A Pandemia e os Fanáticos das Linhas Verdes a Subir e das Vermelhas a Descer

Imaginemos um debate entre um fanático capitalista e uma pessoa com maior capacidade de raciocínio, nomeadamente de ter em consideração os vários fatores que são de facto afetados pelas variáveis em questão.

Capitalista Neoliberal Fanático: “Linha verde tem que subir! Só isso interessa! Que seja louvada a linha verde a subir!”

Pessoas racionais: “Mas já pensaste que se calhar existem outras variáveis que tens que ter em conta? Qual é o custo humano que faz com que a linha verde possa subir continuamente? Quais são os danos ambientais provocados pela acumulação de capital desenfreada? Será que queremos mesmo uma sociedade baseada somente no imperativo de ver a tua linha verde a subir? Penso que se considerarmos todas estas variáveis, entre outras, podemos construir uma economia que seja mais funcional e melhor para todos.”

Capitalista Fanático Bolsista: “Seu esquerdalho invejoso! Deves estar é frustrado com a vida! Linha verde tem que subir! Que seja louvada a linha verde a subir!”

Ou então, temos também um outro cenário, nomeadamente, um debate semelhante, mas desta vez entre uma pessoa racional e uma pessoa que aceita fanaticamente que tudo o que a comunicação social e o seu governo lhe diz só pode ser verdade, sobretudo no que toca à pandemia:

Fanáticos Pro-Confinamento: “Linha vermelha tem que descer! Só isso interessa! Que seja louvada a linha vermelha a descer!”

Pessoas racionais: “Sim eu concordo que temos que baixar as mortes por COVID. Mas também temos que considerar outras variáveis, por exemplo, a subida de suicídios, de mortes não-COVID, de cancros não diagnosticados, do impacto que tem sobre os níveis saúde gerais da população, os impactos que vai ter na capacidade de subsistência de milhões de pessoas, a maneira como está a afectar negativamente sobretudo os mais jovens e as crianças, ou talvez devemos ter outras prioridades que não policiar a vida quotidiana das pessoas, como exigir mais financiamento para o SNS assim como a requisição de hospitais privados. Será que queremos ter uma sociedade que aceita restrições arbitrárias às suas liberdades políticas, laborais, individuais e colectivas sem oposição a cada vez que uma crise que aparentemente o justifica, sem pensarmos seriamente nas consequências a médio e longo prazo? Penso que se considerarmos todas estas variáveis, entre outras, podemos desenvolver políticas de combate ao COVID que sejam mais funcionais e melhores para todos, como por exemplo um confinamento mais estruturado, mais metódico, que se foque nos pontos principais como por exemplo, que dê mais atenção a como podemos proteger, tratar e salvar os idosos, que são os mais afectados pelo COVID.”

Fanáticos Pro-Confinamento: “Seu negacionista! És mas é um maluco da teoria da conspiração Linha vermelha tem que descer! Que seja louvada a linha vermelha a descer!”

É difícil para muitas pessoas perceber que quando se lida com a pandemia do Covid-19, temos que ter em conta uma série de variáveis, nomeadamente, temos que ter em conta os efeitos negativos do confinamento de forma a desenvolvermos políticas mais eficazes e com menos efeitos colaterais negativos

A moral desta história é a seguinte: É realmente difícil debater com fanáticos que são incapazes, ou desinteressados, em ter conversas um pouco mais complexas, mas nos tempos que correm, está-se a tornar cada vez mais imperativo. Mas a pandemia e as medidas que estão a ser aplicadas para, alegadamente, a combater, obrigam-nos cada vez mais a ter estas conversas mais complexas.

Um dos exemplos disto mesmo é a recente notícia de que menos 1,4 milhões de pessoas foram tratadas para a tuberculose em 2020 por causa da pandemia, ou seja, as medidas para supostamente combater o Covid-19 fizeram com que outras doenças potencialmente mais letais fossem ignoradas.

Quando para muitas pessoas defender a todo o custo a narrativa dominante, inconsequentemente dos factos, se torna numa obsessão doentia, torna-se também cada vez mais importante a capacidade de termos a coragem de pensar criticamente.

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