Uma Mensagem a Um Amigo Sobre a Luta Política Durante a Pandemia

Esta é uma mensagem privada que enviei a um amigo sobre a luta política durante a pandemia, a qual decidi partilhar. Algumas partes foram ligeiramente editadas para clarificar a mensagem, mas o conteúdo é virtualmente o mesmo.

Há certas coisas que só ousamos dizer em mensagens privadas. Mas talvez tenha chegado a hora de perder o medo e começar a dizer o óbvio sem gaguejar, e sem nos deixarmos intimidar por aqueles que abdicaram do uso da razão

Temos que enfrentar isto de frente mesmo. Com coragem. Chegou a hora… E sinceramente os nossos ancestrais enfrentaram muito pior. Mas sim, o mundo tresanda a morte neste momento.

“Mas hoje temos uma sociedade fraca”, respondeu o meu amigo.

Sim verdade. Então a necessidade de ter pessoas corajosas é ainda maior.

Ao que o meu amigo responde: “Pois. Mas o problema é que os acordados são meia dúzia para cada milhão (de pessoas adormecidas).”

Sim, mas repara. O problema não somos nós.

Uma pessoa adulta e responsável, sobretudo em tempos de injustiça política crescente, está sempre a um passo da prisão ou do cemitério. O problema são as crianças. Porque elas só vão conhecer este detestável novo mundo. Nós, já vivemos, já curtimos, já vimos muita coisa, já amamos, erramos, já corrigimos, já tivemos a nossa oportunidade de estudar e viajar pelo mundo ou seja- já tivemos, de certa forma, uma “vida” digna desse nome. Temos 40 anos, ou quase. Não sejamos cobardes também. A hora da luta começou. As lutas anti-Troika etc. eram só o começo.

Agora é ter força e vitalidade para lutar pela justiça. Custe o que custar. Inclusive a nossa própria vida. Acredita em mim- se não pensares assim, já perdeste. Porque se não estiveres pronto a morrer por aquilo em que acreditas, uma só ameaça de morte será suficiente para te neutralizar. Eu sei o que estou a fazer e aquilo em que acredito. Não quero uma sociedade segregacionista em que vivemos ao belo prazer de um Estado cada vez mais fascista. Não vou aceitar que só posso fazer uma coisa se o Estado me der permissão expressa para isso. Então, vou lutar pela minha liberdade e pela tua. Os que aceitam ser escravos, estão no direito deles. Mas se me quiserem escravizar a mim também, bem, então aí sim temos que ter uma conversa mais difícil. Mas os meus direitos, eu conheço-os bem e estou pronto a morrer a lutar por eles. Tem que haver aqui alguma intransigência, e sobretudo, força, coragem e vitalidade. Coisa que os escravos estão a perder rapidamente. Já notaste as pessoas que estão a assumir uma posição de passividade, depois também, se forem teus amigos e falarem contigo na boa, admitem que desde que a pandemia começou, não conseguem pensar de forma estruturada, estão a ter dificuldades em fazer o que quer que seja de maneira funcional, e a maioria está claramente deprimida e completamente alienada? E sim, dói ver as pessoas que perderam a força de lutar e em vez disso preferem ser levadas pela maré, claro.

Mas cada um é livre de fazer as suas escolhas. Depois fica é preso pelas consequências.

João Silva Jordão

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