As Taxas de Aprovação da Nova Direita Estão em Queda Livre

Há cerca de quatro anos, a Nova Direita, à qual chamam no mundo Anglo-Saxónico de Alt-Right, apelidada também muitas vezes de “Direita Populista”, parecia imbatível. A eleição de Trump para a presidência dos Estados Unidos da América prometia uma nova era na política mundial. Muitos previram que esta Nova Direita, caracterizada pelas campanhas de propaganda agressivas, pelo racismo, pelo populismo e pelo oportunismo político óbvio, iria ganhar terreno à escala global- e efectivamente, a curto prazo, esta Nova Direita conquistou várias vitórias políticas e sobretudo, eleitorais. Muitos temiam, e continuam a temer, que esta Nova Direita é uma nova estirpe de fascismo.

Não vamos aqui debater se estas previsões estavam certas ou erradas, nem muito menos vamos argumentar que a ameaça que esta Nova Direita representa para com a liberdade e os direitos individuais não é real- pelo contrário, nesse sentido, a Nova Direita é, e vai continuar a ser, absolutamente perniciosa. Ainda para mais, sem esse mesmo debate, e sem os avisos relativamente à ameaça que esta Direita representa, talvez muitos não se teriam apercebido, e portanto não teriam agido, e muitos mais não agirão, contra a ameaça de um novo autoritarismo que se apresenta um pouco por todo o mundo.

Porém, já era visível no início deste fenómeno que esta nova onda autoritária tinha falhas graves. Primeiro, por estes movimentos dependerem em demasia de líderes ditos “carismáticos”, mas sobretudo por terem demonstrado imediatamente que tanto os seus líderes como os comportamentos que inspiram nos seus seguidores são demasiado vulgares e pouco confiáveis para poderem ser uma alternativa política efectiva na era moderna.

Em suma, esta Nova Direita demonstrou desde muito cedo que não é de confiança, e portanto que aqueles que estão à procura de uma alternativa política não podem, nem devem, confiar nela.

E agora tornou-se finalmente evidente e incontestável- cada vez menos pessoas se estão a deixar enganar por esta Nova Direita populista, oportunista e compulsivamente mentirosa- e as taxas de aprovação dos seus líderes estão a cair de forma vertiginosa.

Alt Right Losing with Angry Emojis Final
De baixo para cima, na direção do ponteiro do relógio- Boris Johnson, Viktor Orbán, Matteo Salvini, Donald Trump e Jair Bolsonaro.

O maior símbolo desta Nova Direita é Donald Trump. Venceu as eleições Presidenciais de 2016 contra a expectativa da maioria dos comentadores políticos, é verdade, mas continua a ser uma personagem muitíssimo fácil de criticar e até gozar, e só venceu, e provavelmente irá vencer outra vez as eleições Presidenciais, por causa de uma séria falta de oposição à altura pela parte do Partido Democrático. Mas mesmo tendo em conta a fraca oposição política, a popularidade de Donald Trump está a descer.

Entretanto surgiu um outro sério candidato para se tornar no símbolo principal de todas as falhas da “alt-right” – Jair Bolsonaro. Ele não só tem feito erros crassos do ponto de vista político- a sua prestação como presidente tem sido tão má que cada vez mais pessoas estão a questionar se ele é capaz de continuar a ocupar o cargo. A sua evidente incompetência, sobretudo relativamente à sua resposta perante a pandemia do Corona Vírus, é simplesmente criminosa. E a sua impopularidade é cada vez mais óbvia.

Ora, os dois grandes símbolos da Nova Direita, assim como outros líderes reconhecíveis deste movimento, estão com taxas de aprovação cada vez mais baixas, enquanto que o número dos que desaprovam dos respectivos partidos está a subir de forma impressionante num espaço de tempo relativamente curto.

Taxas de Aprovação em Queda Livre

Em Junho de 2020, Donald Trump tornou-se no Presidente dos Estados Unidos da América com a taxa de desaprovação mais alta da história do país, com 54.2% das pessoas a terem uma opinião negativa sobre o seu desempenho. Outros números apontam para uma taxa de desaprovação na ordem dos 53%. De qualquer forma, uma coisa é óbvia- o período de lua de mel de Trump acabou há muito tempo, sendo que foi em Fevereiro de 2017 a última vez que teve uma taxa de aprovação positiva, como demonstra o gráfico em baixo. A partir daí, consistentemente, os números demonstram que existem mais pessoas que não gostam dele do que as que gostam.

Donald Trump Dissaproval Ratings

Jair Bolsonaro teve uma ascensão política fulgurante, tendo ganho as eleições para a Presidência do Brasil em 2018. Agora, a caída da sua taxa de aprovação é igualmente fulminante. Não demorou muito tempo para que houvessem alguns índices da caída da sua popularidade- de Janeiro de 2019 a Março de 2019, as taxas de aprovação de Bolsonaro desceram consideravelmente.

Taxas de Aprovação Bolsonaro II

Mais recentemente, em Abril de 2020, vários jornais noticiaram que a sua popularidade estava a baixar ainda mais. E segundo um estudo feito a 25 e 26 de Maio de 2020, a percentagem de pessoas que pensam que Bolsonaro está a fazer um “péssimo” trabalho como Presidente subiu de 30% para 43% em somente um ano. Ele parece manter uma base de apoio relativamente fiel, mas uma parte cada vez maior de indecisos que pensavam que estava a fazer um trabalho “regular” há um ano (33%) está mudar de ideias (representando agora somente 22% dos Brasileiros), enquanto que os que pensam que está a fazer um trabalho “ruim” ou “péssimo” aumentou, e muito.

Taxas de Aprovação Bolsonaro

Bolsonaro está a ter um desempenho tão mau como presidente que o argumento que ele deveria ser processado por crimes contra a humanidade está a ganhar peso.

O percurso de Boris Johnson não tem sido muito diferente do de Bolsonaro. Pelo contrário- em Maio de 2020, sondagens demonstravam que mais pessoas não gostam dele do que as que gostam. Segundo o Yougov.co.uk, 43% têm uma opinião negativa, comparativamente aos 39% que têm uma opinião positiva.

Boris Johnson Approval Ratings

A evolução da sua popularidade, ou neste caso, falta dela, tem seguido o mesmo padrão dos seus aliados da Nova Direita- está a cair a pique. De Abril a Maio de 2020, caíram de 30% para 23% os que acreditam que o seu desempenho tem sido “muito bom”, enquanto que os que dizem que está a ter um desempenho “muito mau” subiu dos 13% até os 19%.

Boris Approval Ratings

E foi no princípio de Junho de 2020 que as suas taxas de aprovação mais caíram. O Daily Mail, o mesmo sendo um jornal associado à ala de direita mais reacionária e racista do Reino-Unido, teve que admitir que a aprovação de Boris Johnson caiu quarenta pontos recentemente, tornando-se agora negativa, sendo que até pouco tempo era positiva. Só entre Abril de 2020 e Junho de 2020, a taxa de desaprovação de Boris subiu dos 21% para uns incríveis 44%, enquanto que os que aprovavam da sua governação baixaram dos 59% para os 39%.

Boris Approval Ratings Falling

Mesmo com o seu carisma e sua reputação de ser um líder capaz de sair de situações difíceis, Boris Johnson parece estar a conseguir enganar cada vez menos eleitores Britânicos.

Matteo Salvini continua a ser o líder do partido com maior aprovação na Itália- mas o apoio da “Lega” tem vindo a cair drasticamente, como podemos ver no gráfico em baixo (linha verde).

Matteo Salvini Approval Ratints

De todos os líderes da Nova Direita Populista, só Viktor Orbán tem sido a exceção nesta caída de popularidade generalizada- a sua taxa de aprovação tem-se mantido consistentemente por volta dos 50%.

Viktor Orban Approval Ratings

André Ventura seguirá certamente o mesmo caminho

Usando estes exemplos, podemos prever o que irá acontecer a André Ventura. Está em fase de ligeira ascensão nas suas taxas de aprovação e popularidade- se bem que não tanto quanto por vezes parece nas redes sociais, dado que muitos dos comentários que parecem apoiá-lo são escritos através de contas falsas, como demonstrou a reportagem da Visão– mas o seu percurso seguirá certamente este mesmo padrão. O seu aproveitamento de controvérsias fáceis assim como a tendência para aproveitar estes momentos, que lhe dão algum destaque nas redes sociais, para espalhar as suas ideias e posições concedem-lhe pequenos surtos de popularidade, mas estes eventos são efémeros e pouco consistentes. A sua dependência na mentira e desinformação, assim como no uso do racismo, discriminação e insultos para com os seus adversários políticos irá certamente fazer com que lhe aconteça, mais cedo ou mais tarde, o mesmo que está a acontecer a Donald Trump, Jair Bolsonaro, Boris Johnson e Matteo Salvini- a sua popularidade está destinada a cair a pique. E como o resto dos líderes da Nova Direita, já demonstrou que a sua resposta perante problemas como a pandemia do Corona Vírus é ridiculamente inconsistente e claramente desonesta.

Bases Fracas, Oportunismo Barato, Mentiras Constantes…

Uma das marcas desta Nova Direita é a sua dependência quase absoluta em breves momentos de atenção mediática e pequenos picos de popularidade provocados por eventos virais nas redes sociais. Mas esta dependência em reações controversas e agressivas e a aposta nas opiniões alegadamente “incómodas” relativamente a certos acontecimentos, por muito que seja adaptada à era da Internet e da capacidade de atenção cada vez mais curta dos eleitores, tem as suas limitações claras. Estes movimentos não têm uma espinha dorsal ideológica coesa nem conseguem ter soluções funcionais para problemas reais. Pelo contrário, são baseados em opiniões que são formadas e divulgadas ao sabor do vento, e cada vez mais as pessoas começam a associar este tipo de estratégias ao oportunismo político fútil e à corrupção política- precisamente aquilo que a Nova Direita diz querer combater. Esta contradição não demora muito tempo a vir à superfície, e tem um resultado inevitável- o esvaziamento da base de apoio inicial, ou pelo menos, uma subida rápida do número de pessoas que desaprovam destes movimentos, dos seus líderes e os seus partidos.

Quando são confrontadas com crises reais, como no caso da pandemia do Corona Vírus, a incapacidade da Nova Direita de ter respostas reais a problemas graves torna-se ainda mais evidente. E talvez seja esta a maior fraqueza desta Nova Direita- a sua dependência total do oportunismo a curto prazo, e a resultante incapacidade de resolver problemas que afectam aqueles que os apoiam inicialmente.

Ainda para mais, para manter a atenção e apoio das suas bases, é preciso um trabalho constante. Os seus líderes têm que estar sempre atentos aos últimos acontecimentos, às últimas notícias, e inventar no momento uma reação que provoque a maior reação possível. Ficam então sem tempo para o trabalho sério de investigação, nem muito menos para o pensamento profundo que é necessário para encontrar novas soluções para os problemas complexos que o século XXI nos apresenta.

Tudo isto aponta numa só direção- a Nova Direita, como a mentira, tem perna curta. Tem sucesso a curto prazo. Mas é fugaz, e como uma estrela cadente, irá extinguir-se certamente depois de um breve período de brilhantismo e mediatismo.

One comment

  1. Sr. João Silva Jordão…
    Pelo que escreve, sempre com tendências ao ONTEM, não apresentando NOVAS PERSPECTIVAS, talvez por ser realmente muito difícil, pois o SER HUMANO é sempre MUTÁVEL, buscando, mas não encontrando o CAMINHO IDEAL, em virtude das fraquezas dos seres humanos, principalmente daqueles que conseguem chegar ao PODER, parece razoável concluir que SÃO TODOS FARINHA DO MESMO SACO.
    Para chegar ao PODER, dizem e pregam o que precisar, porém depois que conseguem, o PODER, só buscam sua AUTO PROTEÇÃO e o ENRIQUECIMENTOSEU E DE SEUS GRUPOS, buscando manterem-se no PODER, e o povo, bem o POVO, que se LIXE, deixando-lhe e empurrando esse mesmo POVO para uma ÚNICA OPÇÂO: OPTAR POR SEREM VERDADEIROS CORDEIROS. “ISTO JAMAIS DEVEMOS ACEITAR…LUTAR SEMPRE;
    Assim só resta a todos nós, buscar HOJE e SEMPRE lutar pela AMPLA LIBERDADE. Entendo que esta LUTA é a ÚNICA QUE VALERÁ A PENA SEMPRE.
    Só com LIBERDADE AMPLA, HAVERÁ UM REAL PROGRESSO DA HUMANIDADE, FISICO E ESPIRITUAL. A HISTORIA MODERNA E ANTIGA NOS PROVAM ISSO.
    Abraços Jose SERAFIM Abrantes

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