Good Bye Lenin, Good Bye Putin !

Texto de Opinião

É assustador, para um humanista (como gosto de considerar que sou), ver alguma esquerda pró-Putin defender com todo o tipo de argumentação político-filosófica a invasão da Ucrânia. Fico literalmente congelado com certos comentários que se veem nas redes sociais ou até em artigos de jornais por parte de alguns jornalistas nos seus artigos de opinião. Como se fosse a coisa mais normal do mundo ter de assistir à invasão em direto de um país claramente soberano em solo europeu, num esquema de guerra exatamente ao estilo hitleriano, do tipo Blitzkrieg (guerra-relâmpago). Os cartazes PUTLER que têm sido empunhados em centenas de cidades por todo o mundo são a maior evidência de que algo está errado. Não aprendemos a lição mesmo depois do Führer ter posto fim à sua vida e dessa forma, ao genocídio levado a cabo pelos nazis e seus aliados, durante a II Guerra Mundial.

A invasão militar terrestre que teve início às 3h30m da passada quinta-feira dia 24 de fevereiro de 2022, ficará para a história como mais uma data infame. O Presidente Vladimir Putin mentindo ao seu país, ao seu povo, a todos os líderes e instituições mundiais e cidadãos de todo o mundo, acabou por fazer aquilo que, até ao último momento jurou que não faria, acabando por dar razão aos alertas dados inicialmente pelo Pentágono, depois pela NATO e finalmente por muitos líderes de países europeus. Colocou em marcha uma vasta operação militar pensada ao longo de anos, mas sobretudo planeada nos últimos meses ao mais ínfimo detalhe. Sob o falso pretexto de estar a realizar exercícios militares terrestres, marítimos e aéreos junto às fronteiras da Ucrânia decidiu passar à invasão de um país soberano livre, em franca expansão económica e que vivia em liberdade social, ao contrário do atual regime não-democrático russo, que se encontra totalmente centralizado na figura do Presidente Putin, o qual mantém a sua oligarquia do Kremlin sob rédea curta, ao estilo da antiga União Soviética.

Depois de todos os esforços diplomáticos e avisos perpetrados por inúmeras figuras diplomáticas de relevo a nível mundial, designadamente os Presidentes dos países e economias mais poderosas do mundo, o Presidente russo assume-se com aquilo que sempre tentou disfarçar debaixo de uma falsa atitude diplomática: a de que se trata de um ditador com suporte oligárquico que pretende pela força, reconstruir a glória da antiga União Soviética, à custa da invasão de repúblicas e países do antigo Bloco de Leste que, depois da queda do muro de Berlim, se foram tornando autónomos e livres. Este ato de guerra a um país claramente soberano europeu, por parte do Presidente russo, ganha assim, contornos de Crime de Guerra e de Crime Contra a Humanidade, tendo de ser o seu perpetrador alvo de julgamento no Tribunal Penal Internacional. Putin Presidente passou a Putin Ditador de um dia para o outro, e os seus exercícios militares a crimes de guerra. Todos os que acreditam nas sociedades livres têm de compreender que o que se vai passar nos próximos dias e semanas no teatro de guerra da Ucrânia pode colocar as nossas vidas, de europeus, em sério risco. Mas que em nome da liberdade e dos valores humanos, a democracia tem de prevalecer sobre a tirania gratuita de um único homem descontrolado, com excessivo poder militar nas suas mãos.

O risco de uma guerra nuclear está a ser considerado não só por Vladimir Putin, mas pelo Presidente da Bielorrússia, que se encontra totalmente ao seu mando. Putin ameaçou em direto através das televisões mundiais que não teria quaisquer problemas em lançar os seus mísseis balísticos carregados de ogivas nucleares contra a Ucrânia ou contra qualquer país que provoque baixas consideráveis nas suas tropas ou que tente entrar na Ucrânia com exércitos para por fim à invasão russa e salvaguardar os direitos de soberania daquele país. O risco é real. A ameaça também. Mas justamente por isto, o mundo não pode deixar-se intimidar por um único homem, um ditador, que está a colocar em prática o sonho de Hitler: fazer com que o mundo ajoelhe a seus pés, assumindo-se como o Senhor Todo-poderoso. Uma vez mais a história nos confronta com um indivíduo que, por orgulho à sua conceção do mundo, não se importaria de criar um holocausto nuclear. É preciso não esquecer que Hitler só não destruiu os Estados Unidos com ataques nucleares, porque apenas em seis meses teria a solução industrial e química apurada que permitiria que os seus foguetões V2 entregassem a destruição massiva em solo americano. Mas Putin, parece ter encontrado a solução, estreando desta forma, não na Netflix mas na vida real, a sequela das SS. Prevê-se que existam pelo menos seis mil ogivas nucleares, prontas a ser lançadas. E o Presidente russo fez questão de dizer publicamente que qualquer país do mundo está ao alcance do seu armamento, caso colabore com a Ucrânia para a tornar vencedora deste conflito.

Pessoalmente, creio que esta guerra vai continuar a escalar até Putin cometer um ato de agressão incontornável que despolete um novo estilo de guerra altamente destrutiva, com toda a tecnologia que este novo século e milénio permitem. Tudo está pensado para isso acontecer. Os mortos que a pandemia não fez, podem chegar aos milhões com uma guerra no seio da Europa. Aliás, já se dizia que viria a guerra após a pandemia, a qual mais não seria mais do que um exercício de Estados de Emergência, que, aos poucos, normalizaram a sociedade mundial para o que estaria para vir, a tal Guerra Global. Até a batizaram muito convenientemente com o nome “The Great Reset”. Mas não nos podemos esquecer que os thinktankers e masterminds por detrás deste movimento pretendem entregar a liderança mundial à China. Por essa mesma razão a China foi dos países que mais lucrou durante a pandemia e que vai lucrar com esta guerra. Estas duas crises globais só vieram acelerar a sua corrida para a pole position da liderança económica e dos mercados mundiais. Putin apenas terá o apoio logístico de Xi Jinping, que vai assistir, dos bastidores, ao afundamento económico e militar da Rússia. Será menos uma pedra no seu caminho.

Putin caiu numa armadilha de xadrez político a pensar que estaria a fazer rejuvenescer a sua velha União Soviética e a criar um novo muro de Berlim utilizando como material de construção, cidades destruídas como Kiev. Mas na realidade, a Ucrânia será o palco de guerra que vai levar ao seu afastamento da liderança da Rússia. Oligarcas e povo vão-lhe tirar o tapete. Poderá até ser assassinado por pessoas próximas. Mas até lá, o Rublo afundar-se-á até à sua quase extinção. Vai esgotar muito do seu armamento e a Rússia ficará com a sua imagem política altamente debilitada a nível mundial. Demorará décadas a recuperar. E Xi Jinping, do seu camarote imperial, esfregará as mãos de contente. O seu maior aliado, que é também o seu maior perigo interno, deixará de ter poder para influenciar as suas decisões. A China imperialista deixará de ter a seu lado outro imperialista. And just like that, sem gastar dinheiro nesta estúpida guerra, encontrar-se-á disponível para reconstruir toda a economia russa. E a Rússia terá de se submeter para permanecer no xadrez económico mundial.

Afinal quem é melhor jogador de xadrez? Putin ou Jinping?

Good bye Putin !

 

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