A Vida Pós-Covid: Afinal Estamos ou Não Condenados?

Enquanto os stream media e governos da maioria dos países tentam desmentir notícias e investigações que afirmam que o novo coronavírus foi “construído” em laboratório, Trump afirma em conferência de imprensa ter provas de que o vírus veio de um laboratório de Wuhan. Mas pior do que as versões contraditórias da sua origem, é a questão do vírus per se. Nas últimas semanas têm saído notícias preocupantes sobre a evolução da pandemia e sobre o seu grau de mutabilidade. No passado dia 6 de maio foi anunciado que o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) tinha identificado pelo menos 150 mutações diferentes do vírus desde Wuhan até Portugal. Em colaboração com o Instituto Gulbenkian da Ciência e do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde foi possível efetuar a sequenciação do genoma do SARS-CoV-2 o que levou a identificar com precisão a impressão digital deste coronavírus. Este genoma permite também identificar clara e inequivocamente, num determinado doente infetado, toda a sua linha de transmissão e respetiva origem.

Mas enquanto em Portugal se identificam 150 preocupantes variações diferentes que podem dificultar a criação de uma vacina, na Irlanda, no mesmo dia, cientistas da Universidade de Glasgow desmentem a existência de várias estirpes, num documento publicado na revista Evolution. Oscar Maclean, médico de um dos centros de investigação da Universidade esclareceu que é comum os vírus, acumularem mutações ou variações na sua sequência genética à medida que se transmitem entre a população. No entanto, isso não significa que a maioria dessas alterações tenham algum efeito sobre a biologia do vírus ou sobre a agressividade da doença que gera. Mas a investigação de Glasgow vai mais longe. Registou 7.237 mutações do agente patogénico o que, na realidade, é uma taxa de evolução relativamente baixa para um vírus de material genético ARN (vírus que usam ácido ribonucleico como material genético). Com a evolução da pandemia são esperadas ainda mais mutações sem que isso tenha reflexo na biologia do vírus.

Certo é que o novo coronavírus não é apenas uma “gripezinha”. Ataca fortemente a população sénior por terem o sistema imunológico e os pulmões mais fragilizados, permitindo ao vírus infiltrar-se na circulação e mais rapidamente chegar aos pulmões onde agrava alguma inflamação aí existente. Doentes diabéticos, hipertensos ou com cancro têm os seus neutrófilos enfraquecidos por estas doenças crónicas ou prolongadas. Além destes ainda os casos de demência ou outros problemas neurológicos; estes doentes não percebem ou não têm força para tossir ou expelir a secreção respiratória acumulada na garganta. Também doentes com problemas cardiovasculares tomam medicação para bombear o sangue, o que acelera o processo de propagação da contaminação aos pulmões. De uma maneira geral, pessoas com mais de 60 anos de idade têm um sistema imunológico mais deteriorado e enfraquecido, aquilo a que se chama imunossenescência o que reduz ainda mais a resposta do organismo aos vírus e bactérias. Por outro lado, na população infantil ataca crianças com problemas pulmonares. Foi também identificado em várias crianças positivas para a Covid-19 sintomas do Síndrome de Kawasaki, pouco comum, que se resume num estado inflamatório multissistémico o qual requer cuidados intensivos. Os sintomas incluem febre alta que dura cinco dias ou mais, erupções cutâneas e glândulas inchadas no pescoço, mas que se caracteriza também pela inflamação dos vasos sanguíneos em todo o corpo.

Mas para além da questão da idade, a questão da raça também têm suscitado dúvidas quanto a maior ou menor propagação da doença. Crianças latinas nos EUA têm sido mais vulneráveis e a população negra e latina, para escalões etários de adultos, tem sofrido quatro vezes mais contaminação do que as restantes etnias, quer nos EUA quer no UK. Da mesma maneira foi observado como mais suscetíveis à Covid-19 a pessoas do Bangladesh, Paquistão e Índia com mistura de etnias. Estranhamente até índios no Brasil em aldeias remotas estão a morrer com este novo vírus. Apesar de toda a investigação ainda ser algo complexa pelo carácter mundial que adquiriu, a questão da raça também parece estar associada à natural desvantagem socio-económica destas etnias, relativamente a outras mais prevalentes economicamente, que podem proteger-se com melhor alimentação, desinfeção e proteção. Por isso mesmo este vírus já recebeu o cognome de Vírus da Pobreza e da Desigualdade.

Outro sintoma médico associado ao novo coronavírus foi o que médicos norte-americanos detetaram em pessoas na faixa etária entre os 30 e 40: derrames. Esta situação já é chamada de “fenómenos trombóticos” nos quais se incluem acidentes vasculares cerebrais (AVC), foi detalhada num artigo do Washington Post a 25 de abril. Este fenómeno veio aumentar as variantes da já tão complexa equação deste coronavírus e que estão a complicar a descoberta de uma vacina universal para todos estes casos, tão díspares. Enquanto não se souber mais sobre a sua fisiopatologia será difícil prever todas as complicações que pode causar. O aumento da atividade trombótica associada ao processo inflamatório aumentou em grupos etários que antes não estavam identificados como de risco para este tipo de patologia.

Já vários países e laboratórios falaram em lançar vacinas em breve, mas na realidade tratam-se, na maioria dos casos, de químicos utilizados para outras doenças, como o ébola, que reduzem os efeitos da Covid-19, mas que não foram desenhados a 100% para este vírus específico. O processo é complexo, como mostra a imagem anterior. Além disso colocam-se as questões de ética de não terem sido ainda suficientemente testados para poder disseminá-los pela população mundial, com segurança. Movimentos anti-vacina já estão a crescer por todo o mundo, uns porque dizem que se trata de um mero negócio dos laboratórios, outros porque temem que a cura seja pior que a doença. Certo é que o lobby mundial está a favor da vacina, por razões de evitar maior propagação, o que está a fazer com que algumas as plataformas da internet (Facebook, Youtube, Google) estejam a apagar posts ou vídeos que sejam contra a vacinação. Mas uma vacina mal testada pode resultar em mutações ainda mais perigosas, em tempo real, numa sociedade global e não num laboratório. A capacidade das bactérias resistirem a antibióticos tem sido um problema que a comunidade científica não tem conseguido ultrapassar. O mesmo pode acontecer com este vírus. Uma vacina demasiado “inteligente” pode fazê-lo mutar em algo ainda mais mortal e incontrolável para os humanos, num futuro posterior?

Também foi revelado recentemente outro fator preocupante relacionado com este novo coronavírus: apareceu no sémen de homens em Wuhan. E considerando a morfologia de imunidade privilegiada dos testículos, o vírus pode manter-se no aparelho reprodutor indefinidamente. Justamente ao mesmo tempo que nasce uma vacina para a SIDA, aparece um vírus cuja capacidade de matar humanos, também através de relações sexuais, não distingue nenhum ser humano. Pode ser transmitido até pelo ar. Se bem que a utilização de preservativo pode resolver a questão do contágio via sexual, não protege o contágio por todas as outras formas conhecidas. O que coloca novas questões sobre como vai ser a vida humana pós-Covid-19, também na vertente do relacionamento sexual.

Em Portugal, os dados estatísticos estão também a indiciar que podemos estar a entrar numa 2.ª vaga antes mesmo de sairmos da 1.ª. O que pode vir a complicar o aligeiramento da quarentena durante esta fase de Estado de Calamidade. Afinal de contas esta doença parece ainda estar no princípio. E promete ser um quebra-cabeças para a comunidade médica e científica. Com toda a certeza também vai ser um quebra-cabeças para a sociedade comum, pois caso a vacina não surja até ao início do próximo ano, a economia e modo de vida vão mesmo ter de ser repensados. E apesar de isso poder representar algo positivo a médio prazo, a curto prazo vai criar o pandemónio social. Caos que aliás já causou, decorridos apenas 4 meses. Para já, talvez a melhor solução seja manter-mo-nos saudáveis, através da ingestão de alimentos que reforcem a nossa imunidade e manter uma alimentação equilibrada e nutritiva, de uma maneira geral. Talvez as defesas naturais, não sejam um dom de muitos, mas poderão ser a saída mais imediata para esta crise pandémica.

A somar a todas estas transversalidades da doença, tem sido a polémica dos números oficiais que apontam para 4 milhões de infetados e 280.000 mortos, ao dia de hoje. Segundo várias fontes oficiais, muitos países não estão a contabilizar corretamente ou estão a esconder a verdade dos números. O que significa que a quantificação real possa já rondar o meio milhão de mortos em todo o mundo. Sabendo que os países pobres da América do Sul e de África começaram mais tarde o seu calendário pandémico, tudo aponta para números trágicos. Pior é que ainda estamos nos picos da 1.ª vaga nestes países. O futuro ainda é uma grande incógnita para esta doença. Certo é que o nosso novo normal, vai ser o de adotar este novo acessório que os asiáticos já conhecem tão bem: a máscara de proteção. Daqui para a frente será como usar uma peça de roupa interior: quase sempre obrigatória.

Texto de Pedro M. Duarte

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