Estrutura e evolução dos vários níveis de habilitações na UE (2011/2020)

Sumário

1 – Perfis educativos da população europeia

2 – Nível de habilitações (0-2)

3 – Nível de habilitações (3-4)

4 – Nível de habilitações (5-8)

Nota histórica

 

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Distribuição H/M pelos níveis de habilitações[1] na UE (população com 15/64 anos) (%)
1 – Perfis educativos da população europeia

Muito sinteticamente, no quadro acima e, para a década considerada, observa-se uma redução do volume de pessoas com as mais baixas qualificações, compensadas com o aumento do grupo daquelas que têm os maiores graus de instrução; e, com uma relativa estagnação do peso do conjunto que engloba as pessoas com uma instrução intermédia (3-4). O peso das mulheres com as maiores qualificações, no total, aumentou mais do que o dos homens; e, em contrapartida a queda entre as mulheres das qualificações mais baixas é mais acentuada do que o verificado entre os homens.

O que sinteticamente acima expusemos como quadro geral é seguido do desenvolvimento seguinte, onde se pode observar a evolução do peso de cada segmento educativo entre 2011 e 2020, sem distinção de sexos:

2011 – Perfil educativo dos países da Europa

2020 – Perfil educativo dos países da Europa

A observação dos dois gráficos mostra algumas alterações ao padrão constituído pelo predomínio das pessoas com níveis de instrução intermédios (3-4); independentemente do seu sexo.

Em 2011, estavam fora desse padrão, cinco países, onde predominava a parcela da população com as mais baixas qualificações (0-2). Assim, as 5 situações mais negativas (em %) são:

2011 – Turquia (70), Portugal (64.2), Malta (58.9), Espanha (47), Itália (45.5)

2020 – Turquia (58.7), Portugal (44.5), Malta (40.3), Itália (39), Espanha (38.2)

E, as 5 situações menos dramáticas (em %) evidenciavam-se em:

2011 – Rep. Checa (13.9), Eslováquia (15.7) Lituânia (15.9), Polónia (17.5), Estónia (17.7)

2020 – Lituânia (10.8), Rep. Checa (12.3), Polónia (12.9), Eslováquia (13.5) Letónia (14.6)

Uma Europa a várias velocidades, com perfis muito distintos de população, no capítulo dos níveis de educação, indutores de vários níveis de rendimento e de bem-estar, a despeito da existência de fundos comunitários que mais não servem que para manter essas desigualdades sem convulsões sociais. Essa situação, estrutural, é garantida pela atuação de oligarquias políticas fechadas, reacionárias e corruptas, obedientes aos grandes empórios multinacionais e do sistema financeiro; que, para manterem o seu poder retribuem com financiamentos legais e ilegais os partidos políticos e os seus mandarins.

Em 2020 evidenciam-se algumas alterações mas nenhuma no sentido do reforço de efetivos populacionais com um perfil de instrução (0-2). As maiores quebras na representatividade do perfil (0-2) no período 2011/20 observam-se em Portugal (19.7%), Malta (18.6%), Grécia (12.8%) e Turquia (11%) num contexto em que, na UE-27, a redução se cifrou em 5.4%. Estas reduções mostram as maiores exigências cognitivas que os processos produtivos e culturais vão colocando nas novas gerações e, por outro, os falecimentos de pessoas mais idosas, com qualificações adquiridas em tempos muito recuados. Refira-se que na Alemanha se regista, em 2020, o único caso de aumento da população com o perfil (0-2).

Em 2011, não se verificava nenhuma situação de predomínio de uma representação do escalão (5-8) de qualificações. Por outro lado, o peso da população, em 2020, incluída naquele escalão cresce, em todos os países com os casos de maior incremento, acima dos 10% na Áustria (15%), em Malta (12.9%), Lituânia (10.8%) e Suíça (10.4%). Em 2020 e, no que se refere ao peso na população de 15/64 anos, as marcas mais expressivas no escalão (5-8) de qualificações evidenciam-se na Irlanda (42.8%), Luxemburgo (40.9%) e Chipre (40.2%), para além da Noruega, da Bélgica e da Islândia que superam por pequena margem o segmento (3-4) de qualificações.

2 – Nível de habilitações (0-2)

Observe-se, de seguida, o peso na população total de nível 0-2, sem distinção de sexo. Em nenhum caso aumenta a representação deste nível de instrução, entre 2011 e 2020 e, as principais quebras registam-se nos países onde este nível de instrução tinha mais significado em 2011. A Turquia, em 2020 apresenta-se como o único país onde, no último ano, a população com o nível de instrução 0-2 se manteve acima de 50% da população; perdendo, Portugal e Malta essa “distinção” vigente em 2011.

Ainda em termos globais de qualificação 0-2, observe-se a situação resultante da situação da população feminina, por um lado e, a masculina, por outro. Assim, a quebra para o elenco de mulheres naquele perfil de habilitação (-6.5 pontos percentuais) é superior à dos homens (-4.4 pp), entre os dois anos a que se referem os dados. As maiores reduções na população feminina registam-se em Malta (20.3 pp), Portugal (20 pp) e Islândia (13.1 pp), apresentando-se apenas um caso de aumento, ainda que marginal, na Alemanha (0.2 pp). A queda dos indicadores é mais evidente nas mulheres do que entre os homens, mormente na Islândia (7.4 pp), Áustria (4 pp) e Suíça (3.8 pp), sucedendo o contrário na Grécia (4.2 pp) e na Letónia, entre outros.

A segmentação para o nível 0-2 entre mulheres e homens apresenta os seguintes perfis:

Sumariamente, as 5 situações com maior peso para as populações femininas (em %) são:

2011 – Turquia (75.0), Portugal (60.9), Malta (59.1), Espanha (44.9), Itália (44.0)

2020 – Turquia (62.2), Portugal (40.9), Malta (38.8), Itália (36.7), Espanha (34.8)

e, as 5 situações mais aceitáveis (em %) – todas verificadas no Leste europeu – são:

2011 – Lituânia (14.3), Estónia (14.9), Letónia (15.7), Rep. Checa (16.0), Eslováquia e Polónia (17.1)

2020 – Lituânia (9.0), Letónia (11.8), Polónia (12.2), Estónia (12.4), Rep. Checa (12.9).

Portugal e Malta apresentam as maiores reduções do volume de mulheres neste escalão de habilitações (cerca de 20 pp), embora isso não altere a hierarquia no pódio, nem altere a distância face à Turquia que mantém a maior parcela de mulheres com este padrão de habilitações. Por outro lado, sendo geral a redução em 2020, a margem de compressão, tenderá a reduzir-se, por efeito da mortalidade das mais velhas, com menor instrução, facto conjugado com a entrada nos escalões de maior instrução, no caso das mulheres mais novas.

No caso do sexo masculino a redução do seu peso no total, no período 2011/20 é de 4.4 pp, claramente abaixo da observada para as mulheres (-6.5% pp, como referimos). No total da população com 15/64 anos o peso dos homens no total, passou de 30.5% para 26.1%. O Luxemburgo e a Rep. Checa mostram, em 2020, variações nulas da parcela dos homens com níveis educacionais 0-2.

Sumariamente, as 5 situações com maior relevo das populações masculinas (em %) são:

2011 – Portugal (67.6), Turquia (64.8), Malta (58.7), Espanha (49), Itália (47)

2020 – Turquia (55.1), Portugal (48.3), Malta (41.6), Espanha (41.5), Itália (41.4);

e, as 5 situações com menor relevo das populações masculinas (em %) são:

2011 – Rep. Checa (11.8), Eslováquia (14.2), Alemanha (16.4), Lituânia (17.5), Polónia (18)

2020 – Rep. Checa (11.8), Lituânia (12.6), Eslováquia (13), Polónia (13.7), Eslovénia (13.9)

As principais reduções (> 10%) neste segmento masculino em 2011/20 observam-se no Sul (Portugal, Malta e Grécia) para além da Irlanda. Apenas na Alemanha se regista um crescimento do peso (3.8%) desta fatia de população masculina, porventura com a entrada de muitos imigrantes, provenientes, em grande parte do Próximo Oriente; o mesmo acontece com as mulheres mas numa escala muito mais baixa (0.2%).

3 – Nível de habilitações (3-4)

O nível 3-4 constitui, grosso modo, aquele onde se integra o maior número de pessoas, no conjunto dos dois sexos; constitui o escalão intermédio de qualificações. As pessoas incluídas neste nível, em 2011 surgiam como o segmento mais numeroso da população, excepto em Espanha, Itália, Malta, Portugal, Islândia e Turquia, onde o grupo dominante é o da população menos instruída (0-2). Por outro lado, em 2011, não se regista caso algum em que o nível 5-8 se mostre dominante. Nove anos depois, apresentam-se notórias alterações.

Os países onde o escalão 0-2 é dominante reduzem-se, em 2020, à bacia mediterrânica – Turquia, Portugal, Malta e Espanha. Por outro lado, há seis países que passaram a considerar o escalão superior de habilitações (5-8) como o dominante, uma situação que não existia nove anos antes – Irlanda (42.8%) e Luxemburgo (40.9%) com os indicadores mais elevados e ainda Chipre, Noruega, Bélgica e Islândia.

No gráfico que se segue, nota-se a segmentação dos países em dois grupos; o dos que aumentam o peso relativo em 2011/20 e os que o reduzem. Os mais fortes crescimentos da população com níveis de instrução (3-4) registam-se em países da periferia Sul – Portugal (9.9%), Grécia (6.5%) e Malta (5.7%), entre outros, um facto que não se regista a Sul e a Leste, antes pelo contrário. Entre estes últimos a Áustria reduz 10.6% a sua população com o nível de instrução 3-4, seguida do Luxemburgo (-7.4%).

Na primeira situação encontram-se os países da orla mediterrânica, com perfis educativos mais fracos do que os restantes, a norte e no Leste, onde as mudanças se fazem no sentido do reforço dos níveis educativos mais elevados (5-8). Portugal e Grécia apresentam, as maiores subidas no peso do nível 3-4 e ombreiam com a Turquia quanto à baixa representatividade daquele nível educativo, encontrando-se ainda numa fase de desenvolvimento educativo, de passagem do nível 0-2 para o 3-4, enquanto os restantes vêm reforçando a relevância das maiores qualificações (5-8) em detrimento dos níveis 3-4.

Em regra, para o total da UE, a parcela de homens com o nível de instrução 3-4 é superior à das mulheres em 2011 como em 2020, mesmo que em ambos os casos tenha havido uma ligeira quebra; no entanto, na maior parte dos casos as diferenças por sexo não são muito relevantes.

No caso dos homens a sua parcela neste nível de instrução em Portugal passou de 19.7% do total para 31.5%, constituindo a maior subida no conjunto, atrás da Grécia com 9.9 pp de aumento. Essas subidas sucederam essencialmente na Europa do Sul mas, incluindo a França, a Finlândia e a Irlanda. Quanto à redução da parcela de homens contidos neste perfil, as maiores quebras registam-se na Áustria (-10.7%), no Luxemburgo e na Alemanha.

Quanto às mulheres, evidencia-se uma redução global de 1.3%, o que não mostra grande diferença face ao registado para os homens (-1%); e, ainda que se verifiquem muitos mais casos de redução do que de acréscimos da população feminina com instrução incluída no perfil 3-4. A grande maioria dos casos de redução recai no grupo de países situados a norte e no centro da Europa, com destaque para a Áustria (-10.5%), o Luxemburgo (-8%) e a Letónia (-7.3%). Quanto às situações de mais relevante acréscimo da mão-de-obra feminina, surgem Portugal e Malta, respetivamente com 8 e 5.6%, uma evolução essencialmente presente nos países do Sul, com as excepções da Irlanda, da França e da Islândia.

 4 – Níveis de habilitações (5-8)

Todos os países considerados apresentam um aumento do peso da população com este nível de habilitações, como reflexo das exigências de que o conhecimento adquirido acompanhe a evolução social, económica e cultural: o que constitui uma caraterística do processo histórico, ainda que se verifique a existência de áreas de regressão civilizacional de maior ou menor dimensão temporal.

Em 2011, o nível de instrução 5-8 não surgia como o de maior relevância entre os países considerados; os casos em que este tipo de população apresentava a maior importância relativa eram a Irlanda (34.4%), Chipre (33.7%), GB  (33.2%) e ainda, com indicadores superiores a 30%, países como a Bélgica, Estónia, Luxemburgo, Finlândia e Noruega. Nove anos depois, em 2020, os indicadores mais elevados correspondiam a países como a Irlanda (42.8%), Luxemburgo (40.9%) e Chipre (40.2%) e ainda, Bélgica, Islândia e Noruega. Neste contexto, em nenhum dos países considerados se observou uma redução do peso relativo da população com habilitação nos níveis 5-8.

As situações de maior crescimento do peso relativo do segmento 5-8 de instrução, no período 2011/20  apresentam-se na Áustria (15%), em Malta (12.9%), na Lituânia (10.8%), na Suíça (10.4%) e, em Portugal e na Eslovénia com 9.9%. No polo oposto, o das situações de fraco crescimento da relevância deste tipo de formação encontram-se a Alemanha (2.9%), Roménia (3.3%), Itália (4.7%) e ainda Macedónia do Norte, Hungria e Bulgária.

O gráfico que segue revela as diferenças entre os países europeus quanto ao peso da população mais qualificada; bem como as enormes diferenças entre os indicadores nacionais – em 2011 o indicador irlandês é triplo do registado pela Turquia e, em 2020, essa clivagem encolhe ligeiramente face à Roménia.

Sumariamente, as 5 situações onde é maior o relevo das populações mais habilitadas (em %) são:

2011 – Irlanda (34.4), Chipre (33.7), Finlândia (32.5), UK (33.2), Noruega (32.1)

2020 – Irlanda (42.8), Luxemburgo (40.9), Chipre (40.2), Finlândia (39.8), Suíça (39.3);

E, as situações com menor relevo deste conjunto de habilitações (em %) são:

2011 – Turquia (11.3), Roménia (12.9), Itália (13.2) Macedónia do Norte (15.0) Malta (15.1), Croácia (15.4) e Portugal (15.5)

2020 – Roménia (16.2), Itália (17.9), Turquia (19.7), Macedónia do Norte (20.0) e Croácia (22.0)

Não se registando casos de redução do peso relativo deste tipo de habilitações, sublinham-se os casos onde a evolução foi mais débil no período 2011/20 – Alemanha (12%), Estónia e Chipre (19%). Inversamente, os maiores incrementos observam-se na Áustria (92%), em Malta (85%), Turquia (74%) e Portugal (64%).

Observemos em seguida o acrescido papel das mulheres no conjunto das habilitações     superiores (5-8). No âmbito da população dos 15 aos 64 anos, com formação nos            escalões mais elevados (5-8), apuram-se os seguintes elementos, reveladores do maior     empenho e dinamismo das mulheres quanto à detenção de qualificações superiores;        mesmo que, em muitas situações, sejam relegadas para funções penosas, desajustadas     aos seus conhecimentos, precárias e, com remunerações inferiores às dos homens.

As 5 situações onde é maior o relevo das mulheres mais habilitadas (em %) são todas no norte da Europa:

2011 – Estónia (38.8), Finlândia (37.9), Irlanda (37.6), Noruega (36.1), Suécia (33.8)

2020 – Finlândia (46.7), Irlanda (46.1), Chipre e Suécia (44.9), Noruega (44.3);

e, as situações com menor relevo deste conjunto de habilitações (em %) são:

2011 – Turquia (9.5), Roménia (13.2), Itália (14.6) Áustria (14.8), Malta (15.3), Macedónia do Norte (15.4);

2020 – Roménia (17.5), Turquia (18.8), Itália (20.6), Macedónia do Norte (22.0) e Rep. Checa (24.5).

A evolução da presença das mulheres no âmbito das maiores qualificações de base evidencia que não há caso algum de regressão; antes pelo contrário, em todos os países se observa um crescimento da parcela de mulheres. Por exemplo, no período considerado surgem, em 2020, onze situações em que essa parcela supera os 40%, incluindo três situações onde é superada a fasquia dos 45% – Estónia, Irlanda e Finlândia.

Quanto aos indicadores mais baixos, em 2011 registavam-se quatro situações em que as mulheres representavam menos de 15% no conjunto dos habilitados com o nível 5-8 de instrução (Roménia, Turquia, Itália e Áustria). Em 2020, a fasquia dos 20% só não era atingida pela Roménia e a Turquia.

Mesmo que estes indicadores revelem uma baixa participação feminina, é notória a evolução observada entre os dois anos em comparação.

Quanto à população masculina com formação superior, tal como para as mulheres, não há casos de regressão neste segmento populacional, no período 2011/20. Em 2011, apenas cinco países apresentavam valores acima dos 30%, como adiante referidos; nove anos depois esse elenco compunha-se de catorze países. E, entre estes, três ultrapassaram os 35% (Irlanda, Holanda e Chipre, como se pode observar no gráfico) e os dois restantes – Suíça e Luxemburgo – tinham mais de 40% da população masculina com qualificações enquadráveis nos perfis 5-8.

Quanto ao trabalho masculino, as 5 situações onde é maior o peso dos homens mais habilitados (em %) são:

2011 – Suíça (33.5), Luxemburgo (33.4), UK (32.4), Irlanda (31.1), Chipre (30.2);

2020 – Suíça (41.5), Luxemburgo (40.2), Irlanda (39.3), Países Baixos (35.5), Chipre (35.2);

e, as situações com menor relevo deste conjunto de habilitações (em %) são:

2011 – Itália (11.7) Roménia (12.6), Portugal (12.7), Turquia (13.1), Croácia (14.0);

2020 – Roménia (15.0), Itália (15.1), Maced. do Norte (18.1), Croácia (18.3), Eslováquia (19.5).

Certamente não será estranho que nestes dois países o sector financeiro tenha uma relevância ímpar e forneça um contributo relevante para a concentração de gente com elevadas qualificações.

Bibliografia

Os níveis de educação entre os povos da Europa (1ª parte)

https://grazia-tanta.blogspot.com/2019/08/os-niveis-de-educacao-entre-os-povos-da.html

O abandono escolar na Europa (2000-2018) – 2ª parte

https://grazia-tanta.blogspot.com/2019/08/o-abandono-escolar-na-europa-2000-2018.html

A instrução e o modelo económico para o Sul da Europa (1)

http://grazia-tanta.blogspot.pt/2013/03/a-instrucao-e-o-modelo-economico-para-o.html

Desigualdades na dinâmica demográfica na Península Ibérica (1990/2019)

https://grazia-tanta.blogspot.com/2020/07/desigualdades-na-dinamica-demografica.html

Nota histórica

No contexto da UE, Portugal apresenta uma situação negativa, o que nos leva a pensar em alguns fatores de ordem histórica. De facto, já durante o regime fascista, vigente entre 1926/74, os níveis de analfabetismo e iliteracia eram muito elevados, o que se coadunava com o caráter católico e patriarcal que o regime instituiu; pode-se tomar como exemplificativa, a posição do ditador Salazar, para o qual o analfabetismo das mulheres, por exemplo, era considerado uma forma de manter a decência e os bons costumes da moral católica, uma vez que não podiam escrever “bilhetinhos aos namorados”… certamente repletos de indecências.

O vigente regime pós-fascista, ancorado no PS/PSD, certamente que não cooptou aqueles preconceitos ultramontanos; cingiu-se em manter um baixo nível de habilitações, adequado às caraterísticas do empresariato luso que, dados estatísticos, entretanto afastados de publicação (Península Ibérica em Números), mostrava terem os patrões portugueses habilitações inferiores às dos assalariados; o que contrastava com o que se passava em Espanha e na Europa em geral.

Este e outros textos em:

http://grazia-tanta.blogspot.com/


http://www.slideshare.net/durgarrai/documents

 

https://pt.scribd.com/uploads

[1]  Níveis de habilitações da população com 15/64 anos:

0-2 – Menor que o primário, primário e secundário inferior

3-4 – Secundário superior, pos-secundário não superior

5-8 – Superior

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