Uma Pandemia para 10 Anos Que Mudará o Mundo Para Sempre

O dia 27 de Dezembro de 2020, disseram os noticiários, vai ficar gravado na história da UE como a data do princípio do fim da pandemia de 2020. Todo o aparato europeu do transporte e distribuição regional e nacional, desde as instalações da Pfizer, do precioso líquido contido em frasquinhos laboratoriais preciosamente conservados no frio e massivamente escoltados por forças policiais pesadamente armados de metralhadoras. Seguiu-se o espetáculo mediático da vacinação, largamente documentada em todos os canais, em todos os hospitais e instituições, simultaneamente uma manobra de marketing demasiado evidente pelos comentários “encomendados” a muitos entrevistados, que balbuciavam elogios rasgados e extasiados à vacina, promovendo o seu uso como a única opção de cura. Na realidade foram mais utilizados como instrumento comercial do que como cobaias e a falta de qualidade das suas intervenções lembrou-me os históricos anúncios popularuchos “de improviso” da manteiga “Planta”. Os comentários dos entrevistados foram brilhantemente escolhidos e comentados por Ricardo Araújo Pereira no seu programa de 3 de Janeiro do “Isto é Gozar com Quem Trabalha“.

Mas a tão esperada salvação, a vacina da Pfizer vai demorar alguns anos até ser largamente administrada à maioria da população europeia. Por mais que a Pfizer consiga expandir a sua produção, fabricar 741 milhões de vacinas, a totalidade da população de todos os estados membros da UE, distribuí-las e administrá-las em muitos milhares de centros de saúde e hospitais é a mais complexa operação de caráter militar jamais levada a cabo na Europa. Além disso, as recentes mutações do vírus, que muitos cientistas garantem estar cobertas por esta vacina prometem um futuro ainda muito incerto e talvez tão ou mais perturbador do que 2020. Ou seja, a vacinação apenas teve início, um início pomposo politicamente, mas que na prática, não vai mudar quase nada nas medidas anti-pandémicas. Continuamos a ter de usar máscaras e cuidados de higiene, continuarão os lockdowns estratégicos parciais ou totais consoante a gravidade dos surtos e todo o tipo de medidas draconianas nacionais e locais que os políticos entenderem infligir aos cidadãos. Mas será um processo longo no tempo, suficientemente longo para provocar as alterações económicas, sociais e políticas detalhadamente debatidas na Agenda 2020 do WEF (World Economic Forum), no seu programa especialmente dedicado à pandemia intitulado The Great Reset.

A vacinação vai apenas começar a restringir a propagação do vírus nos grupos de maior risco, os que estão a ser vacinados prioritariamente. Mas a larga maioria da população terá de esperar e continuar a experienciar a mesma realidade de 2020. O teletrabalho, as falências de micro, pequenas e médias empresas e até de indústrias, o downsizing de alguns gigantes económicos continuarão a acontecer até todo o mapa económico estar redesenhado mundialmente. E das cinzas desta hecatombe financeira renascerão reforçados apenas, como em todas as crises, alguns gigantes ligados às vacinas, à alimentação, aos serviços digitais, empresas online e respetivas distribuidoras e, claro, a Netflix. A maioria dos serviços não-essenciais continuarão a diminuir e a decair, resultado do tipo de procura que mudou e do empobrecimento da classe média, a maior consumidora numa perspetiva económica mundial. Sairão reforçados países pobres que produzem produtos baratos, tal como já tinha sucedido nos anos 70 e 80. Neste novo mapa empresarial e económico, a China reforçará a sua posição galopante para liderar a Nova Ordem Económica Mundial, pois dominará o comércio de produtos de todos os tipos globalmente, vendidos a preços competitivos que nenhum outro país conseguirá igualar. O seu recente Pacto Económico com 14 países estratégicos da Região Ásia-Pacífico deixou o UK e os EUA de fora, numa clara afirmação da sua corrida à liderança global.

O movimento “The Great Reset” do WEF parece ser uma transferência ou materialização direta dos ideais já conhecidos do Zeitgeist, ideais que propunham uma mudança social radical com vista à criação de uma sociedade mais científica, lógica e justa para todos. Assim, a reinvenção do capitalismo proposta pelo WEF na sociedade pós Covid-19 incorpora linhas estratégicas como a crise climática, a necessidade de rever a questão da propriedade privada e a sua possível abolição (ideal comunista e socialista). Para os defensores deste movimento, o consumismo desenfreado e descontrolado do século XX cujo modelo ideal era o do Crescimento Infinito, tem de mudar radicalmente, tal como já começou a acontecer globalmente devido à pandemia de 2020. Propõem que a economia passe a incorporar uma consciência mais ambiental, comunitária, solidária, igualitária e transparente. Se pensarmos nas mudanças políticas e sociais que aconteceram nos últimos 100 anos, rapidamente nos apercebemos que as sociedades de direita dos anos 30, 40 e 50 deram aos poucos lugar a sociedades mais abertas nos anos 60 e 70, que garantiram a mudança para sistemas políticos democráticos ou socialistas. Os anos 80 e 90 reforçaram estes novos modelos economicamente, mas em 2000 começou a instalar-se a crise mundial que deu origem à Grande Recessão de 2007/2008. E o ano de 2020 marcou a mudança novamente, desta vez de democracias instituídas, para movimentos mais à esquerda, por todo o mundo. O racismo, o negacionismo, a bipolarização política trouxeram às ruas o ativismo, desta vez a uma escala global. E este processo vai continuar, até a China se assumir definitivamente como o Grande Líder da Nova Ordem Mundial do século XXI.

Esta profunda mudança na gestão política, social e económica a nível global equivale a uma estratégia de guerra. O vírus que a possibilitou foi por isso, considerado por muitos, como uma arma biológica com vários propósitos em simultâneo, mas na realidade resumidos numa palavra ou expressão que vimos em muitas manifestações no decorrer de 2020: “We Are Change“. Curiosamente foram estes mesmos movimentos ativistas e negacionistas que, em plena pandemia, fizeram questão de sair às ruas, muitas vezes sem máscaras, contribuindo fortemente para a disseminação exponencial do vírus em países superpopulosos como os EUA, Brasil, UK, França, Alemanha e Itália. Este facto leva a que alguns analistas sociais considerem esta uma peça-chave no entendimento da “mudança” forçada pelo vírus e pela “necessidade” da sua disseminação.

Todas estas mudanças não são, evidentemente, espontâneas. Correspondem a uma agenda meticulosa, preparada com antecedência e método. A mudança está e vai acontecer, quer queiramos quer não. O século XXI não pode ser uma repetição do modelo já gasto do século XX. A mudança tem mesmo de acontecer. Já está a acontecer. E a mudança é necessária para criar evolução social e tecnológica. Não é por acaso que a pandemia provocou uma explosão da utilização de meios digitais, até pelas camadas etárias mais avançadas, forçadas a comunicar com os seus familiares e amigos por videochamada ou através das redes sociais. Desenganem-se, portanto, os que pensam que esta pandemia vai ser extinta com uma vacina e que vamos voltar à vida como era em 2019. A própria OMS já veio a público avisar que, apesar de a vacina representar um passo importante no combate à propagação do vírus, a Covid-19 se vai tornar numa doença endémica que não poderá ser erradicada. As novas variantes que surgiram no final de dezembro já estão a gerar nova onda severa de medidas em países superpopulosos como o UK, África do Sul e o Japão.

Nos últimos dias vários canais de televisão norte-americanos calcularam em 10 anos o tempo que poderá demorar a vacinar todos os 328 milhões de cidadãos dos EUA, considerando o ritmo a que está a decorrer o processo de vacinação naquele país. Na equação da vacinação entra ainda um fator determinante no tempo que poderá levar a controlar a pandemia: os negacionistas do vírus e os negacionistas da vacina. Alguns países já começaram a perceber que afinal 2021 não é o ano da debelação da pandemia, mas sim o primeiro ano do início de um longo processo. A Índia, por exemplo, já está a recorrer a duas vacinas criadas nos seus próprios laboratórios, e muito pouco testadas, como forma de tentar controlar o processo de vacinação num tempo que se possa considerar como útil. No entanto, as vozes críticas desta decisão da Índia não se fizeram esperar, já que praticamente não existem informações disponíveis sobre as duas vacinas de produção nacional o que coloca enormes problemas de ética, mesmo num cenário de crise pandémica. Outro problema ético de relevo, é que as vacinas não podem ser impostas, de acordo com o Tribunal Internacional dos Direitos do Homem de Haya.

Mas no meio deste processo de mudança que muitos dizem ser de esquerda, o que estamos a observar, pelo menos nesta fase inicial, é que o vírus acelerou o enriquecimento dos mais ricos e o empobrecimento dos mais pobres, naquele que parece ser um claro avanço de políticas de extrema-direita. Só no UK, 1% dos mais ricos detêm 25% do capital nacional. Além disso as farmacêuticas estão na mão de figuras da extrema-direita como Bill Gates, que pretende vacinar o mundo inteiro e com isso, lucrar biliões em poucos anos, num enriquecimento exponencial sem paralelo na história económica dos séculos XX e XXI. De esquerda apenas existem sinais nas medidas aplicadas à população em geral, que lembram regimes fechados como o histórico soviético: lockdowns totais e parciais, recolher obrigatório, check-points militares e policiais, coimas, prisões, obrigatoriedade de confinamento, obrigatoriedade de informar sobre o estado de saúde, zonas restringidas, proibição de viajar para fora das fronteiras, obrigatoriedade de autorizações para poder circular, desmantelamento da anterior sociedade (empresas, comércio, serviços), implementação de uma política generalizada de denúncia, de medo, de incerteza e de relativismo, degradação da qualidade dos serviços, desemprego, perda de propriedade privada e poder de compra, empobrecimento e restrição das liberdades, de uma forma geral. O que torna claro que não se trata de política mas de mera economia é que as Nações Unidas estão alinhadas com a OMS, a qual está, ao que parece, nas suas mãos, e que foi utilizada globalmente para promover as vacinas destes laboratórios pertencentes à oligarquia das elites.

Perante todos os dados que já se conhecem sobre 2020 e de tudo o que vivemos durante quase um ano, fica claro que a tal “mudança” foi conseguida também à custa da maior taxa de mortalidade em 100 anos, como a vivida em Portugal. Não provocada pelo novo coronavírus, cujo contributo para estas estatísticas é de apenas metade do excesso relativo a anos anteriores, mas muito largamente por ter sido negado tratamento a doenças graves como cancro, diabetes, hipertensão, e outras doenças crónicas graves. Os hospitais foram esvaziados para estarem preparados a receber os hipotéticos doentes Covid-19, enquanto os doentes graves reais, sobretudo idosos, morriam em suas casas, por falta de assistência médica adequada e acompanhada. 123.000 Óbitos num país com aproximadamente 10 milhões de pessoas é um número elevadíssimo. Uma verdadeira razia na população mais idosa ou doente. Uma alteração social com consequências familiares, estruturantes e que, dizem alguns, fez poupar ao Estado muitos milhões em cuidados médicos e até em pensões de idosos sem descendentes.

Uma coisa é certa: esta pandemia e os seus efeitos vão-nos acompanhar em toda esta década, até 2030, ano que alguns sociólogos e analistas políticos já referem com o primeiro grande momento de viragem da sociedade do século XXI, do qual o ano de 2020 não foi senão um ténue sinal.

Texto de Pedro M. Duarte

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