Ventura – o Verme que se quis Aproveitar do Vírus

Muitas pessoas gostam do André Ventura porque pensam que ele é “contra o sistema” e porque “diz verdades”. Mas a verdade é que por muito má que a classe política Portuguesa consiga ser, o André Ventura consegue mesmo assim, consistentemente, ser muito pior. E por muito que nos tenhamos acostumado às incessantes mentiras vindas dos demais membros da dita “classe política”, a verdade é que o André Ventura mesmo assim consegue, de forma por vezes surpreendente, mentir ainda mais e de forma ainda mais descarada.

Já existem imensas provas que o André Ventura está longe de ser o corajoso herói patriótico anticorrupção que diz ser, começando pelo facto de já ter conseguido na sua curta carreira política ser desavergonhadamente corrupto ao ponto de fazer alguns dos mais ilustres e veteranos corruptos da política nacional corar. Afinal de contas, o que dizer de o líder de um partido que diz ser contra a corrupção, mas que funda esse mesmo partido através da fraude, nomeadamente, através da falsificação de assinaturas? Haverá acto mais fundamentalmente corrupto do que o de falsificar assinaturas para fundar um partido que diz que vai livrar o país da corrupção?

Na sua mais recente, e talvez maior fraude até agora, André Ventura demitiu-se do cargo de liderança do Chega, uma clara manobra política para tentar mais tarde consolidar a sua própria posição dentro do partido. Mas no meio de mais esta fraude, conseguiu dizer, por uma vez, uma verdade, quando disse relativamente às guerras internas no partido: “Estamos a dar aos portugueses um espetáculo deplorável nas redes sociais.” Mas não é só relativamente às guerras internas que o Chega está a dar um triste espetáculo. E não é só nas redes sociais. Qualquer que seja a questão que o Chega aborde, qualquer que seja o meio, o resultado é quase sempre ser uma mixórdia de disparates, mentiras e sobretudo, oportunismo barato.

André Ventura Oportunista
O Verme Ventura, de Cravo na Lapela, invocando o 25 de Abril que derrubou o Fascismo em Portugal antes de se aperceber que tinha uma oportunidade de fazer carreira política… Tornando-se Fascista.

Este oportunismo barato costuma ser, mais do que qualquer outra coisa, cómico. Mas no meio da pandemia do novo Corona Vírus, é visivelmente hipócrita, irresponsável e perigoso. O cinismo oportunista e mentiroso do Chega e a natureza contagiosa e mortífera do Corona Vírus misturam-se e produzem um cocktail particularmente perigoso.

Talvez o melhor exemplo disto mesmo sejam os cartazes do Chega à frente da Assembleia da República relativamente ao Corona Vírus. Vejamos o primeiro.

Cartaz Chega I
Cartaz do Chega, à frente à Assembleia da República, no dia 29 de Março de 2020. Podemos ler a mensagem “Um verdadeiro Presidente não se esconde”, uma crítica ao isolamento preventivo de Marcelo Rebelo de Sousa durante a fase inicial da pandemia do Corona Virus (foto: João Silva Jordão, 2020)

 A mensagem é simples. A decisão do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, de entrar em isolamento durante duas semanas (a meio do mês de Março de 2020) como medida de precaução contra o contágio do Corona Vírus, segundo o Chega, foi um acto de cobardia.

Vejamos agora um outro cartaz do Chega, alguns dias depois, exatamente no mesmo sítio que o anterior, o qual fala também do Corona Vírus. Este novo cartaz faz alusão a citações feitas pelo Presidente, pela Diretora da Direção Geral de Saúde (DGS) e pelo Primeiro-Ministro, dizendo que a promessa do Presidente de como “ninguém vai mentir” era em si mentira, acusando depois a Diretora do DGS de mentir sobre a chegada do Covid-19 a Portugal e acusando António Costa de mentir sobre a o aprovisionamento do Serviço Nacional de Saúde para fazer face a esta pandemia. Sendo que o primeiro cartaz parece menosprezar a importância da pandemia, estas críticas já parecem ser algo despropositadas e inconsistentes.

Cartaz Chega II
“Obrigado a todos os Portugueses Responsáveis que estão unidos nesta luta” (foto tirada a 3 de Abril 2020, João Silva Jordão)

Mas esperem- há mais, muito mais para que nos possamos deliciar com o festival de patetice aguda do Chega. Em letras pequenas, em baixo, o novo cartaz diz: “obrigado a todos os Portugueses responsáveis que estão unidos nesta luta”. Ora, neste contexto, a palavra “responsáveis” só pode querer dizer uma coisa- que segundo o Chega, os Portugueses estão a levar esta pandemia muito a sério e estão a ficar em casa, em isolamento, em quarentena, e por isso, estão “unidos” e a serem “responsáveis”. A pergunta que se impõe é, porque é que quando os Portugueses ficam em casa, isolados, são “responsáveis”, mas quando o Presidente da República faz o mesmo, está a ser “cobarde”? A conclusão óbvia não seria antes que o Presidente estava a liderar por exemplo, sendo então o seu isolamento um acto, também ele, “responsável”?

Obviamente não é uma pergunta a que o Chega vá responder, porque esta contradição e hipocrisia óbvia e perigosa não parece ser um problema para o Chega, antes pelo contrário- usar as mentiras descaradas para proveito político é a espinha dorsal, ou falta dela, de um partido que consegue ser mais corrupto dos corruptos que diz querer prender, mais mentiroso dos políticos mentirosos que diz querer expor.

A moral desta história é que antes de apontarmos o dedo aos outros por serem, alegadamente, mentirosos, devemos antes verificar se nós não somos mais mentirosos do que os que estamos a acusar. E no caso do Chega e do André Ventura, é penosamente óbvio que ele é mais mentiroso do que as três pessoas visadas pelo cartaz.

Na maneira como está a lidar com o Corona Vírus, André Ventura, o Verme Ventura, está a demonstrar não somente que é uma fraude, o que já se sabia, mas está a demonstrar, exatamente como a sua cara-metade Brasileira, Jair Bolsonaro, o quão verdadeiramente irresponsável é, ao contrário dos Portugueses que tenta seduzir com o seu ultimo cartaz. A sua abordagem política, baseada na pura mentira e na tentativa de surfar qualquer onda mediática para benefício eleitoral, sem nunca ter uma posição coerente nem muito menos a vontade sequer de ter uma abordagem séria, é tão patética que nem sequer para a mais leve oposição política serve, quanto mais para ser levada a sério como alternativa política.

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