Epstein: Mossad, Mentiras e Maxwells

Qual era afinal a ligação de Jeffrey Epstein Ghislaine Maxwell e seus cúmplices à Mossad? Quem ganharia o quê com essa conexão? Senão à Mossad, estaria Epstein ligado a outras agências de espionagem ocidentais?

Quando Jeffrey Epstein foi detido e mais tarde apareceu morto, a especulação sobre a sua possível ligação à Mossad tornou-se num murmúrio ensurdecedor. Quando a sua alegada cúmplice Ghislaine Maxwell foi presa, o murmúrio subiu ainda mais de tom.

A conexão é normalmente apresentada como Epstein fornecendo à Mossad material de chantagem, sob a forma de vídeos de políticos e outras figuras relevantes a abusar de menores, para assim os manter sob controlo e sempre favoráveis aos interesses do estado de Israel. Já por várias vezes foi afirmado nos media mainstream que a maior parte dos locais onde os abusos ocorriam tinham efectivamente escutas  e câmaras ocultas. É afirmado no final do documentário Filthy Rich e também na reportagem do 60 Minutes Autralia que pode ser vista aqui. Essa afirmação é corroborada por uma das principais vítimas, Virginia Giuffre.

Há uma fonte principal para essa alegação, Ari Ben-Menashe, alegado ex operacional da Mossad, afirma exactamente isso no livro “Epstein: Dead Men Tell No Tales” , no qual revela ao autor, Dylan Howard, ter sido um dos responsáveis pelo trabalho de Robert Maxwell para a organização e que terá sido o patriarca Maxwell a introduzir o casal à espionagem israelita. O mesmo livro coloca a possibilidade de Epstein ter trabalhado para mais do que um país.

Ari Ben-Menashe tem um historial reconhecido de lobbying, espionagem e tráfico de armas, tanto em África como no Ocidente

Já numa entrevista ao Consortium News Ari Ben-Menashe afirma que o contacto e Epstein era não com a Mossad, mas com a secreta militar israelita, conhecida como Aman.

Ari Ben-Menashe é ofcialmente um homem de negócios e consultor na área de inteligence, tendo efectivamente sido apanhado em supostos planos de assassinato de Robert Mugabe e fortes ligações ao governo canadiano, para o qual fornecia informação sobre política de numerosos estados.  Como qualquer outro operacional de qualquer agência de espionagem que se preze, a sua ligação é sempre “alegada”. A mais sólida confirmação de que efectivamente trabalhou sob ordens do governo israelita em território estrangeiro não sendo diplomata, é um caso na justiça dos EUA em que sendo acusado de violar o embargo de venda de armas ao Irão, é ilibado pelo júri, exactamente por estar a trabalhar para Israel.

Partindo da alegação de Ari Ben-Menashe, a ligação então seria a partir de Robert Maxwell. Maxwell era reconhecidamente um defensor dos interesses do estado de Israel e por várias vezes agiu publicamente em sua representação em negociações. Além disso, era também um grande divulgador do sector tecnológico israelita. Várias vezes foi acusado de trabalhar directamente para a espionagem israelita, de todas o negou.

Segundo Foreign Office britânico, Maxwell seria uma figura de pouca confiança, com ligações ao governo russo e terá mantido boas relações com as lideranças russas durante toda a sua vida, além de ter demonstrado pelo menos num dos seus discursos na câmara dos comuns, uma posição ambivalente em relação aos actores da guerra fria.

Ari Ben-Menashe afirmava conhecer a ligação entre Maxwell e a espionagem israelita logo após a sua morte, tendo abordado várias agências noticiosas com essa informação, note-se que a relação entre Epstein e Ghislaine terá começado nesta altura. O alegado espião afirmava ainda que Maxwell teria sido o ou pelo menos um dos responsáveis por informar a embaixada de Israel no Reino Unido de que o cientista nuclear Mordechai Vanunu teria revelado informações sobre o nunca oficialmente admitido programa nuclear israelita. Ben-Menashe não esperou que o escândalo Epstein rebentasse para falar desta conexão, para ele, ela sempre lá esteve.

Ambíguas seriam as ligações de Robert Maxwell à espionagem israelita, em vida. No quase funeral de estado que teve em Israel, vários antigos directores da Mossad e Aman estiveram presentes terão estado presentes, segundo o jornalista de investigação premiado Gordon Thomas, no seu livro Gideon’s Spies: The Secret History of the Mossad.

Ghislaine Maxwell é referida como sendo a peça que liga Jeffrey Epstein à espionagem israelita e sempre por via de seu pai, Robert Maxwell. Se esta ligação é mais do que circunstancial, Ari Ben-Menashe parece ser a peça chave na fiabilidade dessa conexão.

E quanto ao próprio Epstein? Que ligações estão confirmadas até agora? Com que agências e países?

Epstein teria também ligações à espionagem russa, uma vez mais segundo a investigação do autor Dylan Howard.Já o tenebroso acordo que permitiu a Epstein escapar quase impune às acusações de que foi alvo tem, não a autoria, mas o beneplácito do então United States Attorney for the Southern District of Florida, Alexander Acosta, que terá afirmado “I was told Epstein ‘belonged to intelligence’ and to leave it alone”, ou seja que Epstein estava, na prática, fora do circuito normal do comum dos mortais no que toca à lei, devido à sua importancia para o sistema de inteligence americano. Acosta acabou por se demitir da sua posição de United States Secretary of Labour, quando o escrutínio extra trazido à sua contribuição para o acordo tornou a sua manutenção politicamente insustentável. As citações são de uma fonte anónima de Vicky Ward, uma das primeiras jornalistas a tentar reportar sobre o lado obscuro de Epstein. Já Steven Hoffenberg, que trabalhou com Epstein na empresa fraudulenta Towers Financial Group afirma que por várias vezes Epstein teria admitido que estaria a manipular FBI e CIA em favor de MI6, Secretas Israelitas e Sauditas e que teriam sido essas conexões a lhe permitir sistematicamente escapar à justiça.

Estas ligações não fazem por si só um puzzle completo, mas vão dando substância à alegação de que Epstein era um pouco mais do que um bilionário que abusava de menores e cujo dinheiro pagou impunidade em relação a esse abuso. A confirmação de que os edifícios em que ocorreram os abusos estavam vigiados e a sucessão de conexões do próprio e dos seus cúmplices a diferentes agenciar de espionagem substanciam a suspeita de que Epstein, além de um bilionário e de um abusador de menores, poderia estar envolvido em algo maior.

 

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Tradução Livre: “Imaginemos uma sociedade em que o que é feito resulta apenas de um epifenómeno da disputa de poder entre CIA e FBI.” Imagem publicada na página de facebook Fake Baudrillard Post-Post Posting, uma página de homenagem ao filosofo e sociólogo Francês Jean Baudrillard, numa aparente referencia ao carácter  hiper real do caso Epstein.

 

 

 

 

 

 

 

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