Para onde Caminha a Sociedade Pós-Pandémica?

Quando publiquei o meu anterior artigo “Mudar para Moeda Digital Implicará o Fim das Fortunas Individuais?“, na página de Facebook do Movimento Zeitgeist Portugal, tive alguns comentários interessantes, talvez por se tratar de um movimento de certa forma revolucionário-futurista e que, portanto, tem membros que se interessam bastante pelas questões filosóficas e sociológicas da sociedade em que vivemos e da sociedade em que gostaríamos de viver no futuro. Em resultado de algumas respostas que me foram solicitadas, resolvi escrever este pequeno artigo.

Pela minha formação de arquiteto, desde cedo aprendi a gerir problemas urbanos e da vivência dos espaços interiores de edifícios públicos e privados. Múltiplas questões se põem a um arquiteto, durante o processo criativo. Mas as mais duras de todas são as legais. Atualmente o mar de leis que inundaram esta profissão, castram quase totalmente a criatividade do arquiteto, que antes atuava quase como um deus, criando livremente e regrando pelas formas volumétricas e geométricas o espaço físico daqueles que iriam posteriormente habitá-lo ou usufruir dele. Existe muita matemática inerente ao processo criativo, sobretudo neste tipo de trabalho onde se tentam resolver inúmeras situações, funcional e esteticamente por forma a criar espaços agradáveis e orgânicos no uso, que, no fundo, melhorem a vida de um certo número de pessoas, do universo dos seus utilizadores.

Portanto, tal como Jacque Fresco, o arquiteto desenha para melhorar a vida de um grupo de pessoas. É uma tarefa nobre e, posso garantir, extremamente recompensatória quando se chega ao produto criativo final. Claro que há arquitectos maus, medianos, bons e geniais. Mas em geral, o resultado da sua produção, resulta num produto que melhora a vida das pessoas. Jacque Fresco, o fundador do movimento Zeitgeist era um autodidata. Foi engenheiro industrial, social, escritor, professor, futurologista, inventor que trabalhou numa grande variedade de áreas desde inovações bio-médicas a sistemas sociais totalmente integrados. E tudo o que fez foi observar o mundo que o rodeava e tentar dar soluções técnicas e criativas de design que reduzissem o grau de absurdo e as várias disfuncionalidades sociais do nosso quotidiano. Há tanta coisa a melhorar, sempre, que o trabalho criativo nunca acaba. E o mesmo se passa com a ciência. Temos todo um mundo de descobertas à nossa frente. Mas para isso temos de mudar de paradigma social. Temos de evoluir enquanto sociedade planetária, que já somos.

Mas apesar da globalização estamos ainda muito atrasados no que respeita ao desenvolvimento da nossa espécie enquanto dominadora de todas as outras, neste nosso universo limitado que já conhecemos bem: o planeta Terra. Estamos a atravessar um dos maiores desafios da civilização humana: o da nossa própria evolução versus o da nossa própria extinção. A pandemia veio criar uma paragem que acabou por não ser totalmente usada para refletir verdadeiramente sobre os desafios do futuro. Embora algumas mudanças tenham ocorrido, neste ano que passou, o essencial ficou, como sempre por tratar. Porque, como sempre, os políticos querem apenas colocar a máquina industrial, comercial e consumista a funcionar novamente, porque é aquela que lhes dá o seu rendimento. Mas esta máquina política e consumista está errada. Atingiu a rotura e a sua própria falência está iminente. Demasiado iminente. E é agora que a população tem de intervir e provocar a mudança.

Cena dos primeiros hominídeos quando descobrem o poder primário da tecnologia: atacar grupos rivais. A tecnologia ao serviço da guerra e não da evolução humana (2001 A Space Odissey).

Ao longo da história a questão de quem manda, da liderança, foi sempre a mais importante. Desde a Idade da Pedra. É aliás, uma questão essencial na gestão da nossa espécie. Vejamos o que acontece no reino animal. Os primeiros hominídeos copiaram o sistema que viram na natureza. O sistema era simples. Tal como no mundo dos animais, havia que definir o território do grupo que um líder, o mais forte, se encarregaria de gerir. Ao líder caberia tomar as decisões. Aos seus mais próximos, geralmente os mais aptos, confiava algumas tarefas que sozinho não conseguia realizar. As comunidades atuavam então em grupo, mas com um líder. Mais tarde designaram-no “Rei”. O sistema natural foi assim adaptado originalmente para a monarquia. Mas esta, com o passar dos anos, e com a descoberta dos metais e pedras semipreciosas, tornou-se ávida e gananciosa. Inventou-se o dinheiro o que piorou ainda mais o equilíbrio comunitário inicial, copiado da natureza. Ter acesso a bens definia o maior ou menor grau de civilização. As cidades cresceram e com elas os problemas urbanos. A tecnologia construtiva evoluiu em função das necessidades, cada vez mais exigentes face ao cada vez maior número de aglomeração de pessoas no território urbano.

Alguns povos evoluíram mais em função do seu poder territorial, bélico e das suas tecnologias e riquezas. Os mais fortes foram subjugando ou matando os mais fracos na procura de mais territórios para as suas populações. No processo acabaram por surgir sistemas políticos como as repúblicas e as democracias, e com elas a figura do político. O político retirou o poder aos reis e às monarquias. Alterou o modelo do reino animal, para um modelo supostamente mais “inteligente” e participativo, mais humano, mais comunitário e supostamente mais justo. Próprio da espécie que mais evoluiu intelectualmente. Mas novamente a corrupção e ganância criaram desequilíbrios. Os políticos vivem agora como viviam os reis, com todos os privilégios para si, lançando umas migalhas para o povo. Na realidade nada mudou em relação às monarquias. Apenas alargaram o círculo de privilegiados. As migalhas para o povo, foram-se transformando em alguns benefícios sociais e tecnologia. E hoje o que temos? Um povo escravizado pelo dinheiro, com tecnologia, mas que vive em stress porque é apenas uma peça na gigantesca máquina do consumismo e da economia.

Consumismo que é o outro ganha-pão dos políticos. As empresas, os políticos e as instituições públicas estão agora totalmente imiscuídas e manipuladas pela classe política e empresarial, que se fundiu numa poderosa oligarquia opressora dos seus súbditos. E utilizam o povo para retirar com uma mão os benefícios que dão com a outra. Criaram o sistema perfeito de escravatura remunerada. Um sistema quase perfeito, que se autoalimenta, uma escravatura “voluntária”. Só que não é voluntária. É induzida.

As cidades do futuro serão mais verdes, desenhadas para a otimização dos seus usos, com melhor aproveitamento da energia e iluminação natural.

Numa sociedade futurista o dinheiro deve ser abolido e a escravatura do consumismo e da economia também. A humanidade deverá trabalhar para a evolução tecnológica, científica e para a exploração espacial. A felicidade familiar, pessoal e do grupo será o principal objetivo de vida, lado a lado com o respeito pela natureza sagrada, da qual temos muito ainda que aprender. O espírito de descoberta e da ciência estarão sempre presentes nas nossas ações. Quanto ao novo poder. É fácil. Passaremos da república ou democracia dos políticos para um sistema de decisão coletiva, rotativo, direto, mas não político. Algo parecido com o que descreve Thomas More na teoria social, descrita no seu livro “Utopia”. Um sistema humanizado e próximo das decisões da vida de todos, centrado apenas em problemas reais, efetivos, rotativo na gestão administrativa e nas tarefas sociais. Não um sistema de poder apenas das maiorias, como é hoje. Porque tal como na natureza, é tão importante a unidade como o todo. Em grupos de discussão, identificar-se-ão problemas. Com a ajuda de sistemas industriais, mecânicos, analógicos, digitais, informáticos e de inteligência artificial tornar-se-ão as decisões mais eficientes, inteligentes e lógicas para a resolução dos problemas e desafios, no mais curto espaço de tempo. Num sistema verdadeiramente otimizado e inteligente, até se antecipam os problemas, antes mesmo destes acontecerem.

Os políticos da atualidade tomam decisões muitas vezes individuais e baseadas na sua única perspetiva, muitas vezes bastante pouco técnica e científica. E cada vez vemos entrarem na política pessoas menos capazes, eu diria mesmo, menos inteligentes no sentido de que pretendem apenas servir os interesses dos lobbies e não usar a inteligência e discernimento para criarem um mundo melhor. Isto é impensável numa sociedade evolucionista e científica. E mais impensável no momento crítico em que vivemos como civilização planetária. Os problemas são agora globais. Estamos todos ligados.

Porque razão então ainda colocamos os nossos futuros nas mãos dos políticos, que sabemos estarem completamente corrompidos e formatados como uma máfia, apenas para nos explorarem através de impostos cada vez mais elevados? Nas duas últimas décadas, com poucas exceções, as populações de todos os países estão a perder cada vez mais as poucas regalias sociais que ainda iam tendo, as tais migalhas dos políticos que prometiam distribuir a riqueza de todos em nome do bem comum. Mas o que vemos é que hoje famílias perdem as suas casas, o direito à saúde e os empregos são cada vez mais mecanizados e menos construtivos de uma sociedade avançada. E os políticos são indiferentes a este desmoronar social, porque se sentem privilegiados. Estamos a entrar na verdadeira escravização global. Vamos continuar a deixar que isto aconteça? Então para que serve o nosso cérebro, se nem sequer conseguimos ser mais inteligentes que os animais?

Agora mais do que nunca é preciso lutar. Não queremos mais as migalhas dos políticos. Mas para isso, temos de mudar de paradigma. Dinheiro, trabalho mecanizado, consumo ilimitado, economia, são conceitos de uma sociedade passada. Tudo isto tem de mudar. E o momento é agora.

Conseguiremos evoluir para o Homo Et Universum, ou vamos seguir o caminho mais fácil, a nossa autodestruição enquanto espécie…?

Os que pensam que depois da vacinação mundial, tudo vai voltar ao normal, ao que vivíamos em 2019, fica aqui um alerta: NÃO. Nada vai ser como antes. A revolução social vai acontecer. E muitas manifestações e muito sangue vai correr. Esta é a história da “evolução” humana. A sociedade está a tentar evoluir para uma nova dimensão. Estamos a um passo de passar de Homo Sapiens para Homo Et Universum, o Homem do Universo. Será que só alguns, como Jacque Fresco e Elon Musk o conseguem ver? Porque nos é tão difícil aceitar que, se calhar, para retirarmos os políticos corruptos do sistema do poder, basta unirmo-nos e sairmos à rua? E talvez deixarmos de pagar impostos, todos juntos, e assim acabarmos com este sistema económico corrompido que está a começar a implodir, devido à ganância dos partidos políticos, que atualmente lutam entre si pelo mero poder económico, sem se interessarem sequer pelo “bem comum” que deveriam dar aos que os elegem. Políticos, dinheiro, economia, banca, são o cancro que nos vai matar a todos, e são menos de 1%.

Então porque esperamos? A mudança está nas nossas mãos.

 

Texto de Pedro M. Duarte

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