Diogo Faro, Ascenção e Queda de um Influencer

Cansado do seu emprego estável, lançou-se um dia na carreira autodidata de vlogger-comediante com o programa online “Sensivelmente Idiota Talkshow ao Vivo”, uma sucessão de crónicas cómico-satíricas sobre tudo e mais alguma coisa. Formado em Publicidade & Marketing, Diogo Faro estudou e trabalhou fora de Portugal como criativo. Escreveu até ao momento três livros, críticas socio-culturais e políticas essencialmente, que publicita nas redes sociais e que lhe reforçam o seu rendimento económico enquanto influencer no Facebook, Instagram e Youtube. Para além destas múltiplas facetas, é também músico, gosta de viajar, de viver a vida e de partilhar momentos de alegria com os seus amigos. Diz piadas que pretendem ser metacontemporâneas, de última geração, para as novas e médias camadas etárias e reinventa-se a cada momento. É por isso o típico self-made man da era digital, um crítico da sociedade portuguesa, pela positiva e pela negativa. É provocativo, como se pede a alguém que quer manter o número de mais de 162.000 seguidores que tem no Facebook (página “Sensivelmente Idiota“) e mais de 128.000 no Instagram.

Mas essa sua energia fulgurante tem tido alguns reveses, precisamente devido a algumas ideias mais provocativas que diz para manter viva a chama dos seus seguidores. A 4 de julho de 2016, por exemplo, foi interpelado na FNAC do Colombo em Lisboa, quando lançava o seu livro “Somos Todos Idiotas” por leitores ofendidos com os comentários sarcásticos e irónicos, numa das suas crónicas, relativamente a crianças com trissomia 21. Já tinha sido insultado nas redes sociais e chegou mesmo a sofrer ameaças de morte. A brincadeira valera-lhe um bloqueio de 30 dias da sua página pessoal do Facebook, tendo chegado a publicar um post relativamente ao caso, quatro dias antes da apresentação no Colombo, num discurso misto entre ofendido e de pedido de desculpas. Este caso, mais do que lhe servir de publicidade e marketing, abalou de alguma forma a sua forma de estar. Esse é o revés das redes sociais. Hoje és adorado, amanhã odiado pelo mais “pequeno” erro que seja, já que os olhos da opinião pública seguem diariamente tudo o que dizes, escreves ou fazes.

Procurando mediatizar-se cada vez mais, Diogo Faro encetou uma guerra mediática contra todos os que são contra a igualdade de género e que defendem o machismo, homofobia e racismo, em tom de “ativista digital”. Sendo temas “da moda”, têm-lhe valido expandir o seu grupo de fãs. Sempre em tom de crítica social, a sua ironia foi-se colando cada vez mais a uma esquerda reacionária, “beta” e vanguardista. Esse é, maioritariamente, o seu público-alvo. No ano passado, a pandemia interrompeu o seu espetáculo de stand up “Um Lugar Estranho”, que o fez viajar por diversos palcos do país. Na sua entrevista à revista Máxima, de 28 de julho de 2020, autointitulou-se de pugilista digital, um cognome alusivo à sua bandeira combativa nas redes sociais. Atualmente Diogo Faro é “mais um famoso da internet” o que lhe permite dizer quase tudo o que pensa, sem filtros, entre um tom ingenuamente desbocado e uma crítica mais sarcasticamente acutilante. Com o tema das presidenciais à porta, elegeu André Ventura como o seu inimigo público número um, e na sexta-feira anterior ao domingo de eleições lançou um vídeo extremamente bem editado intitulado Todas as Mentiras do Ventura, com o qual pretendia arrasar a imagem do político a quem chama de “Facho”. Vídeo que já lhe valeu mais de 167.000 visualizações no Youtube e cujo objetivo seria demover o máximo de indecisos ou potenciais votantes no CHEGA, revelando incongruências várias, idiossincrasias, hipocrisias, contradições e mentiras do candidato a Presidente da República. Nas semanas anteriores tinha criticado não só os jantares de Ventura com os seus militantes e apoiantes, em pleno Estado de Emergência, como outros eventos da população em geral, com aglomerados de pessoas, chamando-os de tudo “e mais umas botas”.

Mas a vingança não se fez esperar. O tão defensor dos cuidados a ter em Estado de Emergência esteve numa Passagem de Ano com vários convidados, onde as regras de distanciamento e de higiene sanitária não se cumpriram, num período em que este tipo de eventos estava proibido por Decreto-Lei. O mundo desabou-lhe em cima. Foi notícia nos jornais e criticado nas redes sociais pela hipocrisia. No dia 1 de Fevereiro publicou um texto online, uma espécie de pedido de desculpas e justificação, que entretanto apagou da página pessoal do Facebook (tais eram as críticas negativas), onde anunciava o seu afastamento temporário da internet. A hipocrisia foi especialmente notada porque, justamente no dia 30 de janeiro tinha escrito na sua crónica do Site da Sapo, em defesa dos que estão a trabalhar incansavelmente na linha da frente dos hospitais: “Quase todos os dias aparecem imagens de festas, algures em Portugal, de 20, 30 ou mais pessoas a cantar e dançar tão embebidos em alegria como egoisticamente alienados da realidade”. Uns minutos depois, começou a circular nas redes sociais a fotografia em que Diogo aparecia com um grupo de cerca de duas dezenas de amigos na Passagem de Ano, sem máscara.

Ontem, dia 2 de fevereiro, foi publicado por Gonçalo Sousa, um militante do CHEGA, um vídeo semelhante ao seu vídeo crítico das mentiras de André Ventura, uma espécie de direito de resposta ou de defesa da honra, uma clara vingança política, servida fria, no momento mais obscuro da fama do influencer. Intitulado, como seria de esperar “Todas as Mentiras do Diogo Faro“, o vídeo expõe a hipocrisia do vlogger, puxando-lhe as orelhas e com uma mensagem de apelo à humildade, pois todos erramos, e temos direito a ter as nossas opiniões, em democracia. O CHEGA, que tem sido acusado de ser um Partido intransigente, vem aqui entregar a cabeça de Diogo Faro, de bandeja, aos seus fãs e à opinião pública em geral. Uma espécie de aviso à navegação. Afinal todos temos telhados de vidro. Todos erramos. Mas certos erros pagam-se caros nas redes sociais. O que hoje é Estado de Graça, amanhã pode ser Estado de Desgraça. Assim vai a fama efémera, crua e dura do mundo virtual da internet. Mas um bom pugilista, mesmo quando digital, aprende a levantar-se do chão quando recupera os sentidos. Por agora Diogo Faro vai refletir no soco inesperado que levou no estômago. Mas os seus 162.000 fãs esperam que venha renovado. Ou não fosse ele formado em Publicidade & Marketing.

Texto de Pedro M. Duarte

One comment

  1. Oh malta, deixem-se de conversas da treta e de mini-casos supostamente incendiários do dioguinho e quejandos. O PM Costinha superou tudo isso com a maior descontração. Atão não é que o caramelo, quando os infectados caem de 12.000 para 1000, vem anunciar que estamos numa situação muito grave? Ao pé disto, as palermices do dioguinho ou até da cavaca empalidecem por completo. Ele é que sabe como é.
    Porque será??????

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s