Imensos Homens de Esquerda Estão Psicologicamente Destruídos. Porquê?

Cada vez mais chego à conclusão seguinte- Quase todos os homens que ainda não fugiram dos circuitos de ativismo de esquerda estão psicologicamente destruídos. Porque será?

Tenho uma visão sobre a matéria algo “privilegiada”, sendo que eu próprio frequentei, e até me tornei numa figura com algum destaque, neste mesmo meio ativista de esquerda em Lisboa, sobretudo entre os anos de 2011 e 2015, anos durante a qual os circuitos de ativismo se debruçavam sobretudo sobre questões como a análise e crítica da dívida pública, ativismo pro-Palestina, e claro, contestação das medidas da Troika e organização contra a implementações dessas mesmas medidas. Mas tudo mudou com a importação da dita “guerra cultural” Americana, a qual tem toda uma outra série de prioridades, nomeadamente, questões amorosas, hormonais e sexuais, um tema que eu abordo extensivamente no artigo “Sexo, Drogas e Pseudo-Ativismo”.

Outra razão pela qual eu tenho uma visão privilegiada sobre o assunto é precisamente porque ainda tenho imensos amigos e amigas que ou frequentaram, ou ainda frequentam esses circuitos, e o facto de eu 1. ser homem e 2. estar aberto a discutir, debater e ouvir este tipo de discussões com uma mente aberta, faz com que receba constantemente relatos em pessoa que muitos não ouvem precisamente porque estes homens (que eu caracterizo como estando “psicologicamente destruídos”) se sentem à vontade a falar comigo.

Voltando à questão principal “Quase todos os homens que ainda não fugiram dos circuitos de ativismo de esquerda estão psicologicamente destruídos. Porque será?”, atrevo-me a dar uma resposta simples e breve, em formato de pergunta retórica:

Será que tem algo a ver com o facto dos circuitos de ativismo de esquerda não somente terem normalizado, mas terem feito com que uma das suas principais bandeiras ideológicas seja a constante propaganda misândrica, a expetativa de que os homens devem ter uma postura apologética por serem homens, as constantes tentativas de chantagem psicológica, e o facto dos homens que frequentam estes circuitos depois estão sujeitos a relações amorosas inexistentes ou tendencialmente doentias com as suas “camaradas”?

Os homens que eu conheço que não fugiram a sete pés dos circuitos de esquerda estão quase todos muitíssimo infelizes, com vidas amorosas destruídas ou inexistentes, e muitos estão medicados de uma forma ou outra, seja através de drogas legais, ilícitas ou ilegais. Esta realidade constata-se facilmente, vê-se no dia, mas no maior caso estes homens não dizem o que estão a passar e sofrer abertamente… Mas muitos a mim até vão dizendo porque sabem que eu os ouço, e não julgo… Mas é uma realidade visível para todos, para quem tiver pronto para a ver.

Quando me refiro a “circuitos de ativismo de esquerda”, estou hoje em dia, neste contexto, a referir-me não somente aos mesmos em que eu andava quando a esquerda dita “radical” ainda tinha como prioridade principal a abordagem de questões sérias e importantes como a dívida pública, a contestação da Troika, manifestações pro-Palestina ou anti-guerra, mas também cada vez mais da esquerda centro, a qual não ficou imune das dinâmicas da dita “guerra cultural”. É notório que até a esquerda do centro cada vez mais também se dedica a questões puramente hormonais, culturais e sexuais, ao contrário da dita “esquerda rija” de há 10 anos, a qual foi entretanto maioritariamente substituída pelo seu filho bastardo, que é uma versão ainda mais degenerada da esquerda estudantil que protagonizou as revoltas de Maio 68, e que por sinal também já tinha a característica de querer substituir prioridades como o ativismo anti-guerra e anti-pobreza pela abordagem de questões sexuais e hormonais.

Quando uso o termo “destruição psicológica”, estou-me a referir ao que vejo à minha volta, e o que vejo à minha volta é que os homens que ainda não fugiram a sete pés destes circuitos andam constantemente deprimidos, tendem a ser medicados, com a vida destruída ou quase, e passam as suas vidas pessoas como reféns de relações tanto de amizade como amorosas absolutamente tóxicas, sendo talvez a relação mais tóxica de todas a relação com a nova esquerda ultra-degenerada e a sua incapacidade de se afastar dela.

Pessoalmente, comecei a fugir por volta do ano 2015, e foi a melhor coisa que fiz. Estou muito mais psicologicamente e fisicamente saudável, mais produtivo, cognitivamente mais eficaz, menos irritadiço, larguei todo o consumo de substâncias nocivas, e o que constato à minha volta é que os homens que não se conseguiram afastar e que de alguma forma continuam a tolerar as faltas de respeito constante de que são vítimas não conseguiram entretanto andar muito com a vida para a frente, enquanto que os que se afastaram tendem a conseguir construir a sua vida de uma forma muito mais saudável e estável.

Um outro elemento é que vê-se que os homens que ainda estão reféns destes circuitos cada vez mais fazem e dizem coisas sem nexo, contra-producentes e autodestrutivas numa tentativa (fútil) de ganhar o respeito das suas “camaradas”, mas quase inevitavelmente depois só se afundam ainda mais na sua depressão e disfuncionalidade, a um ponto que chega a meter-me alguma pena.

O paradoxo desta foto, tirada de um vídeo filmado durante um confronto entre manifestantes nos EUA, é o seguinte- o homem que disse esta frase, “You’re a Fucking White Male”, que se pode traduzir vagamente como “és um homem branco, caralho!” é ele próprio é um homem branco. E portanto, talvez sem saber, está a debitar uma frase que inclui uma certa dose de ódio a si mesmo, pensando que está a ser um grande herói, quando de facto está a fazer o papel de um pseudo-mártir a percorrer um caminho da auto-destruição potencialmente fútil

Alguns podem dizer que os homens de esquerda estão neste estado deplorável por causa dos males sociais gerais. Poderá ser verdade. Somente que se pode dizer que estamos todos a sofrer destes males- somente os homens nos circuitos de esquerda sofrem com os males sociais que nos afetam a todos, e em cima disso, sofrem com estas relações doentias das quais não se conseguem livrar, adicionando então mais uma camada de sofrimento às várias outras já existentes. E por isso é que, pelo menos segundo o que constato, tendem a ser muito menos saudáveis, tanto fisicamente como psicologicamente, do que os homens médios.

Em conclusão, no contexto da guerra cultural Americana e a emergência de um feminismo cuja misandria é cada vez menos desenvergonhada, os homens que ainda estão reféns dos circuitos de ativismo de esquerda vivem num contexto pessoal cada vez mais deprimente e patológico o qual é propício para a proliferação de patologias mentais e um estado geral de desconforto e mal-estar. Para os homens, estes contextos são lugares em que encontram pouco mais do que uma total falta de amor, compaixão e compreensão, culpabilização constante, o estigma constante por serem homens, e chantagem psicológica constante. De um ponto de vista filosófico, esta nova onda de misandria doentia pode ser interpretada como uma espécie de reemergência do conceito do pecado original, somente desta vez empacotado com uma embalagem “progressiva”, adaptado às patologias da esquerda moderna, em que o homem (literalmente falando, o macho) herda uma culpa que não está de forma alguma ligada a algo que ele fez individualmente, mas pelo qual deve pedir desculpa, sendo-lhe proposto a “solução” que passa pela prática do auto-estigma e auto-critica constante, uma “desconstrução” que nada mais é do que o desmantelamento da sua auto-confiança e a destruição total da sua espinha dorsal psicológica, uma emasculação metódica na qual ele deve participar através de constantes atos de auto-castração, simbólicos ou literais.

É expectável que qualquer homem que se sujeite a isto muito rapidamente se torne numa pessoa muito pouco saudável e concretizada. Pessoalmente não percebo porque tantos homens ainda se sujeitem a isto, sendo a única possível explicação que encontrei até agora uma profunda falta de auto-estima e potencialmente a presença de reflexos de auto-destruição, ou talvez mesmo até um sado-masoquismo latente.

João Silva Jordão

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Uma resposta

  1. Embora possa reconhecer alguma razoabilidade nos desabafos do João, defendo que a problemática é mais grave e mais profunda. O João limita a sua análise a questões puramente subjectivas e psicológicas. Nunca alinhei com as limitações dessas perspectivas pessoais ou pessoalistas, como que imunes aos contextos socio-políticos, até porque são estes que determinam tudo o resto ou quase. No caso presente, a frustração das esquerdas (termo que o João estranhamente nunca usa) tem a ver com um facto que o texto aborda mas não aprofunda. Refiro-me é claro ao abandono das causas realmente estruturantes e revolucionárias, aquelas que abalam as estruturas do sistema, em favor de posturas cada vez mais integradas no status quo, mais comestíveis ao sistema, na vã tentativa de daí recolher algumas hipotéticas migalhas. Naturalmente que este amansamento não é apenas uma questão pessoal, mas sobretudo atravessa as instituições, partidos e movimentos. Claro que este recuo, esta aliança aberta ou encapotada ao inimigo, cria um vazio que teria de ser preenchido com alguma coisa. Algo que pareça progressista, mas que não ponha o sistema em causa. Daí a crescente aderência às políticas identitárias que alguns gostam de apelidar de fracturantes, mas que de facto não fracturam nada. Fracturante seria a participação na NATO ou na UE, por exemplo. Assim a cultura do identitarismo, principalmente nas versões mais sectárias e divisionistas do mesmo é agradável às elites mandantes. Na verdade, o capitalismo come disso ao pequeno almoço e adora que esses activistas de vão de escada se descabelem nessas passeatas do orgulho gay e nas seitas pseudofeministas que se pelam por cultivar as diferenças em vez de lutar pela unidade.

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