Tecnologias Limpas Inovadoras Começam a Invadir os Mercados

A surpreendente invenção sueca, um navio cargueiro movido a energia eólica, está a deixar alguma esperança na tecnologia no combate à poluição marítima e às tecnologias obsoletas e poluentes dos motores dos grandes navios movidos a diesel. Designado como Oceanbird, o produtor espera entregar as primeiras unidades já em 2024. Cinco velas de aço extensíveis em altura e rotativas, parecidas com a asa de um avião podem atingir uma altura de 105 metros acima da linha de água, absorvendo a força eólica para impulsionar o navio. Prevê-se uma redução de 90% no consumo de combustível, já que não é 100% movido a energia eólica, contando com um motor a combustão para auxiliar em algumas manobras portuárias que exigem maior manobralidade. O investimento inicial de 27 milhões de euros foi feito pelo governo sueco e é gerido pela empresa Wallenius Marine numa parceria com o Instituto Real de Tecnologia de Estocolmo e o instituto de pesquisa SSPA.

Desenvolvida desde o ano passado, a embarcação apresenta 200 metros de comprimento e 45 metros de largura e destinar-se-á, inicialmente, apenas ao transporte de veículos, uma classe de navio designada por PCTC (pure car truck carrier), com uma capacidade para transportar até 7.000 veículos. Considerando que o transporte marítimo contribui com 3% de emissões de CO2 em todo o mundo, esta pode ser uma solução inteligente para contrariar o sério problema da emissão de gases de efeito de estufa. A Organização Internacional Marítima (IMO), ligada à ONU, pretende reduzir até 50% as emissões de gases do efeito estufa do setor até 2050, comparativamente aos níveis de 2008. Não sendo propriamente veloz, a sua velocidade média estima-se em 18,5 quilómetros por hora, estando preparado para atravessar o Atlântico entre a Europa e os Estados Unidos em 12 dias, comparativamente aos 8 dias que os navios tradicionais conseguem. Mas a diferença não é assim tão díspar e definitivamente, os países têm de passar a optar por soluções mais limpas, em detrimento de soluções mais baratas, mais rápidas ou mais fáceis de desenvolver.

De Espanha acaba também de chegar uma excelente notícia. A Talgo, empresa ferroviária espanhola e principal produtora de Renfe, apresentou recentemente no evento SOI H2, uma proposta de sistema de propulsão de hidrogénio para comboios, cujo primeiro protótipo, já construído em Espanha, estará em circulação já no final de 2021. Tal como sucede na proposta sueca de navio, o que se pretende é substituir os motores diesel por soluções tecnologicamente limpas. A localidade de Don Benito, na Extremadura, onde foi apresentado o projeto, será também a localização dos primeiros testes experimentais do protótipo. Esta iniciativa público-privada tem um investimento inicial de 15 milhões de euros. O sistema proposto pela Talgo é modular e por isso, poderá adaptar-se a praticamente todo o tipo de composições de comboios embora tenha sido desenhado essencialmente para ser instalado em comboios de meia-distância e suburbanos.

Este tipo de tecnologia já foi testada com êxito durante um ano e meio na Alemanha (desde 2018) através da empresa Alstom, que colocará em circulação já em 2022, 14 composições a hidrogénio. Alguns destes sistemas já conseguem 1.000 quilómetros de autonomia, equiparando-se aos atuais a diesel. As linhas e catenárias manter-se-ão inalteradas o que permite uma enorme poupança de tempo na introdução desta tecnologia na sociedade. Pela facilidade de implementação neste tipo de transporte, o hidrogénio sempre foi o cavalo vencedor, relativamente à alternativa 100% elétrica. As baterias de hidrogénio armazenarão energia produzida de fontes renováveis. Por sua vez esta energia servirá para alimentar os sistemas de propulsão avançados desenhados pela Talgo. Um sistema que se complementará com tecnologia de paragem regenerativa, que incrementa a aceleração disponível no arranque. Tecnologia aliás semelhante a alguns automóveis híbridos.

Estes dois exemplos refletem a esperança de que é possível mudar rapidamente tecnologias tão obsoletas e poluentes como o motor a combustão diesel ou gasolina. E sem ter de alterar todo o sistema à sua volta. Como neste caso do comboio a hidrogénio, apenas se inovou na parte do motor e da carruagem dianteira, o que exigiu apenas algumas adaptações às composições cujo design já existia. Prova de que quando existe vontade política, os dinheiros dos impostos pagos pelos contribuintes podem ser bem empregues, para benefício de todos.

Texto de Pedro M. Duarte

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