A Pedofilia é Sempre Errada, sem Exceções

Estamos a constatar a ascendência, ou talvez somente a subida à luz do dia, de pessoas e grupos que defendem a pedofilia. Existem muitos debates que devemos ter na nossa sociedade. Alguns serão contraintuitivos. Alguns vão questionar algumas das coisas que pensamos serem mais óbvias e elementares.

Mas este não é um deles.

Não há debate a ter sobre a pedofilia.

A pedofilia é sempre errada, sem exceções.

No caso da pedofilia, ajuda muito o facto de a própria palavra ter dentro de si a explicação do porquê deste desejo e ato serem, por definição, errados, eticamente indefensáveis, e criminosos.

Vamos por partes. Etimologicamente falando, ou seja, no que toca o estudo da proveniência das palavras, e desta especificamente, a palavra “pedofilia” é uma palavra composta por duas palavras originais- “paedo” (ou pedo) e “philia”, a junção das quais resulta em “paedophilia”.

“Paedo” vem do Grego “pais” e significa “criança”. “Philia” é também uma palavra de origem Grega e significa “amar” ou “afecto” (por vezes fraternal). Porém percebemos facilmente que a palavra “amar” aqui não aponta para um amor genérico, que pode significar tanto amor romântico e/ou sexual como pode indicar compaixão, apreciação, carinho, instinto protetor, etc. – na palavra “paedophilia”, “philia” é claramente um eufemismo que indica “sexo”. Ou seja, “pedofilia” é o ato de ter sexo com crianças, e o pedófilo é aquele que tem, ou quer ter, relações sexuais com crianças.

Agora vamos definir a palavra “criança”. Há uma coisa e uma coisa só que separa as crianças dos adolescentes e dos adultos- a falta de maturidade sexual. E o que é que põe termo à fase de “criança”? A puberdade, ou seja, o começo do período longo e tumultuoso em que o adolescente vai começar e desenvolver características sexuais. Antes disso é um ser humano assexual (o que significa “não-sexual”). Ou seja- é uma criança. Querer ter sexo com crianças é como querer dar um mergulho no deserto do Sahara. É estupido. É parvo. É não perceber a logística básica da situação em questão- somente com a agravante ética e social muitíssimo importante- precisamente porque envolve o abuso de uma criança inocente pela mão de um adulto disfuncional. É um crime para com vítimas inocentes, a maior parte das vezes indefesas, que se abate sobretudo sobre as crianças mais desprotegidas e perpetuadas pelas pessoas mais predatórias, doentes e cobardes.

Constatam-se cada vez mais tentativas de sexualizar as crianças, seja na comunicação social, no mundo do entretenimento ou até no mundo da academia, filosofia e jornalístico. Um dos exemplos mais gritantes daquilo que pode ser considerado como uma apologética da pedofilia aconteceu durante uma palestra TedX de Maio de 2018, dada por Mirjam Heine, com o título “O porquê da necessidade de mudar a nossa perceção da pedofilia”, durante a qual a mesma define a pedofilia como uma “orientação sexual que não pode ser mudada”. Mas mesmo esta palestra, a qual parece entretanto ter sido removida do canal YouTube TED, por muitos elementos questionáveis que tenha é, mesmo assim, lúcida o suficiente para afirmar: “Deixem-me ser clara- abusar de crianças é sempre errado…”- como aliás menciona o artigo da Snopes dedicada a esta palestra, artigo este da Snopes que confirma que a palestrante alegou que a pedofilia é uma “orientação sexual que não pode ser mudada”.

A autora da palestra usa, para apoiar a sua tese, artigos científicos que supostamente demonstram que é impossível fazer com que um pedófilo não tenha o desejo de ter sexo com crianças. Mas o problema está, obviamente, noutro elemento, nomeadamente, no uso do termo “orientação sexual” para definir a pedofilia, sendo que o problema da utilização deste termo é mais do que óbvio- numa sociedade em a tolerância e respeito pelas variadas orientações sexuais presentes na sociedade se tornou um imperativo ético, e em muitos casos, legal, por exemplo no que toca as oportunidades de emprego, etc., definir a pedofilia como “orientação sexual” em vez de “distúrbio”, “doença”, disfuncionalidade sexual”, etc. vai levar naturalmente a que a pedofilia comece a ser vista como algo que devemos tolerar, aceitar, e porque não já agora, vai levar a que seja esperado de todos nós que tenhamos compaixão pelos pedófilos. Isto constitui, obviamente, uma pista deslizante que só leva a um lugar que nenhuma sociedade sã quer chegar- a legalização e normalização da pedofilia.

Mas nalguns quadrantes, a apologética da pedofilia começa a ser direta e desenvergonhada. Provocatória, certo, mas claramente sincera na sua intenção de começar, lentamente, a questionar a proibição da pedofilia usando os mais variados métodos e argumentos.

E não são só Tweets pontuais de pessoas que parecem algo desequilibradas que fazem a apologética da pedofilia e a sexualização das crianças. O mais recente episódio da óbvia tentativa de sexualizar crianças usando como cobertura a suposta crítica do puritanismo e fundamentalismo religioso é um filme da NetFlix chamada “Cuties”, o que quer literalmente dizer “Fofinhas”, ou talvez mais especificamente “Giras”, um termo muitas vezes usado num contexto claramente sexual. Adicionando a isso o facto das crianças em questão terem 11 anos, e o material de promoção do filme tentar claramente usar a sensualização de crianças de uma forma altamente doentia e perversa como estratégia de Marketing levou a uma legitima multiplicação de críticas a qual por sua vez levou a um pedido de desculpas da NetFlix. O filme, porém, não foi removido, e provavelmente não vai ser.

Para uma sociedade em rápida decadência na qual “questionar tabus”, e sobretudo, “questionar tabus sexuais” se tornou numa alegada virtude, a pedofilia é a ultima fronteira a atravessar, a ultima barreira a abolir para aqueles que tentam fazer passar a degeneração ética e a disfuncionalidade sexual por um sinal de progresso, quando de facto é todo o seu contrário.

Calmamente, sem sensacionalismo, sem controvérsias desnecessárias, é urgente bloquear imediatamente o caminho daqueles que, por uma razão ou outra, teimam em querer projetar os seus profundos traumas psicológicos para cima das crianças- abusando-as, sexualizando-as, tentando aproveitar-se da sua inocência, tentando contaminar tudo à sua volta, dando prioridade à tentativa de destruir o que é mais belo e puro no mundo.

E uma das coisas que temos que fazer é precisamente recusar, em toda a linha, participar em debates sobre a natureza da pedofilia, debater se a pedofilia está errada, ou não, se deve ser aceite, ou não.

Não há debate. Não há ambiguidade. A pedofilia é sempre errada, nojenta, criminosa e repreensível, por definição.

João Silva Jordão

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