QAnon: a Extrema-Direita Radical Travestida de Esquerda Revolucionária

O documentário “Q: into the storm” foi recém-lançado pela HBO e é absolutamente obrigatória a sua visualização.

Lema do Movimento QANon: “onde vai um de nós, vão todos”

Do realizador Cullen Hoback é constituído por seis episódios que revelam aspetos fraturantes por detrás das Teorias da Conspiração QAnon que acabaram por impulsionar e apoiar toda a legislatura e campanha de Donald Trump, criando um exército de fundamentalistas que usaram de todos os estratagemas para tornar o Presidente numa espécie de Deus-Guerreiro invencível. Esta teoria advoga que existe um movimento global, acima dos Illuminati, designado como “A Cabala” (The Cabal), que agrega as personalidades mais poderosas da política e do mundo dos negócios, adoradores do Deus Fenício Ba’al dos sacrifícios de crianças ao fogo, o mesmo Molech satânico que é adorado na maioria das Lojas Maçónicas dos EUA.

Deus Ba’al Fenício, que exigia sacrifício das crianças ao anel sagrado de fogo.

Segundo os defensores desta teoria, as mais altas patentes d’A Cabala pertenceriam quase sem exceção aos Democratas (por associação ao demónio “Demos”), praticam cultos satânicos que envolvem devorar bebés como Cronos, para rejuvenescimento do seu sangue sagrado, praticam pedofilia e mantêm uma rede de tráfego de crianças que acaba em redes de exploração sexual para os membros desta seita. Foi pela primeira vez lançada na plataforma digital 4chan em outubro de 2017 por um anónimo que se identificava por “Q”. Alegando ter informações secretas sobre atores famosos de Hollywood e políticos democratas, este anónimo tornou-se viral nesta plataforma digital não moderada. O sucesso foi tão estrondoso que a plataforma 4chan quase implodiu literalmente graças a este movimento místico pseudo-religioso. Atualmente funciona como uma espécie de Dark Web, com todo o tipo de conteúdos proibidos, satânicos e de ódio, proibidos nas plataformas digitais oficiais conhecidas como Big Tech.

Estátua de 2,5 metros do Bode Demoníaco, jardim do Capitólio do Arkansas, 2018

O que na realidade se trata é de perceber como os criadores e seguidores desta verdadeira seita, transformaram uma Teoria da Conspiração numa religião de ódio, e para isso utilizaram o simbolismo da cobra, que desde a Antiguidade era reservada para cultos mais agressivos e radicais (enrolada sobre si mesma a cobra alquímica, significa “União”, uma palavra bem conhecida da Maçonaria Mundial). O simbolismo do veneno da cobra e da forma como ataca sem piedade as suas presas, engolindo-as inteiras é bastante reveladora, já por si só, das técnicas agressivas levadas a cabo por este grupo. Também o simbolismo da letra “Q” encerra em si o sinal de “Start” mundialmente conhecido das aparelhagens eletrónicas e a teoria “QANon” pode ler-se foneticamente “Cannon”, ou seja, canhão em inglês, o que reflete bem o espírito de muitos dos apoiantes militares de alta patente que entraram pelo Capitólio adentro e que estiveram por detrás da organização desta invasão de precisão militar.

Símbolo atribuído a Benjamin Franklin, que representava as 13 colónias divididas.

O enigmático anónimo “Q”, sendo um indivíduo, ou um conjunto de conspiradores, acabou por inundar a internet e as redes sociais com lixo digital, teorias absurdas, fakes de todo o tipo, gerando um discurso de ódio venenoso sem precedentes no mundo virtual, tão letal para o equilíbrio social quanto o veneno da cobra. Os movimentos mais radicais de direita e nacionalistas norte-americanos, muitos deles com ligações diretas ao KKK terão financiado esta gigantesca operação de desinformação, com o intuito de descredibilizarem os democratas, em favor dos republicanos e apoiantes de Trump. Por incrível que pareça, esta estratégia de desinformação já não é nova. Foi utilizada no passado pela maioria dos movimentos totalitaristas, imediatamente antes de ascenderem ao poder. Talvez por isso, Donald Trump e os seus seguidores não tivessem ficado satisfeitos com o resultados das eleições, marchando sobre o Capitólio num ato desesperado de tentarem, pela força, reverter os resultados. Toda a campanha desinformativa que Trump lançou mundialmente sobre as eleições norte-americanas foi simplesmente vergonhosa. Eles, os que criaram este movimento, a fake teoria de ódio “QAnon”, não levaram a melhor. Porque os democratas se uniram e demonstraram que a Humanidade, quando quer, pode vencer o mal, venha mascarado de cobra, bode ou touro.

A plataforma 8chan criada por Fredrick Brennan foi adquirida por Jim Watkins um ex-militar dos EUA a viver nas Filipinas. Quando a plataforma digital teve um boom devido ao fenómeno QAnon, Fredrick foi convidado por Jim a ir viver para as Filipinas, um mundo que era totalmente desconhecido para este geek informático que nasceu em New York em 1994. Sofrendo de  osteogenesis imperfecta, dedicou-se à informática, uma forma de ultrapassar as suas impossibilidades físicas. Muitos dizem que ele pode ser o próprio anónimo “Q”. Ele não nega nem confirma, deixando o mistério no ar. Mas entretanto, descontente pelo rumo que a plataforma tomou, por se tornar numa verdadeira Dark Web do crime, Fredrick abandonou a gestão da mesma em 2015 e tem criticado Jim, o que já lhe valeu um mandato de prisão nas Filipinas, por “cyberlibel” (difamação digital). Enquanto Fredrick sonhava com uma plataforma livre de censura, Jim parece estar a utilizar a 8chan para propósitos menos transparentes, insistindo na não moderação de conteúdos. Jim garantiu que Fredrick casasse com uma filipina, um estranho “favor” sexual que o atual gestor da 8chan fez ao seu original criador. Jim parece ser um personagem polémico, com várias empresas nas Filipinas, com filiais nos Estados Unidos. De entre elas uma criação de porcos, que, dizem os conspiradores, é onde Jim se desfaz dos seus inimigos.

Jim Watkins, seu filho Ron Watkins e Fredrick Brennan

Afinal que rede mafiosa pode estar por detrás desta verdadeira Dark Web? Serão os criadores desta conspiração “QAnon” a verdadeira CABALA que pretende instituir a NWO? Não é o próprio símbolo “Q” o sinal do Great Reset? E o que conseguiram com esta teoria que fala com ódio de satanismo, senão difundi-lo ainda mais? Ao criarem fóruns ridículos de discussão destas teorias e fakes de todos os tipos não contribuíram para uma maior digitalização forçada da sociedade, tal como o vírus do “The Great Reset” ?

A fachada revolucionária de esquerda deste movimento, não é senão camuflagem do Fascismo, o mesmo que sempre existiu, gerido pelas famílias ricas e poderosas. Que ninguém se equivoque. O Alex Jones é um dos cabecilhas do KKK e da extrema-direita nos EUA. E Donald Trump um dos seus testas de ferro de influência na política. O ódio que estão a lançar no mundo só pode ser combatido sistematicamente, com estratégias mais inteligentes. São perigosos e pretendem instituir Estados Totalitários. Estas plataformas de ódio digital têm de ser encerradas para bem da Humanidade. E os seus líderes deveriam responder, eles sim, pelos crimes de difundirem conteúdos criminosos nas suas redes “livres”, sem qualquer tipo de moderação, um canal aberto para as mais perigosas máfias mundiais.

Texto de Pedro M. Duarte

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