Desumanidade no SNS

Há umas semanas tive um episódio de uma infecção urinária. Pelas 0200 e perante uma febre de 39 que insistia em não descer telefonei para o SNS24 recebendo a indicação para não tomar um antipirético e para no dia seguinte deslocar-me ao Centro de Saúde da Alameda (Lisboa). Passei toda a noite com febre alta (seguindo a instrução de não tomar nada) e no dia seguinte 11 de Julho pelas 0800 estava à porta do centro de saúde da Alameda.

Esperei cerca de 40 minutos até falar com o segurança explicando-lhe que estava com 40 graus de febre e que me era difícil manter-me de pé. Retirou-se para o interior sem dizer nada. Encostei-me à parede recebendo vitupérios de uma mulher de uns 50 anos e cabelo Louro à Florbela Espanca que não trazia qualquer identificação.

1. Existe uma certa desumanidade nesta forma de tratamento a alguém que não se consegue manter em pé e que é forçado a esperar uma quantidade desconhecida de tempo na rua numa fila que não respeita a distância de segurança.

2. Este encaminhamento para o centro de Saúde da Alameda foi um erro do SNS24: o tratamento passa por análises ao sangue e urina seguindo-se antibióticos por intravenosa. O centro de saúde não tinha estas condições e iria remeter-me para o Hospital São José. Seria assim uma perda de tempo seguida do mau tratamento, falta de humanidade e prepotência da referida médica/funcionária (?) e do segurança.

3. O centro de saúde tem uma muito má reputação local devido à agressividade e incivilidade (“complexo do pequeno poder”) do Segurança que habitualmente está aqui de serviço. Porque não faz, na fila no exterior, medição de temperatura a quem aguarda o acesso ao interior do Centro? Porque estava este segurança com todo o aparato de segurança COVID mas, depois, no exterior, não cuidava pela manutenção da distância de segurança entre utentes na fila de espera?

4. Se este segurança ordenava a fila apenas por ordem de chegada – tendo em conta as consultas marcadas – então não deveriam os doentes encaminhados pelo SNS24 para situações de emergência terem precedência sobre estes carros de consultas previamente marcadas?

5. Nesta rua, onde está o Centro de Saúde: não há um banco: competência da Junta de Freguesia de Arroios. Espera-se que doentes com febre aguardem em pé a sua vez e que nem sequer se apoiem na parede (aparece logo pessoal do Centro a protestar)

Inadmissível.

Rui Martins

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