As Megeras Hoje em Dia São Liberais e de “Esquerda”

Quanto pensamos numa “megera”, qual é a imagem que vem à cabeça? Normalmente seria a imagem de uma senhora velha e frustrada, que passa a vida a infernizar a vida dos outros, não se apercebendo que o faz por inveja e rancor. Talvez ainda seja assim o caso. Mas hoje em dia temos uma nova estirpe de megera que se junta às outras que já existiam- a megera liberal de esquerda. A regra de ouro desta estirpe de megeras é que “a miséria adora companhia”. São infelizes na sua vida amorosa e não descansam até que todos o sejam também.

Os liberais sempre lutaram pela liberdade sexual, mas agora a tendência parece ser a de fazer uma inversão completa e ter-se tornado, ironia das ironias, na ala que mais afincadamente tenta policiar a vida dos outros. Como as megeras sempre fizeram, somente agora muitas vezes mascarado de ativismo político.

A cara que a megera faz quando vê casais felizes, ou quando encontra Bubbly’s in the Fridge (Foto retirada da telenovela Britânica EastEnders, contexto desta piada, aqui)

Pior ainda, tendem a opinar sobre tudo e todos, intrometendo-se na vida alheia, como se fossem uma autoridade sobre como a sociedade deve reger a sua vida amorosa.

Tenho uma regra de ouro no que toca a minha vida amorosa: nunca aceito conselhos sobre a vossa vida amorosa de pessoas cuja vida amorosa é um desastre. E isso inclui naturalmente ignorar a maior parte dos conceitos sobre este assunto vindo da maioria das pessoas tendencialmente liberais.

Esta ala liberalóide insiste em querer mandar na vida amorosa e sexual dos outros, e não gosta que haja contraditório sequer, tendendo a adjetivar toda e qualquer ideia de que não gostem como sendo “machista”, “sexista”, ou um outro qualquer adjectivo- por vezes têm razão, mas muitas vezes, fariam melhor de fazer uma crítica às suas próprias práticas e ideias.

Por “coincidência”, normalmente o padrão que conseguimos reconhecer facilmente é que quanto mais estas pessoas têm a vida amorosa num caos, ou em muitos casos quanto mais a sua vida amorosa se aproxima de inexistência, mais são agressivos e agressivas são nas suas tentativas de tentar mandar na vida dos outros. É mesmo muito peculiar. E enquanto que as megeras de antigamente tendiam a ser conservadoras, as novas megeras são “liberais”, e em vez de idosas, tendem a ser relativamente jovens. É uma inversão da realidade relativamente fascinante.

Tradução: “rapariga- o meu namo…” | “eu- larga-o!” Esta é uma piada que não é assim tão fictícia quanto possa parecer. Há um flagelo atinge as nossas terras- as “amigas” frustradas que dão maus conselhos para que as suas amigas se tornem tão solitárias e frustradas quanto elas

O que é, afinal de contas, ser “liberal” na arena amorosa e sexual?

Ser “liberal” na área amorosa é sacralizar a vontade individual e elevá-la acima de toda outra consideração, longe de qualquer pensamento estruturado e escrutínio intelectual. Ora, a ala liberal perdeu de vista a função reprodutiva do sexo, para dar um exemplo, e tenta vê-lo só e unicamente pelo prisma do prazer individual hedonista. Ou seja, os liberais exageram completamente e tentam em vão simplificar uma questão inerentemente multidimensional, ironicamente da mesma forma, somente inversa, que os conversadores dantes faziam e continuam de certa forma a fazer, sendo que os conservadores muitas vezes só se focam na função reprodutiva do sexo, tentando ignorar ou até abafar e reprimir a dimensão do prazer individual do sexo. Os liberais hoje em dia são culpados do mesmo exagero e miopia, somente de forma inversa- tendem a ignorar a função reprodutiva e social do amor, do sexo e do matrimónio. Todas as considerações sociais e coletivas ou são secundárias à vontade individual, ou são ignoradas completamente. O resultado? Individualismo acrescido, e sobretudo, uma sociedade cada vez mais amorosamente e sexualmente disfuncional.

“o meu namorado pensa que eu devo…” | “o meu namorado não gosta quando eu…” | “o meu namorado não quer que eu fale com…” -> “Larga-o!” Talvez a ultima até faça sentido, mas mais uma vez, esta piada é mais próxima da realidade do que possa parecer. O padrão- ver as relações como sendo descartáveis, não saber negociar e comunicar num contexto amoroso, e sobretudo, dar maus conselhos à amiga porque se é megera

O liberalismo neste contexto, a talvez não somente neste contexto, é uma espécie de individualismo extremo que tende a resultar numa desfuncionalidade notável, e paradoxalmente, numa profunda frustração sexual, a qual depois tem vários resultados nefastos, um deles sendo que tentam, por vezes sem se aperceberem, destruir a vida amorosa dos outros.

Vou-te dar um exemplo- uma pessoa muito liberal que não consegue arranjar parceiro/parceira. Então está sempre a tentar diagnosticas, sem que ninguém lhe tenha perguntado nada, problemas nas relações dos outros, pegando inclusive em ações e tendências normais que os casais têm e ver nisso “abuso”. Repara, existem, claro, abusos reais. Mas esta ala vai ver em absolutamente tudo um abuso.

Estas pessoas, a terem relações, tendem a ser também altamente individualistas, e as relações tendem a ser tumultuosas e de curto prazo, precisamente porque não conseguem olhar para o outro ou outra, tentar agradar o parceiro ou parceiro está fora de questão claro, porque embate com o seu profundo individualismo e egocentrismo. Ou seja, são das últimas pessoas à face da terra que deviam opinar sobre o assunto, e sobretudo, toda e qualquer pessoa minimamente racional e que pretende ter uma visa amorosa concretizada e funcional deve a todo o custo ignorar conselhos vindos desta ala política.

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