Página “Scimed” fez Publicações “Negacionistas”, Contra o Uso de Máscara, a Menosprezar a Pandemia e com Indicações Médicas Erradas

A página de Facebook “Scimed- Ciência Baseada na Evidência” alega ter como objectivo a propagação da literacia científica e a desmistificação do charlatanismo pseudocientífico, sobretudo na área da medicina. A página tem algumas publicações interessantes, porém, durante os últimos meses, e sobretudo relativamente à pandemia COVID-19, a página tem mudado de tom e estratégia, e tem hoje em dia como objetivo principal gozar e difamar todas e quaisquer vozes discordantes relativamente ao consenso mediático que se tem formado à volta da questão.

Resumindo, a página juntou-se claramente à ala que tenta difamar toda e qualquer voz discordante como sendo “negacionista”. Só que há um grande problema com isto- a própria página Scimed, que supostamente é sempre pautada pela “ciência baseada na evidência” fez uma série de publicações que seriam, pelos padrões pelos quais se rege hoje em dia, considerados “negacionistas”. Também fizeram publicações contra o uso de máscaras, com indicações completamente erradas e contra o consenso científico relativamente à relação da Vitamina C e D e os casos graves de COVID-19, entre outras publicações altamente enganadoras para não dizer completamente fraudulentas.

Vamos então ver as publicações em questão por partes.

“Negacionismo” ou pelo menos, publicações a apelar a menosprezar os perigos da COVID-19:

Começamos com uma publicação cuja imagem mostra um monstro assustador, que representa o COVID-19, e depois dois desenhos, um, assustado, o qual representa a comunicação social (“the media”). Depois vemos um outro boneco, que não está de todo assustado, boneco o qual representa o autor da publicação, que diz “Eu, que já viu o Vírus do Leste do Nilo, Gripe Suína, Gripa das Aves e a Ebola a aparecer e desaparecer em pouco tempo”. O tom está definido- esta publicação afirma claramente que a comunicação social está a exagerar a gravidade desta pandemia, a qual provavelmente vai desaparecer como aconteceu com estes outros vírus. Estava, obviamente, completamente errado.

Vamos ao texto que acompanha a foto. Começa por dizer que a mortalidade estará a baixo dos 2%-2.5%… Até aqui, nada de errado, efetivamente. Mas depois continua e diz que a mortalidade será mais baixa do que os números reportados porque existem muitos infetados que não são contabilizados, o que também é de facto verdade. O problema aqui reside sobretudo na atitude geral da publicação, a qual tem um eixo central: “não se preocupem demasiado com a pandemia, isto é sobretudo pânico mediático”. É uma tese interessante. Mas estas publicações estão em completa contradição com publicações mais recentes que fazem o contrário- gozam com todos os que dizem o mesmo, apelidando-os de “negacionistas”. Nesse caso, podemos então acusar a página Scimed de ser “negacionista”?

(continuação)

(continuação)

Temos também uma outra publicação que não somente menospreza a gravidade da pandemia e a mortalidade do vírus, a qual acaba com uma crítica claríssima ao uso de máscaras nos ambientes de trabalho:

Podemos ler no texto que acompanha o gráfico em cima a seguinte frase, depois de delinear o porquê de não devermos estar assim tão preocupados com a pandemia porque está a haver um “exagero no que diz respeito à mortalidade do vírus” e dizendo que a mortalidade será “mais próximo da mortalidade do vírus da gripe”, ou seja- “não se preocupem, isto mata tanto quanto a gripe normal”, posição a qual pode ser usada como a definição própria do “negacionismo”. Acaba a publicação a dizer “Por isso é algo incompreensível o pânico gerado no tecido empresarial, existindo algumas empresas a implementarem trabalho de máscara. Quem se está a rir são os vendedores de máscaras, luvas e soluções desinfectantes”.

(continuação)

Publicações Contra o Uso de Máscaras:

Para além da publicação mencionada acima, o Scimed fez várias publicações a gozar com as pessoas que usam máscara, afirmando “Se ainda não compraram máscaras para se protegerem do coronavírus, parabéns. São pessoas inteligentes. Porquê? Simples: “As pessoas saudáveis não precisam e não devem usar máscaras…”

E como em cima, tudo isto com uma imagem que essencialmente goza com as pessoas que usam máscara. Interessante.

(continuação)

Esta é outra imagem em que a página Scimed goza com quem usa máscara:

E esta publicação parece também demonstrar uma abertura para a estratégia da “imunidade de grupo”, que se resume basicamente a não fazer nada e esperar que a maioria da população ganhe imunidade depois de ser infetada pelo COVID-19, estratégia a qual aponta como um potencial “golpe de mestre”. Mas sobretudo a imagem goza com um jovem por estar a usar máscara e óculos de natação.

Somente que mais tarde a mesma página faz publicações a gozar com quem não está a implementar a obrigatoriedade do uso da máscara, como no caso da Suécia “Assumo aqui, a minha desilusão. Pensei que esta semana a Suécia começava a perceber a importância das máscaras…”:

Conclusão, esta página supostamente oh-tão-científica muda de ângulo constantemente, mais ao sabor do vento e da opinião pública do que em consequência da evolução das evidências científicas, e sem alguma vez ter a decência de publicar retrações. O único elemento consistente na página é o gozo, inclusive a de gozar com posições que a própria página defendeu no passado. Tanto goza com quem usa máscara um dia, como goza com quem não usa- só não goza é com quem merece ser gozado- os incompetentes e fraudulentos autores da página Scimed.

É, portanto, uma página baseada no gozo e na arrogância e na alegada tentativa de desmascarar a pseudociência, mas que ela própria promove notícias erradas, sem por isso se tornar mais humildade nem muito menos conseguir fazer retrações. Ou seja, a Scimed merece tanto ou mais ser gozada do que aqueles com que tanto goza, ainda para mais sendo que pretende ser uma voz séria e científica.

Indicações Médicas Completamente Erradas:

A página Scimed tem claramente mais interesse em gozar indiscriminadamente com toda e qualquer pessoa que se pronuncie sobre medicina mais do que verificar ou ter cautela com as indicações que dá, sendo esta página então precisamente uma exponente do obscurantismo e ideias pseudocientíficas que diz pretender atacar. Um desses exemplos é o seguinte, em que gozam com uma pessoa que diz que a Vitamina C ajuda a prevenir os casos graves e eventualmente mortes por COVID-19. Fizeram, como podemos ver, pelo menos três publicações a gozar com o conceito de como Vitamina C e Vitamina D ajuda a prevenir casos graves de Corona Vírus:

Entretanto está mais do que provado por vários estudos científicos que a deficiência em Vitamina C e D é efetivamente um fator de risco para as pessoas infetadas com COVID-19. Temos aqui indicações médicas revistas por pares que pessoas com deficiência em Vitamina C são mais suscetíveis ao Corona Vírus, a desenvolver sintomas sérios e pneumonia. Temos um estudo que demonstra o mesmo sobre Vitamina C. Outros estudos apontam para a incidência alta da deficiência em Vitamina D nos pacientes mais graves de COVID-19. Outros estudos apontam para a Vitamina D como cura potencial para o Corona Vírus. Outro que indica que níveis altos de Vitamina D reduzem infeções e mortes por Corona Vírus. Ou seja, temos uma montanha de provas que a Scimed está, como de costume, errada e neste caso, a providenciar informações falsas e potencialmente perigosas para a saúde pública, para além de altamente anticientíficas e socialmente irresponsáveis.

Ou seja, a Scimed mais uma vez estava errada e a dar indicações perigosas e falsas, de forma nenhuma baseadas em ciência, porque a página prefere gozar gratuitamente com outras pessoas do que verificar a veracidade do que está a publicar antes de o fazer.

Ou seja, como de costume, gozar com tudo e todos é claramente uma prioridade superior à de dar boas indicações relativas à saúde pública. Mais uma vez, a página Scimed é também ela uma fraude pseudocientífica como muitos dos seus alvos, as suas publicações são muitas vezes enganosas e os seus autores são consistentemente prepotentes, arrogantes e cientificamente e medicamente incompetentes.

Conclusão:

A página Scimed diz-se promotora da ciência. Hoje em dia, gozam sobretudo com as pessoas que menosprezam a seriedade da pandemia- quando a mesma página fez exatamente o mesmo, como demonstramos acima, supostamente usando “dados científicos”. Mas a realidade objetiva do vírus e da pandemia mudaram? Não. Então porquê a mudança de linha? Talvez porque a ciência evoluiu… Mas nesse caso, então porquê promover a fé cega nos dados científicos que nos vão chegando, em vez de promover a verdade óbvia- que os estudos científicos também podem errar, e sobretudo, que a ciência não é uma série de crenças imutáveis, mas sim um processo de descoberta de conhecimento em constante transformação.

Será por esta total falta de seriedade que a página recentemente mudou a sua descrição no Facebook de forma a se descrever como uma página que “transmite ciência de uma forma humorística e sarcástica.”?

Esperemos que ajude a que os leitores da página se apercebam que a página Scimed, é, efetivamente, uma grandessíssima piada.

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4 respostas

  1. Bom dia! Se este teu trabalho servir para que o Scimed modere o tom e se torne muito mais humilde, terá servido para alguma coisa. No entanto, lembra-te que aquilo que distingue a ciência é, não só, a sua ênfase na evidência mas, sobretudo, a sua abertura à mudança, forçada por nova e melhor (!!!) evidência, coisa que ele tem feito. De resto, bom trabalho!

  2. Já por várias vezes o autor afirmou que tem mudado de posição relativamente a algumas coisas que afirmou no início da pandemia. É isso que difere ciência da crença. Quem acredita e interpreta ciência, está consciente do que é evoluir e muda a sua forma de pensar de acordo com a melhor informação disponível. Ser crente é martelar até ao infinito numa ideia imutável mantendo-se preso no tempo.
    Sarcasmo e humor também não é para toda a gente, além de que, não há má publicidade. Bom trabalho ✌🏽

  3. Alguem que me comprove, baseado na ciência, que a informação científica se prova e dissemina através de insultos e gozo, em frequência diária.
    Gostaria de saber a percentagem de cidadãos que aprendem com esta metodologia de auto aprendizagem ao longo da vida.
    O burro aprende ,chamado de burro?
    Estudos precisam-se!

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