Somos Governados por Políticos ou Conspiradores?

Para responder à simples pergunta, ‘Somos Governados por Políticos ou Conspiradores?’, devemos primeiro definir a palavra ‘político’ e ‘conspirador’.

A palavra ‘político’ indica aquele que é ‘relativo à política ou aos negócios públicos’. A palavra ‘política’ vem da palavra ‘polis’, ou seja, cidade. No epicentro da cidade Grega antiga, encontrava-se a Ágora, a praça pública. No passado, o ‘político’ exercia a sua vocação na praça pública, onde todos o podiam ver, ouvir, e eventualmente reagir.

‘A Escola de Atenas’, de Rafael, representa a Ágora, o epicentro da vida pública da Polis Grega, o palco da política e a oficina dos políticos

A palavra ‘conspirador’ significa ‘aquele que conspira’. Mais ainda, uma ‘conspiração’ é ‘um plano ou ato ilegítimo de traição, formulado em segredo por duas ou mais pessoas’. Podemos agora, tendo em conta estes elementos, começar a dar resposta à pergunta inicial.

Os indivíduos que governam hoje em dia têm claramente uma natureza diferente daqueles que exerciam a sua profissão nas praças públicas das Cidades Gregas da antiguidade. Preferem as reuniões a portas fechadas, o segredo, a escuridão, a conspiração, e tudo o que impede o escrutínio público. Os membros de sociedades como a Maçonaria, a Opus Dei, os Jesuítas, os Cavaleiros de Malta, entre outros grupos secretos, constituem uma grande parte da classe conspiratória (classe a que muitos ainda chamam de ‘classe política’). Entre os seus quadros encontramos os mais influentes membros da sociedade; ministros, membros da Assembleia, autarcas, juízes, advogados, chefes de empresa, professores universitários, médicos, artistas, entre outros. Entre outros mecanismos, estas sociedades são muitas vezes acusadas de controlar os tribunais, e é em grande parte por esta razão que impera a impunidade das mesmas face à ‘Justiça’.

É muito comum constatar que quando os políticos Portugueses aparecem em público, são vaiados e insultados, por vezes impedidos de falar, pela simples razão que a população os detesta. Porém, devemos igualmente colocar a  seguinte questão- Se os políticos tivessem a coragem de exercer a sua profissão em público, com maior transparência e honestidade, não constataríamos naturalmente um decréscimo no ódio da população em relação aos governantes?

Mas por enquanto, as decisões mais importantes não são feitas na praça pública, e muito menos de maneira aberta e transparente, mas sim dentro de portas fechadas, em segredo. Os políticos da era moderna relegaram-se a conspiradores e traidores. As decisões públicas são feitas através da intriga, da mentira e da omissão de informação. Os edifícios que albergam aqueles cujas decisões mais nos afectam estão cada vez mais militarizados. A Assembleia da República, suposta casa do povo e dos seus representantes, é hoje constantemente defendida por fortes contingentes policiais e é constantemente rodeada de grades que impedem o acesso às populações. Os conspiradores sentem a necessidade de se barricar atrás dos corpos de intervenção, temendo represálias daqueles que alegadamente servem.

A Polícia de Intervenção a Bloquear o Acesso da População à Assembleia de República…
…enquanto que Grades Estão Hoje em Dia em Permanência à Frente da Assembleia da República

Este artigo começou com a simples pergunta- ‘Somos Governados por Políticos ou Conspiradores?’ Era, claro, uma pergunta retórica. Somos, sem duvida,  governados por conspiradores. E esta tendência só poderá ser invertida com a emergência de políticos, verdadeiros políticos. Políticos que exercem a sua arte na praça pública, em aberto, com transparência, honestidade, com respeito pela população, indivíduos dispostos a abordar as questões relativas à esfera pública em público. Infelizmente, por enquanto, os políticos parecem ser uma raça em vias de extinção. A verdadeira política é hoje em dia uma arte menosprezada. No seu lugar, encontramos uma gigantesca teia de tráfico de influências, sociedades secretas e núcleos de poder obscuros e interligados.

João Silva Jordão

14 Comments

  1. Será que alguém já se deu ao trabalho de olhar para o mundo que nos rodeia e verificar que nações, ditas superpotências, se vergam ao poder do dinheiro como uma criança cede aos seus caprichos perante um chocolate oferecido por um estranho, um chupa-chupa ou um qualquer jogo ou brinquedo que queira e que lhe seja oferecido por quem não conheça! Assim são os governantes que temos hoje!

  2. É isso mesmo, e contra os conspiradores só a revolução é eficaz ! Pena é que não tenhamos um partido capaz de potenciar a revolta. jc

  3. Falemos de Portugal porque generalizar acba por dar em nada e ficar-se pot slongans vácuos.

    “e é em grande parte por esta razão que impera a impunidade das mesmas face à ‘Justiça’.”

    e não será a mesma justiça que (eventualmente) se presta a vinganças encomedadas pelos membros da “irmandade”?

    Lembro-me de uma entrevista do Henrique Neto – “histórico” do PS mas fortemente independente e crítico do anterior governo, especialmente da pessoa do ex-pm – em que ele dizia que as finanças mandaram um fiscal permanentemente para a empresa dele acabando por o multar em 75000 contos por uma coisa que, ao fim de meses e meses a vasculhar na empresa, encontraram, que ele considera injusta e ilegal, e que ainda se arrasta em tribunal? (mas teve de pagar!)

  4. como pode um país assim prosperar? (só prosperam evidentemente os membros da irmandade” mas o país em si definha e empobrece, porque essas pessoas da “irmandade” não têm fortuna própria que invistam, mas simplesmente enquistam-se nos orgãos do aparelho de Estado, no Parlamento, nos ministérios, na justiça, nas universidades, sempre em cargos e posições principescamente pagas, depois, por outro lado, atrofiam o mercado produtivo com todo o género de imposições, manipulações e vinganças atrozes, como aconteceu com o Henrique Neto)

  5. quanto ao comentário do António Rodrigo Costa Neto, lembro-lhe que ontem o pm da Finlândia alertou que Portugal deve investigar para onde foi o dinheiro, Portanto generalizar só lança a confusão para que tudo fique na mesma. Os “políticos de hoje” não são todos iguais. Em Portigal são corruptos e incompetentes, apesar da dona Cândida dizer o contrário (era o cúmulo se agora lhe dessem a PGR de presente!), mas na Finlândia, na Islândia, na Dinamarca, na Suécia, na Noruega, na Holanda, não são corruptos e por isso aqueles países desenvolveram-se, desenvolvem-se e os casos singulares e excepcionais de corrrupção são exemplarmente punidos. Não, os “políticos de hoje”, definitivamente não são todos iguais.

  6. “Políticos que exercem a sua arte na praça pública, em aberto, com transparência, honestidade, com respeito pela população, indivíduos dispostos a abordar as questões relativas à esfera pública em público.”

    eles existem, foram é afastados pelos jotas carreiristas (sócrates, relvas, etc) porque os políticos honestos seriam um entrave “chato” aos negócios que prejudicassem o país. Mas cada vez existem menos dado o espírito carreirista que enferma os jotinhas desde o início pois ir para a jorta é visto como um abrir portas que de outa maneira nunca se abririam. Basta olhar-se para os assessores deste governo. Algum dia se não fosse pelas jotas ( alguns serão da maçonaria pois essas listas que por aí andam estão desactualizadas e incompletas) eles estariam aí? Claro q eu não: seriam mais uns licenciados no desemprego (ou a trabalhar nos escritórios de advogados dos pais, mas esses, para lá voltarão, para os escritórios de advogados e empresas dos familiares, mas quando voltarem levam contactos e outros conhecimentos que valem ouro)

  7. É muito difícil sermos uma sociedade com políticos do estilo e correção dos que o Sr YYY mencionou, para isso carecemos de um Povo educado e respeitador, só assim se poderá exigir Políticos de igual envergadura, e infelizmente não é essa a nossa realidade, há exceções a esta regra claro, mas já reparou por exemplo, quando está para atravessar numa passadeira de peões quantos automobilistas param? poucos, já reparou quantas pontas de cigarro se atiram pela janela dos carros? já reparou quantas pessoas não evitam cuspir para o lado? e toda a ordem de lixo para o chão? Por isso é que os Paises que citou e bem vivem como vivem, numa sociedade a sério. E por cá enquanto formos assim, não todos claro, é muito difícil atingir esse modo de estar. Escrevo isto porque reconheço no Sr um Cidadão que sabe o que quer. Eu também gostaria duma sociedade assim, mas já estou velho para rumar a outro País, para além de que gosto muito de Portugal onde nasci

    1. depois de ler os insultos que me foram dirigidos no post sobre a maçonaria por um tal “cat” quase que fico tentado a dizer que sim, é de facto como você diz. Mas não. Por um caso não se pode mudar de opinião. Penso, desculpe lá, que as novas gerações avançaram um pouco, apesar de tudo, e já não cospem para o chão e param nas passadeiras. Ou talvez eu esteja a ter uma visão demasiado positiva?

      Seja como fôr, uma coisa é certa: comparações de Portugal com os países nórdicos e a escandinávia ou são má fé ou estupidez total.

  8. Em primeiro lugar escrevi o nome mal, é madruga e não nadruga. E já agora mais uma “acha” na fogueira, uma enorme faixa da nossa População não está minimamente Politizada, só protestam e mais nada, como dizia Torga, somos socialmente uma coletividade pacífica de revoltados, converso com muita gente e noto que existe muita dificuldade em aceitar qualquer mudança que não seja dentro da esfera do habitual, escuto até comentários que dão para rir como, não gosto das gravatas que o tal fulano usa, ou, aquele tal não sabe falar. É o País que temos, e se tento mostrar algo das malandrices que estão por trás das conversas dos conspiradores algumas vezes fico mal, por ser a cor preferida da pessoa com quem falo, como se fossem clubes de futebol.

    1. não posso deixar de concordar até porque já fui vítima de tremendas trafulhices pro parte dos portugueses “comuns”. Eu mais que ninguém poderia odiar os portugueses e desejar-lhes uma ditadura brutal que lhes fizesse pagar “na carne” as trafulhices de que fui vítima. Mas sabe? Acho que não posso desejar prejudicar cegamente as pessoas em geral como vingança sobre actos cometidos por pessoas singulares. Seria demasiado mesquinho e eticamente pouco honesto.

      Mas os políticos, que não sofrem estas vigarices e trafulhices a que o cidadão comum está sujeito, deveriam dar o exemplo, até porque os políticos portugueses gozam de um estatuto (incluindo remuneratório) que os políticos escandinavos e nórdicos de todo não gozam. Para já não falar dos “cargos” dos “boys” (administrações de EP’s, cargos internacionais de nomeação nacional, etc).

      Agora é certo que os políticos que Portugal tem refletem a população que tem. Sem dúvida. Mas aí há o falhanço total do sistema educativo: não seria de esperar que décadas de democracia tivessem criado uma população mais educada, com mais respeito pelo “outro” que está co-realacionado com o respeito pela chamada “dignidade humana”, e menos permeável à corrupção?

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