Filho da juíza federal atribuída a processo Deutsche Bank-Epstein morto em casa. Suspeito aparentemente suicida-se.

Epstein Deutsche Bank

Já está confirmado na imprensa internacional, nomeadamente aqui, aqui e aqui. O marido e o filho da juíza atribuída ao processo  Deutshe Bank-Epstein foram alvejados num ataque perpetrado por um homem que se fez passar por um funcionário da FedEx, empresa de encomendas e logística americana. O filho, Daniel Aderl, morreu em seguimento de ter sido alvejado no coração e o marido, Mark Anderl, encontra-se no hospital, aparentemente já estável.

À juíza havia sido atribuído o caso que opõe um conjunto de  accionistas do Deutshe Bank ao próprio banco, por estes se verem prejudicados financeiramente pelas ligações do banco alemão ao falecido Jeffrey Epstein, ligações essas que levaram o banco a ser multado em 150 milhões de dólares americanos pelo New York State Department of Financial Services. Os accionistas afirmam que teriam sido feitas declarações falsas e enganadoras ao aceitar Epstein como parte da sua carteira de clientes, decisão que foi admitida pelo CEO da instituição como um “erro critico”.

Segundo a CNN, que cita fontes ligadas à investigação no local, o atirador foi encontrado morto com um ferimento de bala aparentemente auto infligido.  O corpo que se crê ser do atirador foi encontrado em Sullivan County, New York, e foi identificado como um sendo um advogado Nova Iorquino semi conhecido pelo seu activismo judicial anti feminista, Den Hollander e que já teria num dos seus livros caracterizado a juíza como “preguiçosa e incompetente”.  Entre outros casos relacionados com o seu activismo judicial, Hollander cruzou-se com Salas num processo em que defendia o fim da exclusividade  masculina na obrigatoriedade de registo para serviço militar. Principalmente por outros casos, o advogado era referencia habitual em sites e blogs feministas como representando uma espécie de caricatura viva do MRM (Men’s Rights Movement).

Esther Salas está entre os 17 juízes e juízas do United States District Court for the District of New Jersey,  onde chegou após ter sido a primeira mulher hispânica a chegar à posição de U.S. Magistrate Judge for the District of New Jersey. Na sua posição actual presidiu a centenas de processos cíveis e  dezenas de processos criminais, sendo os mais conhecidos relacionados com crimes informáticos e crime organizado. Salas foi também responsável pelo bloqueio temporário da ordem de expulsão de um conjunto de refugiados Indonésios da minoria cristã desse país, que estavam prestes a ser deportados pela agência ICE. Apesar do perigo que correm no seu país de origem e de terem já vida estabelecida em New Jersey, só o trabalho da juíza terá impedido a política migratória americana de sujeitar esses refugiados novamente à perseguição religiosa que os obrigou a sair do país de origem.  A atribuição do caso Deutsche Bank-Epstein foi extremamente recente, 15 de Julho e o ataque deu-se a dia 20 do mesmo mês.

Mark A. Anderl, marido da juíza, é um advogado de defesa com carreira estabelecida também em New Jersey e a sua carreira nessa área foi apontada como outra possível origem para um motivo do ataque, encontra-se neste momento internado em estado estável.  O filho de 20 anos, infelizmente, não escapou aos ferimentos.

Cumprindo a habitual tradição de rigor e cumprimento da lei da banca alemã, o Deutsche Bank tem vindo a ver-se envolvido em numerosos escândalos, tais como ter sido um dos principais negociantes de activos tóxicos no contexto da crise de 2008,  ligações à lavagem de dinheiro de oligarcas russos, participação na manipulação do LIBOR, gestão de activos de figuras tão recomendaveis como Jeffrey Epstein e ainda uma ligação muito pouco transparente a Donald Trump, muito anterior à sua candidatura à presidência dos EUA. Foi o fallout de alguns destes escandalos que levou accionistas seus a processar o próprio banco.

Esther Salas e Mark A. Anderl têm ambos uma carreira estabelecida no sistema judicial americano, o que poderia facilmente levar a uma coleção de inimigos poderosos, com pouco a perder, ou ambos. O principal suspeito do ataque tem uma ligação  conhecida à juíza e nunca escondeu a antipatia que nutria por ela.  Jeffrey Epstein e seus cúmplices estiveram ou estão envolvidos num número suficiente de casos judiciais para que, pela simples lei dos grandes números, pessoas envolvidas nesses casos possam ter inimigos e exposição a riscos não relacionados com a rede de abuso sexual de menores que Epstein conduzia. Tudo isto é verdade, mas a sucessão de bizarrias e coincidências e até as ligações laterais ou directas de Epstein e seus cúmplices aos piores escândalos do capitalismo moderno vão mantendo cada vez mais uma aura de mistério à volta do caso, que é impossível ignorar.

 

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