Teletrabalho e Empresas Officeless

Ter uma quantidade extraordinária de trabalhadores em teletrabalho coloca uma pressão invulgar sobre todos os sistemas de informação (SI) das organizações uma vez que estes foram dimensionados, preparados e desenvolvidos para trabalho presencial na era de pré-COVID-19. Mas este stress pode ser aproveitado como um impulso para introduzir inovação, eficácia e flexibilidade nas estruturas de SI das empresas. E este impulso pode ser materializado através de um processo de transformação das organizações construídas desde o século XIX em torno de escritórios físicos em organizações “officeless” (sem escritórios).

Com efeito, é possível realizar uma transição das organizações construídas em torno de escritórios físicos até organizações “officeless” e manter equipas produtivas, motivadas e alinhadas com a missão e valores da organização: assim saibamos realizar com sucesso este processo.

Um processo de migração de um escritório para “officeless” pode ser essencial para aumentar os níveis de retenção de valor humano dentro da organização porque a flexibilidade – especialmente no que concerne aos horários de trabalho – é um elemento essencial para muitos trabalhadores e especialmente para aqueles mais jovens e/ou ligados ao mundo das novas tecnologias. Mas para que esta transição ocorra de modo suave e eficaz é preciso definir as métricas de desempenho e aumentar o nível de confiança dos líderes nas equipas e os padrões de responsabilidade individual que cada elemento assume para com o todo colectivo e a organização em geral quando adere ao regime de teletrabalho. Sobretudo, as organizações que adiram a um processo de “Officeless” devem ponderar o que pretendem dos seus trabalhadores: horas trabalhadas ou produtos/serviços terminados dentro dos prazos estipulados e dentro (ou acima) da qualidade determinada?

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Uma resposta

  1. E nem uma palavra, uma simples palavrinha, sobre o impacto dessas novas vias sobre a saúde física, mental e afectiva dos trabalhadores, sobre a acelerada precarização, sobre a desvinculação das empresas a respeito das suas responsabilidades, sobre a regulamentação e compatibilização de tudo isso com a legislação laboral, sobre o sindicalismo, etc. O único parâmetro analisado apenas parece ser o do lucro puro e duro a todo o custo. Para isso é indispensável desvalorizar o trabalho, isolar o trabalhador, desvinculá-lo, diluir a aplicação das leis laborais, horários de trabalho e procurar transformar o assalariado numa espécie de mini-empreendedor dito livre e flexível que já nem pertence sequer aos quadros de pessoal da empresa, a qual igualmente deixa de ter escritórios ou até existência física, bastando uma simples caixa postal situada num qualquer paraíso fiscal. É este o admirável mundo novo ou nova ordem. Porque será?

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