Guerras da Calçada em Lisboa

Um exemplo de uma rua pavimentada com calçada Portuguesa em Lisboa

Por alguma razão obscura as questões da mobilidade em Lisboa tendem a exaltar os ânimos e alimentar as derivas fanáticas dos mais radicais. Isto é particularmente visível nas Jihads entre Ciclistas e Automobilistas onde o confronto se confunde, frequentemente, com uma luta entre a Extrema Esquerda e a Extrema Direita (como se a Mobilidade Leve e o Automóvel fossem Ideologias). Mas a intensidade dos conflitos em torno da calçada portuguesa não é menor. Aqui, existem também crentes quase fanáticos da virtudes para-religiosas da calçada portuguesa e que a confundem com a identidade nacional ou que confundem a calçada portuguesa (mal mantida e esburacada) com Calçada Artística e se opõem a todas as intervenções que reparação do piso que não levem a uma substituição integral do piso intervencionado por calçada portuguesa.

O problema é que governar uma cidade é um exercício – quase sempre – de contrários e que a calçada portuguesa fica em torno de 100 euros por metro quadrado (podendo chegar aos 200: dependendo das condições) e porque isto explica porque há tantos danos na calçada por reparar durante tantos meses em Lisboa. Isto significa que escolher calçada portuguesa pode ficar no dobro do custo por metro quadrado do que o pavimento acessível que se encontra em Lisboa, por exemplo, na Praça de Londres. Sabendo isto, sabendo que a calçada portuguesa é mais difícil de manter, que exige mais mão-de-obra, mais horas de trabalho, maiores custos financeiros na sua construção e reconstrução e que, sobretudo, está por regra em piores condições que o pavimento acessível que começa a existir em algumas zonas da cidade (Praça de Londres, Rua Abade Faria, Avenida da República, etc) será que não chegou o momento de replicar este modelo ao resto da cidade e criar um sistema híbrido de três vertentes:

1. Pavimento acessível em zona central, com galerias técnicas, rodeada de calçada portuguesa junto aos prédios e às vias de trânsito (para permeabilizar os solos e facilitar o acesso ao subsolo)

2. Calçada Artística: manter a que já existe e criar nova, em todas as freguesias (p.ex. praticamente não existe em Areeiro) e de grande qualidade

3. Avaliar o regresso à CML da competência da manutenção da calçada devido aos benefícios de centralização, escala, optimização de recursos e da escola de calceteiros e reforçar a manutenção da calçada resolvendo além dos tradicionais descalcetamentos também as crónicas depressões e elevações provocadas por desníveis no solo ou alteamento do piso por efeito de raízes de árvores.

Rui Martins

Partilhar Artigo

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn
Share on google
Google+
Artigos recentes
Inscreva-se no blog por e-mail

Digite seu endereço de e-mail para se inscrever neste blog e receber notificações de novos posts por e-mail.

Join 326 other subscribers

Número de visualizações
  • 1.099.315 hits

Deixe o Seu Comentário!