Portugal poderia ter uma das populações mais inteligentes do mundo. Não tem. Aqui está a tabela dos países com o QI médio mais altos do mundo. Notam alguma coisa?
O Irão é o primeiro país que aparece na tabela que não é do Extremo Oriente em 7º lugar, em grande parte por causa das incríveis conquistas e avanços atingidos pela República Islâmica nos seus quase 50 anos de existência. Mas nesta tabela, aparecem duas cidades que fazem parte da China (Hong Kong e a antiga colónia Portuguesa – Macau) as quais não são Estados independentes. Ora, o Irão está de facto no 5º lugar.
No Extremo Oriente, por norma cultural, os pais tendem a pressionar (de uma forma quase obsessiva) os filhos e filhas a apresentarem boas notas e a ter, um excelente desempenho escolar, e depois os Estados, por sua vez, apostam de forma metódica e estruturada na qualidade e acessibilidade da educação tanto escolar como superior. Na nossa cultura, baseada no direito individual, a pressão aplicada na cultura Chinesa, e não só, seria prontamente caracterizada como sendo abuso parental. E mais, a nossa cultura cada vez mais é obcecada com a “virtude” (que não o é) de rebeldia infantil e sobretudo adolescente contra a autoridade parental. O paradoxo é que como efetivamente a inteligência média dos pais não é necessariamente brilhante, existe um certo grau de insubordinação, em certas áreas, que é necessária para as novas gerações atingirem patamares que as gerações prévias não conseguiram alcançar. Porém, a rebeldia pode ter um efeito positivo, mas também pode ter um efeito negativo, a na ausência de uma cultura baseada no hedonismo (na procura do lazer e do prazer) e nas liberdades individuais postas acima da responsabilidade social, na maior parte dos casos, a maior parte do tempo, a rebeldia institucionalizada na cultura de uma civilização terá, obviamente, um papel mais negativo do que positivo. Se adicionarmos a isso a tendência que vemos no Ocidente capitalista para enfraquecer o papel do Estado e o desinvestimento na educação pública e a crescente descrença no papel das universidades, sobretudo na arena da capacitação técnica, temos então vários factores que não apontam necessariamente para um futuro muito próspero para a nossa civilização.
Onde está, então, Portugal na tabela de QI médio? Aparece numa respeitável 32º posição, rodeado sobretudo de outros países Europeus.
É de facto uma posição interessante, sobretudo visto o défice incrível de literacia e capacitação técnica que Portugal tinha antes da revolução do 25 de Abril de 1974. Podemos dizer então que Portugal tem feito um bom percurso na área da educação e capacitação intelectual nos últimos 50 anos. Mas podemos certamente fazer melhor. A complexidade da nossa língua e a nossa rica história de intelectualidade e capacidade técnica são dois fatores que abonam a nosso favor. Depois temos também a natureza relativamente acessível do nosso território, a qual facilita a construção de um Estado central que pode então chegar a todos os “cantos” do seu país, com a excepção dos Açores e Madeira, territórios que, porém têm a sua própria riqueza e qualidades, e quanto muito potenciam, em vez de reduzir, a capacidade e potencial da nossa nação, o que só aumenta então, teoricamente, a nossa capacidade de continuar a evoluir intelectualmente de uma forma positiva.
Portugal não deveria estar satisfeito com outra coisa senão estar no topo da tabela de QI médio do mundo, no mínimo nas primeiras 15 posições, talvez até a médio longo prazo nas primeiras 10 posições. Mas ainda temos um longo caminho a percorrer. E talvez o mais preocupante seja a velocidade vertiginosa a que os países que já estão no topo da tabela estão a desenvolver os seus sistemas educativos, tanto escolares como universitário, assim como os investimentos que estão a fazer na sua infraestrutura e economia, o que vai resultar em mais dinheiro a entrar nos cofres do Estado, o qual poderá, e certamente será, reinvestido em ainda maiores avanços na educação- e nesta área, mais uma vez, países que já estão no topo e que demonstram ou taxas de crescimento económico elevadas (como a Coreia do Sul e o Vietname), ou que já são superpotências económicas (como a China e o Japão), ou que estão em óbvia ascensão geopolítica (como o Irão), têm todas as condições não só para permanecerem no topo da tabela, mas poderão até consolidar a sua posição no topo da tabela do QI médio e até aumentar o avanço que têm para com os outros países.
A minha previsão pessoal é que o Vietname irá ascender rapidamente para a 8ª posição, e que a distância que os países neste novo Top 8 terão para com o resto do mundo será cada vez maior…
Porém, muitos Portugueses continuam a olhar para muitos destes países, que estão largamente à nossa frente em várias áreas do seu desenvolvimento, de forma condescendente, arrogante e desnecessariamente negativa, quando de facto os deviam admirar. Se fossemos verdadeiramente inteligentes e pragmáticos, iriamos certamente imitar muitas das características culturais destes países e adoptar muitas das suas políticas públicas assim como deveríamos inserir muitas das componentes dos aparatos Estatais destes países no nosso próprio Estado. Em vez disso, a população geral, em grande parte por culpa dos seus meios de comunicação que tanto promovem a estupidificação da sua população, fazem com que tenhamos um desdém generalizado por países pelos quais deveríamos de facto nutrir uma profunda admiração.
Portugal tem, então, muitas reformas a fazer e muito caminho a percorrer. E a existência de forças políticas como a direita neoliberal, como a Iniciativa Liberal e o PSD, que querem enfraquecer o Estado Social, desvalorizar a educação pública e enfraquecer a saúde fiscal do país, e também da direita neofascista, como o Chega, que simultaneamente tenta estupidificar a população através do uso constante da mentira para fins políticos, e que muitas vezes também apoia as políticas neoliberais (mas nem sempre, como constatamos no chumbo do Chega da vil e retrógrada tentativa de passar o “pacote laboral”, que devia ser chamado de “pacote da desgraça neoliberal”), continuarão certamente a serem forças políticas cujo contributo será negativo para a evolução educacional, intelectual e cognitiva de Portugal.
Temos que constatar também que os países no topo da lista que são ultra-capitalistas, como o Japão e a Coreia do Sul, têm sistemas de educação pública fortíssimos, sendo que o capitalismo Oriental não desvirtua a capacidade que o Estado tem para contribuir positivamente para a educação da população.
O caminho a fazer é óbvio- e no nosso caso a orientação política correcta tem que ser no mínimo Social-Democrata (no velho sentido do termo), mas mais obviamente, deve ser Socialista. O Estado tem que apostar na educação, sem dúvidas nem condições nem atrasos, e a população geral tem que desenvolver uma obsessão tão forte, ou mais forte ainda, pela educação e pela capacitação técnica como aquela que vemos nos povos do extremo-Oriente.


É preciso ter em conta outros factores quando se analisa o QI.
Um dos fatores a ter em conta é a Variância (Etnia); outro é o coletivismo.
Pelo que eu estou a ver, os países europeus poderiam ter das populações mais inteligentes, se adoptassem uma cultura mais coletivista. Mas, ter um país intelectualmente medíocre também interessa à Plutocracia Internacional.