A Maldição dos Iluminados

Estatua de Lucifer em Madrid
Estátua de Lucifer em Madrid

A verdade não tem núcleo. Também não tem morada fixa. Mais grave ainda, aparentemente não mora no coração do homem. Então qual é a função do individuo que procura a verdade?

É ambicionar ser um dia um veículo através do qual a humanidade se esclareça a ela mesma.

Depois vem um sussurro. Propõe que a ambição seja substituída por uma assunção, e que esta seja complementada com uma ilusão. A assunção é que já nascemos iluminados, e a ilusão é que temos o dever de planear o futuro dos nossos irmãos. E é assim tão facilmente que se transforma um homem humilde num homem deficiente.

Porque um homem iluminado assim o é graças a uma insaciável vontade de procurar, enquanto aqueles que se intitulam de iluminados pensam que já encontraram.

Não é invulgar ouvir-se hoje em dia uma mesma pessoa dizer que ama o povo, mas que acha que as multidões são estúpidas, facilmente manipuladas. Este paradoxo transforma-se em hipocrisia na mão de homens com demasiado poder.

Não é possível que sejam capazes de servir a sociedade de uma maneira integra e honesta se  acreditam que esta mesma não é nada mais do que um conjunto de idiotas. Porque se são idiotas, não sabem fazer as escolhas certas, e se são facilmente manipuladas então vão facilmente seguir o caminho que se lhes propõe.

Mas até Machiavelli admitiu, na sua infame mensagem ao príncipe, que por muito poder que um líder amontoe, ele será sempre descartável, porque aconteça o que acontecer, as pessoas serão sempre capazes de se organizar entre elas.

Esta mensagem é subversiva e surpreendente vinda de um homem cujo talento se encontra no estudo da gestão do homem através de poder político, mas tem um sabor forte a eloquência, e até pode ser comprovada através de um estudo sério da história humana.

O pensamento político esotérico destaca-se de uma maneira infeliz desta brilhante tirada de Machiavelli ao acreditar que é imprescindível, e que sem a sua gloriosa sabedoria, a humanidade vai tropeçar, bater com a cabeça e morrer. É a crença em tão improvável destino que o topo da espiral política utiliza como apologia do seu habito de mentir, manipular, fazer falsas promessas e monopolizar cargos oficiais. Isto não graças a uma tendência para o mal inerente, mas sim porque se conformaram a uma ilustração do homem que é demasiado negativa para lhe fazer justiça, ilustração que tem mais cinismo do que mérito académico.

É este conformismo que nos impede de olhar o espelho de frente, que atrasa a progressão do estado da humanidade. É esta a maldição daqueles que se intitulam de iluminados. Vivem na escuridão e têm medo de rastejar em direção ao à luz. Estão satisfeitos mas serão para sempre ingratos.

Se a verdade lhes aparecesse à frente não a saberiam reconhecer. Se a reconhecessem não a aceitariam. E mesmo se a aceitassem, não saberiam como a seguir. Querem rezar mas são orgulhosos demais para se ajoelhar. São ambiciosos arquitectos que só sabem construir na areia. São como um pastor que pensa ser rei. Que terrível desilusão os espera, porque as ovelhas já mostraram vezes sem conta que não precisam do pastor para sobreviver, nem muito menos para viver. No dia onde o mostrarão mais uma vez, a humanidade ficará bem esclarecida.

João Silva Jordão

4 comments

  1. […] Uma das grandes mentiras que os comentadores políticos tentam impingir ao público é que o presidente de um país é a sua figura mais poderosa. A verdade está muito longe desta tese fraudulenta. O verdadeiro poder, sobretudo na França, onde o poder da maçonaria não é de todo um segredo, reside e permanece nas teias de poder como a maçonaria, os jesuítas, os iluminados da Baviera, entre outros grupos que permeiam e controlam os partidos políticos estabelecidos. Por sua vez, estas teias mafiosas são controladas por dinastias. O poder, ontem como hoje, é transmitido por sangue, por herança, e não por eleições ‘livres’. É esta a verdade que é inacessível para aqueles cuja mente está escravizada pela dicotomia da ‘esquerda’ e ‘direita’. Fazendo uso da dialéctica do Hegel (como instrumento de análise) podemos compreender que os constantes debates que enaltecem as diferenças entre a esquerda e direita fazem com que se perca de vista as similitudes entre as posições e medidas dos grandes partidos que supostamente representam as duas vertentes políticas. Um dirá que devemos pagar 22% de IVA, o outro dirá que devemos pagar 23%. Mas nenhum irá tentar questionar a legitimidade de tão injusto imposto. Um irá criticar o Euro porque foi introduzido sem que houvesse integração política suficiente, o outro irá criticar o Euro porque foi introduzido sem que houvesse uniformidade económica suficiente, mas nenhum se atreverá a sequer propor que seja dissolvido o Banco Central Europeu, nenhum se atreverá a dizer a verdade- que o BCE é um banco privado que de ‘Central’ não tem nada, instituição que até a União Europeia admite ser ‘independente’ (ou seja, não está subordinado a qualquer corpo democraticamente eleito). A este ultraje chama-se falsa resistência, a tentativa de produzir a ilusão da existência de liberdade de expressão, a ilusão de que existe uma verdadeira democracia quando estamos de facto escravizados pela ditadura dos ‘Iluminados’. […]

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