da NFL. As filmagens do evento reveladas pelo canal em 2019 mostram um comportamento típico de homens ricos e poderosos em eventos em que cheerleaders da NFL participavam sob contrato.

 

A conexão entre Epstein e Trump e antiga e inclui também Ghislaine Maxwell, fotografada várias vezes junto a Donald Trump e Trump terá viajado pelo menos uma vez num dos jatos de Epstein em 1997, num voo de Palm Beach na Flórida, a Newark em Nova Jérsia.

 

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Trump e Ghislaine Maxwell na primeira fila do fashion show de Anand Jon em Setembro de 2000. Foto por Patrick McMullan via Getty Images

Um conjunto mais alargado de fotos em que Trump aparece junto a Epstein ou Ghislaine Maxwell pode ser visto aqui.

A fazer fé nas declarações de Trump no perfil já referido, os dois conheceram-se nos anos 80 em Nova Iorque. As actividades que ambos desenvolviam legalmente na altura levariam a que tivessem interesse legítimo em interagir. Trump tinha dinheiro e vontade de o investir, Epstein tinha as competências e ferramentas para gerir investimentos em mercados altamente agressivos e intensos, como o do imobiliário em grandes metrópoles.

Já fora de Nova Iorque, em Palm Beach, na Florida, ambos adquiriram propriedades caríssimas, próximas uma da outra e que viriam a ser criticamente importantes para os seus estilos de vida. A mansão de Epstein foi adquirida em 1990, a propriedade que viria a ser Mar-a-Lago em 1985, sendo a construção do resort terminada dez anos depois. É neste contexto que o próprio Trump admite que por várias vezes se cruzou com a dupla Epstein/Maxwell. Já recentemente, no seguimento da prisão de Ghislaine, Trump desejou-lhe algo que em tradução livre se pode interpretar como “boa sorte”.

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Direções entre a mansão de Epstein e o Resort Mar-a-Lago segundo o Google Maps. 5 minutos de carro.

Segundo fontes citadas pela publicação Film Daily, Trump e Epstein eram não só homens extremamente ricos que frequentavam os mesmos espaços de homens extremamente ricos, como eram amigos, inclusive terá sido Epstein a apresentar a Trump a sua actual esposa, Melania. Esta ligação terá sido interrompida 2004 por uma disputa pela compra de uma propriedade em Palm Beach, onde ambos já tinham as propriedades referidas anteriormente. Epstein continuou no entanto a ser sócio do clube até que em 2007 foi proibido de voltar a entrar no resort de Trump, por ter assediado a filha de um convidado. Antes deste episódio ter sido revelado, a Trump Organization mantinha como resposta oficial que Epstein nunca havia sido membro de nenhum dos clubes pertencentes à organização.

O resort Mar-a-Lago acaba por ser determinante na ligação entre as duas figuras segundo Virginia Giuffre, uma das principais vítimas de Epstein, é no resort que Ghislaine Maxwell a aborda para começar a trabalhar para o banqueiro como massagista, trabalho que acabaria por incluir actos de cariz sexual. Giuffre na altura tinha 15 anos.

À data do infame acordo de 2008, é tido como certo que Trump e Epstein já não se falavam há algum tempo. Actualmente Trump nega sequer alguma vez ter sido próximo de Epstein e Bradley Edwards, advogado de algumas das vítimas de Epstein afirma que Trump sempre se mostrou disponível para partilhar informação que pudesse ser relevante para o caso.

Além das ligações já referidas, há pelo menos duas figuras ligadas nalgum momento à administração Trump, com algum tipo de ligação a Epstein. No caso de Alex Acosta,a ligação é profissional e política, Acosta foi o procurador responsável hierarquicamente pelo acordo que em 2008 permitiu a Epstein ser condenado a um tempo de cadeia reduzido numa prisão de luxo. Acosta foi nomeado Secretary of Labor em 2017 e após a prisão e morte por aparente suicido de Epstein, a sua posição tornou-se politicamente insustentável, tendo-se demitido com o beneplácito de Trump. Já no caso de William Barr, actual procurador geral dos EUA, nomeado por Trump, a ligação é familiar. O seu pai, Donald Barr foi o responsável pela contratação de Epstein como professor em Dalton, onde já na altura, final dos anos 70, o seu comportamento em relação às suas alunas veio a ser descrito como impróprio.

No campo legal, Alan Dershowitz que foi advogado de Epstein no caso que resultou no acordo de 2008, foi em 2020 parte integrante da equipa legal que defendeu Trump no processo de destituição movido  por abuso de poder a obstrução ao Congresso. Dershowitz é um advogado extremamente bem sucedido e famoso, sendo normal que fosse contratado tanto por bilionários em apuros, como por presidentes alegadamente bilionários em alegados apuros.

Existe ainda um caso em que Trump e Epstein aparecem ambos como defendants, sendo que a plaintiff, não se identifica. O caso é bizarro, foi levantado em Março de 2016 por figuras consideradas suspeitas e a alegada vítima desistiu de acusação, afirmando estar a ser alvo de ameaças de morte. O caso foi noticiado quase sempre em virtude da estranheza do processo em si e da dificuldade em extrair informação credível da acusação, mas também do nível de gravidade das acusações, que incluíam múltiplas violações de uma vítima menor no contexto de festas num apartamento de Epstein.

Trump nunca negou mover-se nos mesmos círculos sociais em que Jeffrey Epstein se movia. Jeffrey Epstein é descrito como sendo extremamente carismático e a história que se vai revelando sobre ele vai mostrando que uma das suas principais competências era a gestão e tráfico de influencias de ricos, famosos e poderosos. Se as ligações e coincidências entre Trump e Epstein não mostram uma relação que até certo ponto terá sido próxima, mostram pelo menos que Epstein não tinha qualquer dificuldade em se movimentar e relacionar nos meios da alta sociedade dos Estados Unidos.

 

 

 

 

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