Será a Candidatura Ventura Apenas um “Fart” Fascista Neo-Trumpista?

Com todas as faltas de ética que tem usado na sua campanha, André Ventura é o candidato com menos diplomacia que tem aparecido na política portuguesa. Um Donald Trump wannabe, mas sem os negócios milionários deste e um copycat de Jair Bolsonaro, sem o seu poder de influência. O candidato pelo CHEGA apresenta-se como o defensor da Verdade e da Justiça. A mesma bandeira que ergueram muitos candidatos fascistas internacionais e Salazar, em Portugal. Basta ver a ideologia do Partido da Direita Portuguesa / Movimento Independente para a Reconstrução Nacional (MIRN), dissolvido oficialmente em 1997, que Ventura tenta agora ressuscitar dos túmulos do passado: nacionalismo, neo-salazarismo, integralismo lusitano, conservadorismo nacional, populismo de direita, protecionismo e corporativismo.

Mas estes valores são aqueles que as famílias “benzocas”, eruditas, da nobreza, ou da aristocracia portuguesa defendem. Ou seja, desde que ao povo sejam retiradas todas as regalias e que “eles”, os ricos, concentrem em si todos os privilégios. Essa estratégia existe desde os primórdios da civilização e foi, infelizmente, até ao século XX a grande tendência dominante. Mas as guerras e revoluções ocorridas no século passado serviram exatamente para imprimir uma mudança social. E ainda que hoje em dia sejam muitas as injustiças sociais (que continuarão a existir sempre), é visível uma progressão resolutiva positiva global. Há gigantescos desafios, mas que só encontrarão solução com uma estratégia de União, Multilateralismo e Cooperação. Do tipo da que Joe Biden propõe. Não o contrário. Não o que nos propõe o líder do CHEGA, que tenta utilizar estratégias de marketing político parecidas com as que Trump utilizou para estar todos os dias no noticiário.

O neo-trumpismo de Ventura passa por estratégias castradoras, não só fisicamente, mas sobretudo castradoras da liberdade e dos direitos fundamentais defendidos por muitas constituições, mundialmente. Tal como Trump fez quase tábua rasa da Constituição dos Estados Unidos da América, em apenas quatro anos, surpreendentemente com o apoio de quase metade da população norte-americana, assim quer o candidato do CHEGA, apagar os últimos 50 anos da história do povo português, para nos fazer regressar ao eldorado dos ricos nacionalistas neo-fascistas e neo-salazaristas. Muito ofendido por ter sido adjetivado de fascista, ou seja, ofendido com os próprios valores que apregoa, o candidato tenta agora desesperadamente substituir os seus cognomes associados a esta direita bolorenta e saudosista, por um mais europeu: Direita Populista.

Mas os seus apoiantes, que tentam a todo o custo defender as suas fortunas, muitas delas conseguidas à custa da exploração dos mais pobres no tempo de Salazar e dos seus negócios em paraísos fiscais, não escondem as suas bandeiras e estandartes, tal como o fizeram os soldados de Trump que invadiram o Capitólio e que acreditaram que isso bastaria para mudar o resultado de eleições livres. Ventura grita com a esquerda para impressionar as hostes do CHEGA, que conseguiu hipnotizar com o seu apelo à destruição dos direitos fundamentais da atual Constituição. E as hostes obedecem, como obedeceram os invasores do Capitólio que agora estão a ser presos às dezenas e que serão julgados. Também o nosso “populistazinho” de trazer por casa, o nosso candidato “popularucho” quer que os seus apoiantes o empurrem ao poder, a este tipo de poder desregulado e afastado da Lei Constitucional, aquela que defende os mais desprotegidos, instituída depois do 25 de Abril.

O que Ventura quer é, essencialmente, assumir-se como um contrapoder (objetivo que ele próprio reconhece) do Bloco de Esquerda que se constituiu na terceira força política portuguesa em poucos anos, graças a um trabalho sistemático na área social, de grupos étnico-sociais desprotegidos. Tudo o que Ventura propõe é o exato oposto do BE, tal é a sua falta de imaginação para criar um programa político com pés e cabeça. A falta de propostas políticas sérias do CHEGA leva às discussões absurdas e ataques pessoais do seu partido nos famosos jantares onde não são minimamente respeitadas as regras de distanciamento de segurança exigíveis em tempo de pandemia. Ventura sonha ser um novo Salazar, o político que em 1933 exigiu concentrar em si todos os poderes, criando uma nova Constituição a que chamou “Estado Novo” (para isso contou votos em branco e abstenções como votos a favor) para levar Portugal onde levou: ao empobrecimento dos mais pobres e ao enriquecimento dos mais ricos.

Apoiado pelo dinheiro das poderosas famílias de direita, os mesmos que acreditaram no MIRN no pós-25 de Abril, que teve poucos anos de vida (1979-1997), o candidato do CHEGA utiliza técnicas de propaganda subversivas de todos os tipos (bem noticiadas nos últimos meses, como o caso do “cigano falso” e da cigana que falou mal dos costumes ciganos), técnicas que não são mais do que marketing político para, tal como Trump, estar sempre nos noticiários. Mas este tipo de estratégia, muito utilizada no século XX já não pega muito bem na sociedade do século XXI, que leva um outro rumo, mais ética, mais social, mais igualitária e mais inclusiva. Esta tentativa desesperada das famílias de direita tentarem salvaguardar as suas fortunas, guardadas religiosamente em paraísos fiscais, parece ser um “fart” da direita envelhecida neo-salazarista que tenta, como tentaram os trumpistas, usurpar direitos fundamentais conquistados pela luta dos partidos de esquerda.

O que o século XXI precisa, não é de direita nem de esquerda. Precisa é de trabalho de equipa, cooperação e soluções “smart” para os grandes desafios da sustentabilidade, da ecologia e da pobreza. Valores que o CHEGA e o candidato Ventura jamais defenderão. Por isso, parece estar condenado ao mesmo destino de Trump. Com a diferença que nunca será eleito para nada. E por isso, a sua estratégia, mais parece ser um “fart” fascista das famílias que prosperaram no tempo de Salazar, que se encontra morto há 50 anos. Mas na sociedade moderna deste século, aquela que vive a realidade contemporânea, “we need smart, not fart”.

Texto de Pedro M. Duarte

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