As últimas eleições autárquicas. Detalhe de um campeonato (2)

Sumário

1  – Eleições e rendimentos

2  – Distribuição distrital dos partidos vencedores

No primeiro texto, recentemente divulgado, relativo às últimas eleições autárquicas, evidenciou-se o marasmo político de há várias décadas. Isso, com a contínua e esmagadora presença do partido-estado PS/PSD no domínio das autarquias; com o CDS atrelado ao PSD para demonstrar que existe; o PCP a procurar resistir à passagem do tempo; e, o BE cada vez mais circunscrito ao cenário de S. Bento. Aqui, encontram-se sempre jornaleiros prontos a encaminhar fait-divers para preencher a vacuidade da imprensa, numa acerba rivalidade semelhante às que se observam no futebol. O costume… nada de novo a oeste de Badajoz…

1  – Eleições e rendimentos

Podem explorar-se os dados das recentes eleições autárquicas sob variados critérios incluindo, nessa exploração, elementos definidores do Rendimento bruto declarado médio por agregado fiscal obtidos em publicações do INE, por concelho e, para os anos mais próximos das duas últimas romarias autárquicas – 2018, quanto às eleições recentes e, 2016 no que se refere às eleições autárquicas de 2017.

Assim, escolhemos em cada distrito, o concelho onde o referido rendimento bruto é mais elevado e, aquele outro, onde o mesmo é mais baixo, dentro da sua área geográfica distrital. Esses elementos concelhios, com os valores extremos – o mais elevado e o mais baixo – no âmbito de cada distrito, permitem se apurem parâmetros que representem as desigualdades económicas. Procedemos ainda à indicação do número de inscritos, em 2017 e 2021 para os concelhos que, em cada distrito, apresentam o maior e o menor rendimento, respetivamente, bem como um índice das desigualdades no seio de cada distrito; e, ainda, o volume de eleitores inscritos e dos partidos ganhadores.

Na realidade, as diferenças são bastantes, podem ser resumidas a seguir e, com maior detalhe, no quadro mais abaixo;

  • Em regra, o concelho com o rendimento mais elevado é o da capital do distrito mas há excepções – Açores, Vila do Porto; Beja, Castro Verde; Leiria, Leiria/Marinha Grande; Lisboa, Oeiras; Santarém, Entroncamento; Setúbal, Alcochete.
  • A distância entre os rendimentos nos concelhos de maior e menor rendimento, no âmbito de cada distrito aumenta, entre 2016 e 2018, apenas nos Açores, em Beja e em Braga, significando isso um aumento do fosso entre os concelhos constituintes.
  • Em 2016, os distritos onde é maior a desigualdade entre o concelho com maior rendimento médio e o de menor indicador são; Porto (diferença entre Porto e Baião), Lisboa (diferença entre Oeiras e Cadaval); Coimbra (diferença entre Coimbra e Tábua). Em 2018 a situação não se altera muito em termos quantitativos, sobressaindo com as distinções mais alargadas, Porto e Lisboa com as mesmas diferenciações regionais e, Beja (diferença entre Castro Verde e Odemira).
  • Quanto às menores desigualdades em 2016, como em 2018, sobressaem Viseu (diferença entre Viseu e Cinfães); Viana do Castelo (diferença entre V. do Castelo e Ponte da Barca) e Portalegre (diferença entre Portalegre e Ponte de Sor).
  • A repartição partidária dos concelhos colocados como os mais ricos nos respetivos distritos, bem como dos mais pobres, para 2021 e 2017, revela a seguinte situação;

* Rendimento bruto declarado anual médio por agregado fiscal 

** Relação entre os valores mais elevados e mais baixos, no distrito

  • Sinteticamente, os concelhos mais ricos / mais pobres em cada um dos vários distritos, em 2017 e 2021, apresentam aos predomínios partidários seguintes:
* 6 dos quais com o atrelado CDS
** 3 dos quais com o atrelado CDS

Quanto aos concelhos mais ricos há um predomínio claro do PS/PSD, as duas alas do partido-estado que monopoliza o aparelho do Estado, nacional como autárquico. Porém, entre os concelhos mais pobres em cada distrito, o PS é claramente dominante. Por parte das pessoas desses concelhos mais pobres será que consideram o PS como um benfeitor, um protetor ou ainda, um mal menor, comparativamente, sobretudo face ao PSD? Quanto aos outros partidos, a sua relevância global é muito baixa.

2  – Distribuição distrital dos partidos vencedores

Em seguida, distribuímos os deputados eleitos em cada distrito eleitoral, por partido ou grupo, para 2021 e 2017, colocando a negro/itálico os partidos com mais câmaras sob seu controlo. Assim,

  • O PS surge como o maior detentor de câmaras, nos dois anos de eleições mas, com uma quebra de 11 entidades nas ocorridas no corrente ano;
  • O PSD, isoladamente também perde câmaras (7) em 2021 mas, em contrapartida, aumentou substancialmente o seu número, de 19 para 41, mercê das muitas coligações que fez com o evanescente CDS ou com a habitual inclusão de outros grupos como o PPM ou o MPT, entre outros;
  • O PCP perdeu cerca de 1/5 das câmaras que detinha em 2017 o que se insere num quadro global de declínio que vem de longe;
  • O CDS, mesmo num quadro de crescente evanescência em geral, manteve as autarquias detidas em 2017; provavelmente, tendo na base elementos de ordem local, com carisma ou trabalho feito e não pela ação dos seus toscos quadros nacionais;
  • Quanto aos grupos de iniciativa local, o seu número cresceu ligeiramente, com maior presença nos distritos de Leiria, Aveiro e Guarda.

Segue-se a quantificação do exposto na última parte deste texto

Este e outros documentos em:

http://grazia-tanta.blogspot.com/

http://www.slideshare.net/durgarrai/documents

https://pt.scribd.com/uploads

Partilhar Artigo

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn
Share on google
Google+
Artigos recentes
Inscreva-se no blog por e-mail

Digite seu endereço de e-mail para se inscrever neste blog e receber notificações de novos posts por e-mail.

Join 326 other subscribers

Número de visualizações
  • 1.122.673 hits

Deixe o Seu Comentário!