Os que não responderam

Recentemente coordenei uma missão humanitária à Polónia. A missão envolvia a recolha de financiamento para a aquisição de material médico para a Ucrânia e, secundariamente, a prestação de serviços de apoio em regime de voluntariado na Polónia. Neste contexto pedi contributos através de uma conhecida organização de crowdfunding tendo a campanha tido um desempenho muito mau no que concerne à capacidade para recolher o valor almejado e aos custos operacionais cobrados por esta organização. A recolha de donativos entre amigos e colegas de trabalho correu bastante melhor conseguindo-se aqui o essencial dos quase 800 euros assim reunidos e que foram essenciais – assim como o crucial apoio da TAP no transporte do material médico – para o bom sucesso da missão.

Mas neste contexto houve várias desilusões: todas as grandes redes retalhistas que foram contactadas: Pingo Doce, Continente e Lidl: Nenhuma respondeu. Nem de forma automática. Várias Juntas de Freguesia também foram contactadas: zero respostas. Das farmácias: outra desilusão: nem sequer para um pedido de cotações houve respostas a não ser após várias insistências e – mesmo assim – de uma única farmácia entre todas aquelas que estão na minha área de residência e das quais sou cliente habitual. A Associação de Ucranianos em Portugal que vai ser apoiada pela CML em 320 mil euros, até 2023, também não respondeu (e pedi apenas a lista de organizações ucranianas que poderiam receber este apoio). O MNE, a embaixada de Portugal na Ucrânia também se destacaram pela falta de resposta (neste sentido: procurava-se apenas dar a conhecer a existência da missão).

O projecto cumpriu ainda assim os dois objectivos principais: fazer voluntariado no centro de refugiados em Varsóvia e enviar perto de 800 euros em material médico para a Ucrânia devido aos trabalhadores de algumas empresas da área de Lisboa, do apoio da PASC.pt e da TAP (que muito agradecemos). Não devido às outras organizações acima listadas em que destaco sobretudo (pela facilidade com que o poderiam ter feito) a Jerónimo Martins / Pingo e a Modelo / Continente. Mal. Muito mal senhores grandes retalhistas.

Rui Martins

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2 respostas

  1. Missão de apoio à Ucrânia?
    Mas quem é que vai em cantigas do ceguinho julgam que somos todos estúpidos?
    Peçam para o Iraque, Afagnistao,Líbia Somália etc

  2. Olá Rui Martins,
    Há quem chame à experiência que aqui descreves cansaço da solidariedade. A mim parece-me que o entusiasmo da tua análise da situação (apresentada em artigo anterior) se confronta com os limites da tua experiência. Perante a intoxicação mediática (estou a pensar naquela de que somos vítimas no ocidente, incluindo o instilar de ódio aos inimigos) as pessoas reagem como quando sabem que o Bibi é uma abusador sexual ou que os assassinos e torturadores de crianças são ciganos. Dá-lhes com força, mas passa-lhes depressa. Isso passa-se com os pânicos morais. Isso fica demonstrado pelo modo de funcionar da imprensa tabloide ou das redes sociais. Essa solidariedade de protagonismo mediático é plástica, é falsa, como o comprovaste. A luta pela democracia que se baseia em tal solidariedade é frágil, se não for enganosa.
    Um abraço de respeito pelo voluntarismo e pelo activismo.

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