Jesus NÃO morreu pelos nossos pecados, mas SIM, ele salvou a Humanidade

A culpa pela perseguição de Jesus é exclusivamente do Império Romano

O conceito do pecado original, a crença que defende que Jesus é o único filho de Deus, enviado à terra para morrer pelos nossos pecados, é uma ideia que foi oficialmente adoptada pelo Império Romano durante o concelho de Niceia (ano 325). Ora entre 325 e a perseguição política de Jesus, precisamente às mãos do Império Romano, os Cristãos, seguidores de Jesus que viram no seu sofrimento e na história da sua vida um espelho do seu próprio sofrimento às mãos da brutalidade e injustiça Romana, começaram a ser uma força política cada vez mais subversiva e incómoda. Incapazes de lidar com este novo inimigo, o Império Romano através do seu então Imperador, Constantin, decidiram não somente, depois de séculos a perseguir, torturar, e matar Cristãos, que iam aceitar o Cristianismo, mas que percebiam melhor do que os próprios Cristãos qual era a doutrina de Jesus, e que qualquer divergência da sua interpretação particular era blasfémia e um crime contra o Império!

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‘A Captura de Jesus’ pelos soldados Romanos (Caravaggio, 1602)

Foi esta doutrina, que propõe que Jesus morreu pelos nossos pecados, ou seja, que os verdadeiros culpados pela sua morte somos todos nós, que o Império Romano fabricou para substituir a única e verdadeira conclusão que podemos retirar dos últimos dias que conhecemos da vida de Jesus- foi perseguido de forma injusta e ignóbil pelo Império mais poderoso da sua época por espalhar as ideias “perigosas” da bondade, da humildade, e da compaixão. Jesus não morreu pelos nossos pecados, ele morreu a combater um sistema que glorifica o pecado e que obriga todos a comportarem-se de forma bárbara e impiedosa.

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Cristãos, nomeadamente a famosa Dirce, a serem massacrados nas Arenas Romanas (‘Christian Dirce’ de Henryk Siermiradzki, de 1897)

O Império Romano continuou com as suas políticas de perseguição a todos os que não aceitassem esta nova versão “Romanizada” dos eventos que levaram à detenção de Jesus. E assim continuaram durante séculos a perseguir todo o tipo de Cristãos que não aceitavam esta nova versão adulterada da vida de Jesus, explicação essa demasiado complexa, repleta de misticismo e explicações teológicas que somente o clero podia realmente compreender. Claro, para que isto funcionasse, tinham que fazer com que os textos sagrados fossem inacessíveis à maioria da população, fazendo os possíveis para os manter em Latim, a língua das elites Romanas que a maioria dos sujeitos não compreendia. Só durante a Reforma Protestante é que corajosos reformadores (como William Tyndale) conseguiram ir traduzindo os textos para línguas “vivas” para que a Bíblia pudesse finalmente ser lida e interpretada pela gente comum. A Igreja Católica, que é de todas as formas possíveis e imaginárias o descendente do Império Romano, continuou a perseguir os Protestantes assim como continuou a deixar um rasto de destruição no seu caminho, esmagando todos o que não aderissem à sua complicadíssima narrativa.

Lembramos outros como os Huguenotes da França, ou até a Liga dos Justos Alemã (grupo de Cristãos utópicos depois infiltrado e transformado por Marx e Engels na “Liga Comunista”) como outras comunidades que, cada um à sua maneira, e fora do controle direto da Igreja Católica e muitas vezes como seu adversário direto, tentaram reinterpretar o sonho de Jesus de construir o Reino de Deus na Terra, onde a irmandade, a entreajuda, a bondade e a honestidade, dariam lugar a um novo mundo justo e belo em que o culto do poder, a cultura do “salve-se quem puder”, da violência brutal, a hierarquia militar e dos Impérios não passariam de uma memória longínqua. Foi este mesmo sonho da destruição de todos os Impérios, simbolizados pela Estátua de Daniel, com que sonhou Nebuchanezzar, inspiração por detrás do conceito do Quinto Império.

Mas sim, Jesus realmente salvou a humanidade. Não de uma forma mística e incompreensível- de uma foram tangível e óbvia. É fácil de demonstrar.

A maioria das pessoas não imagina um mundo em que ajudar os pobres, ser honesto, caridoso, ter compaixão, não sejam ideais evidentes, tão evidentes que a defende-los se torna desnecessário. Isso só atesta ao incrível legado que Jesus nos deixou. Não conseguimos imaginar um mundo em que estes valores não sejam óbvios. Mas ao estudar a brutalidade do Império Romano, e como era a vida para a maioria das pessoas na antiguidade, torna-se claro que esses conceitos não somente nem sempre estiveram presentes, como muitas vezes os “valores” de certas sociedades eram o seu oposto completo. Esquecem-se que um dos maiores heróis da história para a plebe Romana foi Júlio César, que matou um milhão de Gauleses e escravizou um outro milhão numa guerra de agressão ilegítima, motivado somente pela ambição pessoal e o desejo de riqueza e fama. Muitos falam também da Grécia Antiga como um exemplo pré-Cristão de valores considerados virtuosos e nobres. Não se lembram do facto de ter sido uma sociedade na qual havia uma normalização absoluta da pedofilia, ignoram a misoginia absoluta que regia essa sociedade, do facto da maioria das pessoas serem escravos sem direitos, ou até do militarismo fanático vigente até em cidades supostamente mais progressivas como Atenas. Se formos ver outras cidades como Esparta, então vemos que o infanticídio (de bebés fracos ou doentes) era uma prática corrente. A maioria das pessoas, por falta de noção histórica, não se apercebe do quão revolucionárias eram as doutrinas de Jesus e o quão central se tornaram na construção do mundo que hoje conhecemos. Temos que notar também o quão facilmente ideias completamente contrárias às doutrinas de Jesus, como o culto do individualismo de Ayn Rand, a glorificação do egoísmo do Neo-Liberalismo, ou até a sacralização da brutalidade animalesca de algumas alas das escolas do Darwinismo Social, facilmente e até hoje continuam a capturar os espíritos de sociedades inteiras, muitas vezes com resultados desastrosos.

Jesus não morreu pelos nossos pecados. A verdade é que a vida de Jesus levou à formação de um grupo de dissidentes políticos e espirituais que viram na sua vida um exemplo a seguir, que viram no sofrimento de Jesus o seu próprio sofrimento. Estes Cristãos primordiais perceberam que somente através da negação do próprio, do sacrifício e da perseverança é que podiam combater o Império Romano. E o Império Romano nunca tinha sido confrontado por inimigo assim, tão corajoso, tão feroz, tão convicto.

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Perpétua a acabar com a sua própria vida (autoria desconhecida)

O melhor exemplo da nobreza Cristã foi o de Perpétua, uma Cristã que foi posta numa arena para ser comida pelos leões. Mas os leões não a atacaram. A multidão, espantada, começou a suspeitar que isto era um sinal divino, que talvez os Cristãos tinham afinal de contas uma força Divina que os apoiava. Foi aí que foi enviado um soldado para matar a Perpétua, visto que os leões não o fizeram. Mas também o soldado, impressionado com a situação e com a postura irreverente de Perpétua, não teve a coragem para matar Perpétua. Foi aí que ela tirou a espada do soldado e acabou com a sua própria vida. Perpétua marcou um final de uma era, e o começo da era Cristã. Os Cristãos tinham-se agora, perante uma arena cheia, perante Roma, perante o mundo, destacado dos demais grupos e grupelhos religiosos que havia naquela altura em Roma, como o principal grupo rebelde, a principal alternativa à barbaridade Romana.

Jesus, na sua ausência, e Perpétua, na sua morte, tinham posto o poderoso Império Romano de joelhos. As legiões de nada serviam. As catapultas não atingiam. As suas espadas tornaram-se o instrumento da sua própria humilhação. A arena Romana, o símbolo máximo da degeneração daquela sociedade, tornou-se o palco da sua derrota mas foi também onde se plantaram as sementes da sua eventual salvação.

Derrotados por um pobre filho de carpinteiro, espantados por uma nobre guerreira. Tiveram que inventar uma série de ideias mirabolantes para tentar reescrever a história.

Mas ainda há quem esteja atento.

3 comments

    • Bom, ligeiramente hiperbólico, mas o que tentei dizer é que sem a influência da doutrina de Jesus, o mundo seria claramente muito pior. E é claro que ainda temos muito trabalho pela frente, mas pelo menos temos ideias claras com que o fazer, e temos que dar o mérito merecido a Jesus por ter estabelecidos eixos ideológicos justos com que podemos trabalhar.

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